Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown
O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

Em meio ao (eterno?) impasse em relação ao estreito de Ormuz, cabe a justa pergunta sobre se o drawdown da guerra do Irã não foi superado rápido demais.
À medida que nos aproximamos do final de abril, praticamente todos os índices de ações relevantes do mundo estão empatados ou acima de suas máximas YTD pré-guerra.
Ou seja, deve ter menos a ver com exposição a oil & gas se tanto o Ibovespa (Brasil exportador de petróleo) quanto o Nikkei (Japão importador de petróleo) assumem máximas pontuações desde o início do ano, ainda que o primeiro esteja subindo mais do que o segundo.

O denominador comum talvez seja mesmo a realocação de dinheiro excessivo em EUA, agora buscando cestas diversificadas em outros mercados globais. Um pouco em Japão, um pouco em Brasil, um pouco em Coreia, e isso já basta para fazer uma tremenda diferença localmente, sobretudo após o drawdown recente.
- Para lembrar: Drawdown é o tamanho da queda máxima que um investimento sofre, do ponto mais alto até o ponto mais baixo, antes de voltar a subir.
O padrão dos drawdowns recentes
Contudo, sem prejuízo dessa explicação de fluxo com um recorte em cross section, devemos reconhecer também um outro argumento, amparado em séries de tempo.
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Se pensarmos bem, diante dos colapsos “modernos” desde o subprime em 2008, qual foi a função de reação mais racional face ao pânico inicial de um evento extremo — e ao drawdown que o acompanha?
- Leia também: Ibovespa — matando a sede com a metade cheia do copo
Em todos esses casos marcantes para a nossa geração, passando inclusive pela pandemia, o investidor do buy & hold — e, sobretudo, o investidor marginal do buy the dip — foi amplamente remunerado pelo seu salto de fé na recuperação pós-drawdown e posterior ascensão do mercado.
Entre o ceticismo e o custo de ficar de fora
Isso posto, e isso vale para nós que visamos o médio e longo prazo: qual o embasamento que teríamos, agora, para ficar short ou mesmo reduzir sensivelmente a exposição a risco diante de drawdowns que se mostram cada vez mais curtos?
Não tenho dúvidas de que a postura pessimista em relação a incertezas globais é inteligente, charmosa e provocante; mas ela também pode custar caro demais.
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