Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) começou 2026 com um novo CEO: Alexandre Santoro, anunciado para substituir Marcelo Pimentel, que renunciou ao cargo em outubro do ano passado.
Com isso, Rafael Sirotsky Russowsky deixa a posição na presidência, que ocupava interinamente, e permanece nos cargos de vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores.
Santoro deixou o cargo de CEO na Internacional Meal Company (IMC) — dona das redes Frango Assado, Pizza Hut, KFC e outras — para assumir o comando do GPA, que vive um furacão particular nos últimos tempos. A IMC anunciou que a CFO, Natália Lacava, assume a cadeira vazia de forma interina.
Por volta das 11h, as ações da varejista estavam entre as maiores quedas do Ibovespa, com desvalorização de 1,52%, negociadas a R$ 3,90.
O momento do GPA, e o grade desafio do novo CEO
A saída de Marcelo Pimentel foi uma das mudanças que o Pão de Açúcar tem passado desde o segundo semestre de 2025, com avanço de diferentes blocos em busca do controle da companhia.
Entre as principais movimentações, em agosto, a família Coelho Diniz, dona de uma rede de supermercados homônima em Minas Gerais, elevou a participação para 24,6% do capital do GPA.
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Em conjunto, a família Coelho Diniz se tornou a maior acionista do GPA, superando a empresa francesa Segisor, que tem pouco mais de 20% do capital. A Segisor se tornou acionista após reorganização societária realizada em 2015 pela Casino, antiga controladora do Grupo Pão de Açúcar.
Em meio a tudo isso, o elefante na sala: a dívida considerada impagável que o GPA carrega, segundo um gestor com quem o Seu Dinheiro conversou. Esse valor ficou em R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025, a mais recente divulgação de resultados da companhia.
A alavancagem medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em 3,1 vezes, nível considerado bastante elevado por analistas.
Segundo gestores que conversaram com o Seu Dinheiro, a situação da empresa só poderia melhorar se a gestão topasse sentar com os credores e iniciar negociações, o que fica como o grande desafio para Santoro a partir de agora.
“Se fizéssemos um exercício hipotético com a ação do Pão de Açúcar, para ela ser viável de imediato, teria que haver uma conversão de dívida de quase R$ 3 bilhões. Isso implica que a empresa teria que valer mais do que isso. Mas o valor atual está bem abaixo [em cerca de $ 1,9 bilhão, segundo dados do Trademap]”, afirma. Portanto, na visão do gestor, a ação teria que cair.
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