Ben Bernanke, prêmio Nobel de Economia e ex-presidente do Fed: “independência do Banco Central é fundamental, mas há um porém”
A ideia de Bernanke sobre a autonomia dos bancos centrais destaca-se como possível defesa da PEC recém-aprovada na CCJ do Senado

O economista Ben Bernanke foi presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, por dois mandatos consecutivos. Em 2022, ele ganhou o Prêmio Nobel de Economia por suas pesquisas sobre instituições financeiras e suas crises.
À frente do Fed, Bernanke precisou lidar com uma das mais graves crises recentes da história do capitalismo. Ele liderou a resposta da autoridade monetária norte-americana à crise financeira global de 2008, desencadeada pelo colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos.
A experiência e os seus estudos o ajudaram a formular a seguinte ideia:
“A independência do banco central em relação à política é fundamental para garantir estabilidade econômica e financeira.”
No caso do Brasil, o Banco Central possui autonomia operacional desde 2021, quando foram estabelecidas regras de mandato para o presidente e os diretores da instituição. O objetivo era de reduzir a influência política sobre as decisões de política monetária.
Agora, a PEC que acaba de ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado busca ampliar essa independência, ao permitir que o Banco Central deixe o Orçamento da União e passe a ter maior controle sobre suas despesas e investimentos.
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A proposta não é apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas segue avançando para análise do plenário da Casa. Nesse contexto, a ideia de Bernanke ganha destaque como possível defesa da medida, embora ainda haja ressalvas.
A visão de Bernanke
De acordo com Ben Bernanke, há consenso entre estudiosos de que o governo deve definir os objetivos da política monetária, mas que o banco central deve ter autonomia para executá-los.
Isso acontece porque decisões econômicas têm efeitos no longo prazo, enquanto as pressões políticas são imediatas, o que pode levar a medidas exageradas, inflação e instabilidade.
Além disso, a falta de independência prejudica a credibilidade da instituição financeira no controle da inflação e aumenta o risco de o governo utilizá-la para financiar seus gastos, o que costuma gerar inflação e volatilidade econômica.
Em contrapartida, bancos centrais mais independentes tendem a ter melhores resultados, com inflação mais baixa e estável, pois podem tomar decisões mais técnicas e focadas no longo prazo.
Independência é essencial, mas não incondicional
Embora Bernanke defenda a independência dos bancos centrais, ele também afirma que ela não pode ser absoluta. A instituição deve atuar com transparência em suas políticas e estar aberta à opinião pública.
Segundo o economista, essa postura não só contribui para tornar os bancos centrais mais responsáveis, como também aumenta a eficácia da política monetária, reduzindo incertezas, possibilitando a antecipação de decisões e fortalecendo seus efeitos sobre a economia.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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