Lei da Reciprocidade vira munição na disputa eleitoral após governo abrir processo contra os EUA; entenda os impactos
Líderes de entidades industriais entendem que o acionamento da medida decorreu mais de cálculos políticos do que econômicos

Com o início do período de campanha eleitoral, o processo para a aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos volta a ocupar o centro das discussões. Se, por um lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usa a medida para fortalecer o discurso de soberania nacional, a oposição critica a gestão por não colocar os impactos econômicos na ponta do lápis.
Nesta manhã, setores exportadores da indústria criticaram a abertura do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço do governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A percepção é de que a medida atende mais ao propósito eleitoral de Lula do que aos interesses das empresas que foram atingidas pelas sobretaxas comerciais.
O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) também comentou sobre a decisão de aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos. Durante uma visita a uma padaria na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, neste sábado (15), o senador classificou a medida como "irresponsável".
"Alguém que atirou pedras, provocou (os EUA) a todo o momento, xingou pessoas que são do governo americano", disse.
Lei da Reciprocidade nas eleições
Segundo informações do Broadcast, líderes de entidades industriais entendem que o acionamento da Lei de Reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo de Donald Trump a negociar o tarifaço.
Além disso, avaliam que os efeitos práticos da iniciativa dificilmente vão aparecer em menos de três meses, devido às etapas do processo até a eventual aplicação de contramedidas. Integrantes do governo também calculam que o processo de análise na Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre a Lei da Reciprocidade deve ser concluída apenas em novembro.
Leia Também
Por isso, nos bastidores, exportadores avaliam que a abertura do processo decorreu mais de cálculos políticos do que econômicos. "Estamos em ano eleitoral, e a reciprocidade vem ao encontro do discurso de soberania. Pode ser usada nesse aspecto", comentou um dirigente da indústria.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, concorda que a medida pode ter sido influenciada pelas eleições. Segundo ele, a decisão do governo tende a gerar mais transtorno do que benefício nas negociações com os Estados Unidos.
"Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos. Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista", comenta Castro.
Flávio Bolsonaro também classificou a medida como uma artimanha eleitoral. Ele chegou a afirmar que Lula se apequenou em todo o processo e "está pensando na eleição e não na nossa nação".
Peso econômico para o Brasil
Na avaliação de economistas, a decisão do governo de retaliação amplia o risco de tarifas ainda mais altas sobre produtos brasileiros.
“Aplicar a reciprocidade a um país (os EUA) com falta de racionalidade econômica na guerra tarifária pode fazer com que as atuais tarifas de 25% sobre produtos brasileiros virem 50%”, afirmou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.
Para ele, o risco merece ainda mais atenção, uma vez que os Estados Unidos “não estão aplicando boas práticas de comércio”. Vale considera ainda que é possível uma reação “bastante negativa” por parte dos norte-americanos, na esteira de um cenário político desafiador.
“Não é um processo simples e as saídas não serão positivas no final. Vemos um comércio entre Brasil e EUA maculado durante um bom tempo", afirmou.
Já para o economista-chefe para América Latina da consultoria Pantheon Macroeconomics, Andrés Abadia, a medida “adiciona outra camada de incerteza” para a trajetória do real.
“O risco de uma escalada na disputa comercial com os EUA e o eventual impacto em setores exportadores aumentam as incertezas em um momento no qual os mercados já estão mais sensíveis aos riscos políticos domésticos”, disse ele.
Abadia ressaltou também que a depreciação do real e o tombo da bolsa brasileira nos últimos dias revelam que “investidores estão mais cautelosos em relação aos ativos domésticos”.
O economista Carlos Honorato tem avaliação semelhante. Para ele, a abertura do processo para aplicação da Lei da Reciprocidade tende a reforçar a pressão sobre o câmbio e os ativos brasileiros num momento em que o mercado começa a voltar a atenção para riscos domésticos ligados à proximidade das eleições e às preocupações fiscais.
*Com informações da Broadcast e Money Times.
PARA OS ESTUDANTES
Pé-de-Meia outubro 2026: veja quem recebe a sétima parcela e as datas de depósito
3 de outubro de 2026 - 5:08MOMENTO PROMISSOR
Recuperação do setor de shoppings anima BB Investimentos; veja por que Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) tiveram preços-alvo elevados
2 de outubro de 2026 - 19:00INDECISÃO?
Já não basta bater recorde para a Embraer (EMBJ3)? Entregas do terceiro trimestre dividem JP Morgan e Santander
2 de outubro de 2026 - 16:30DEPOIS DA QUEDA
A mulher por trás da farsa da Theranos quebra o silêncio: o que esperar do documentário que revela sua versão da história?
2 de outubro de 2026 - 14:07BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3794 posiciona 3 ganhadores a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3065 acumula e prêmio aumenta para R$ 82 milhões
2 de outubro de 2026 - 6:28OLHO NO CALENDÁRIO
INSS e BPC/LOAS outubro 2026: veja quando os benefícios serão depositados
2 de outubro de 2026 - 5:07O FUTURO DA BOLSA
Eleições 2026: o que pode levar o Ibovespa aos 248 mil pontos — ou derrubá-lo a 165 mil, segundo a XP
1 de outubro de 2026 - 19:50AÇÃO NO EXTERIOR
Esta fabricante de chips já subiu 476% no ano, e ainda está barata em meio à corrida da IA; veja o que dizem Empiricus e XP sobre a empresa
1 de outubro de 2026 - 16:40O DESAFIO DO PRESIDENTE
Lula ou Flávio? Para Kinea, ambos terão o mesmo desafio e precisarão correr contra o tempo para evitar uma crise
1 de outubro de 2026 - 15:01SEM TETO
Pix por aproximação muda hoje: a nova regra que todo usuário precisa conhecer
1 de outubro de 2026 - 11:01SÓ MUDA O MÉTODO
Entre a simplicidade e a teimosia, Lotofácil 3793 fecha setembro com 2 meio-milionários; +Milionária acumula e prêmio chega a R$ 100 milhões
1 de outubro de 2026 - 7:05A VISÃO DO DONO
Inquilino não paga o aluguel? Veja o que você pode ou não fazer e como evitar que a dívida se torne problema seu
1 de outubro de 2026 - 6:34OS ENDIVIDADOS
Não conseguiu pagar o aluguel? Entenda os riscos que você corre e como não deixar a dívida virar uma bola de neve
1 de outubro de 2026 - 6:02BENEFÍCIO NA CONTA
Bolsa Família será maior em outubro de 2026: veja quando reajuste começa a ser pago e quem poderá se beneficiar
1 de outubro de 2026 - 5:06DESTAQUES DA BOLSA
Tenda (TEND3) vai na contramão do Ibovespa e fecha em queda, mas Itaú BBA ainda tem motivos para considerar a ação atrativa
30 de setembro de 2026 - 18:45COMEÇOU A TRANSIÇÃO
‘Pense em um mundo sem imposto’: o recado de Bernard Appy para as empresas na reta final da reforma tributária
30 de setembro de 2026 - 13:50OLHO NO PIX
IRPF 2026: dinheiro de lote de restituição da malha fina do imposto de renda cai hoje na conta
30 de setembro de 2026 - 8:42SEM DESCONTO
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho toma decisão e banco anuncia quando as agências reabrem
30 de setembro de 2026 - 7:55BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3792 tem 37 ganhadores, mas só dois ficam a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3064 acumula e prêmio vai a R$ 75 milhões
30 de setembro de 2026 - 6:49ATENÇÃO, BENEFICIÁRIOS!