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Durante painel no Web Summit Rio 2026, Ronaldo Lemos defendeu o desenvolvimento de tecnologias nacionais de inteligência artificial e alertou para o risco de o Brasil se tornar dependente de plataformas estrangeiras

Enquanto o debate sobre inteligência artificial no Brasil tem se concentrado em riscos, regulação e responsabilidade das plataformas, uma ameaça muito maior pode estar passando despercebida aqui no país: a dependência tecnológica.
Na visão de Ronaldo Lemos, advogado e um dos idealizadores do Marco Civil da Internet, o maior risco para o país não é o avanço da inteligência artificial em si, mas a incapacidade de desenvolver soluções próprias.
Ele falou sobre o tema durante um painel do Web Summit Rio 2026, que o Seu Dinheiro está cobrindo in loco na capital carioca até o dia 11 de junho. Ao lado dele, esteve Bruno Lewick, chefe de Políticas Públicas da OpenAI para a América Latina.
Para o advogado, a discussão sobre inteligência artificial no Brasil tem dado atenção excessiva às regras e responsabilidades das empresas, enquanto deixa em segundo plano um tema que considera estratégico para o futuro do país.
Segundo ele, países emergentes como Índia e Vietnã já tratam a inteligência artificial como uma ferramenta de desenvolvimento econômico e de fortalecimento da soberania tecnológica.
Na avaliação de Lemos, uma das formas de evitar essa dependência passa pelo fortalecimento do ecossistema local de tecnologia e pelo incentivo a modelos de código aberto, que permitem que desenvolvedores adaptem e aprimorem sistemas de inteligência artificial de acordo com as necessidades brasileiras.
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"O objetivo da regulação do Brasil é que a gente não dependa da OpenAI, da Anthropic, nem das chinesas. O Brasil é um gigante do software livre, e nossos desenvolvedores são incríveis. Devemos apoiá-los para que possamos treinar esses modelos com capacidades locais, inclusive tropicais", afirmou Lemos, que foi aplaudido pela plateia no momento em que exaltou os profissionais brasileiros.
Enquanto Lemos argumentou a favor de uma IA nacional, Lewick destacou a alta adesão do brasileiro aos sistemas de inteligência artificial oferecidos pela criadora do ChatGPT.
"Só considerando os produtos da OpenAI, o Brasil já é o terceiro maior mercado do mundo em número de usuários e o segundo maior em número de desenvolvedores. Estamos em uma fase da tecnologia em que o mais importante é fazer com que a inteligência artificial chegue ao maior número de pessoas", disse durante o painel do Web Summit.
Para o representante da OpenAI, mais importante do que enxergar a inteligência artificial como uma revolução tecnológica é garantir que governos, cidades e instituições estejam preparados para incorporá-la de forma eficiente.
"Gosto muito de olhar para governos e cidades que estão empilhando os tijolos para que essa tecnologia não seja apenas uma ferramenta ou uma mágica, mas seja integrada ao tecido social e ao tecido da cidade", afirmou.
O debate também abordou uma das principais preocupações envolvendo a inteligência artificial em 2026: o impacto da tecnologia sobre as eleições e o risco de disseminação de conteúdos enganosos gerados por IA.
Na avaliação de Lewicki, a discussão não deve tentar proibir ou restringir a tecnologia. Segundo ele, a inteligência artificial deve ser vista como uma inovação de propósito geral, comparável a algumas das transformações mais importantes da história.
"É como se a gente estivesse falando aqui da roda, da eletricidade, do motor a combustão, dos computadores, da internet", afirmou o executivo da OpenAI.
Por isso, o executivo disse ter dificuldades em discutir o tema sob a ótica do que pode ou não ser feito com IA. No entanto, o executivo reconheceu que existem riscos que precisam ser enfrentados e afirmou que empresas do setor já trabalham em conjunto com autoridades brasileiras para reduzir potenciais abusos durante o processo eleitoral.
Os dois painelistas também discutiram o projeto de lei que pretende regulamentar a inteligência artificial no Brasil. Lemos afirmou que o debate conduzido até agora no Congresso tem sido pouco transparente e criticou o fato de o texto final ainda não ser amplamente conhecido pela sociedade.
Segundo ele, a proposta foi fortemente inspirada na legislação europeia e não leva em consideração particularidades do contexto brasileiro.
"Somos o país que fez o Marco Civil da Internet. A gente não precisa copiar ninguém. Podemos fazer uma lei brasileira de inteligência artificial que seja exemplo para o mundo todo", afirmou.
O advogado também disse sentir falta do processo participativo que marcou a elaboração do Marco Civil, quando as contribuições eram públicas e discutidas abertamente.
Lewicki concordou que uma boa regulação precisa encontrar equilíbrio entre proteção de direitos e estímulo ao desenvolvimento tecnológico.
"Uma legislação desequilibrada gera um efeito paralisante para o desenvolvimento do próprio país", afirmou.
Segundo o executivo, a preocupação não deveria se limitar à atração de investimentos estrangeiros, mas também ao impacto que as regras podem ter sobre startups, pequenas empresas e novos empreendedores brasileiros.
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