🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

FRIGORÍFICOS

Minerva (BEEF3): existe um atalho para escapar das tarifas chinesas, mas o buraco é mais embaixo. O que esperar?

Com forte exposição ao mercado chinês, o frigorífico pode apelar para operação no resto do continente para enviar carne bovina ao gigante asiático, mas essa não é a bala de prata

Bia Azevedo
Bia Azevedo
5 de janeiro de 2026
17:35
Minerva
Celular com a marca Minerva Foods (BEEF3) - Imagem: Shutterstock

As ações da Minerva (BEEF3) sofrem com mais um pregão no vermelho nesta segunda-feira (5) após a China impor restrições às importações de carne bovina no apagar das luzes em 2025. Por volta das 17h, os papéis caíam 3,35%, negociados a R$ 5,19, terceira maior baixa do Ibovespa, que avançava 0,91% no mesmo horário, a 162.010 pontos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E a situação não parece muito animadora para a empresa daqui em diante.

Isso porque, além de operar majoritariamente no Brasil — um dos países mais impactados pelas salvaguardas chinesas, ao lado da Austrália —, a companhia é a mais exposta a esse mercado, já que mais da metade das exportações vindas do Brasil vão para o gigante asiático.

No terceiro trimestre de 2025, cerca de 59% da receita do segmento de carne bovina da Minerva veio da China, segundo dados mais recentes disponíveis. Na visão do Santander, a companhia também é a mais afetada pela medida.

Na visão de Fernando Iglesias, analista de proteína animal da Safras & Mercado, a solução para a Minerva não passa só pelos esforços da própria companhia. “Vai depender muito da habilidade do Brasil na abertura de novos mercados, não é só a empresa”, afirmou em entrevista ao Seu Dinheiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O ‘atalho’ de curto prazo para a Minerva

Existe, no entanto, um atalho que pode ser uma solução de curto prazo para esse problema, segundo Iglesias: explorar a operação no restante do continente, em especial na Argentina e no Uruguai.

Leia Também

Assim, a companhia poderia fazer uma triangulação: mandar parte do volume exportado via outros países, mudando a rota de chegada à China — preservando, portanto, a cota de importação brasileira.

A China se consolidou como o principal destino dos embarques de carne bovina uruguaia da Minerva no terceiro trimestre de 2025, com 33% do market share.

Na Argentina, esse número foi ainda maior: o país respondeu por 51% do total das exportações da companhia no 3T25. A expectativa é de que essa participação avance nos próximos períodos, segundo Iglesias, mas o “atalho” está longe de ser uma bala de prata.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Enquanto não encontrarmos caminhos no mercado global [para suprir a demanda chinesa] fica um pouco mais complicado”, diz.

O analista ressalta que, mesmo reorganizando as cadeias, as operações no restante da América Latina não comportam o volume necessário para que isso se torne uma solução de longo prazo.

Os possíveis mercados que o Brasil pode abrir

Algumas praças que podem ser alternativas para o Brasil tentar contornar esse problema, segundo Iglesias.

“Seria necessário alavancar as vendas para a Indonésia, Filipinas e o próprio Vietnã, além de avançar na abertura do Japão e da Coreia do Sul, para conseguir minimizar os efeitos da ausência da China”, afirma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Brasil tenta abrir os mercados japonês e sul-coreano às exportações de carne bovina há anos. Os dois são mercados considerados premium. As negociações esbarram em exigências sanitárias muito rigorosas em ambos os casos.

O analista também cita o próprio mercado norte-americano como relevante para o Brasil ao longo de 2026. O avanço das negociações de um acordo comercial com União Europeia também poderia ajudar a preencher o vácuo deixado pela potência asiática.

No entanto, ele ressalta que nenhum mercado, isoladamente, seria capaz de preencher o vácuo deixado pela China, já que as exportações brasileiras para o país devem encerrar 2025 em cerca de 1,7 milhão de toneladas — cerca de metade do total exportado —, volume que supera a cota de 1,1 milhão de toneladas imposta por Pequim.

Por isso, Iglesias é contundente: “exportaremos menos carne em 2026” — cabe lembrar que o ano passado foi descrito como o ano dessa commodity.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Apesar de o setor ter registrado o maior volume de abates já observado em um único ano — com a expectativa de superar 41 milhões de cabeças —, o comportamento dos preços não seguiu a lógica de forte pressão baixista. Ao longo de praticamente todo o período, a arroba em São Paulo permaneceu acima de R$ 300, contrariando as projeções iniciais”, diz.

Mas há uma boa notícia: segundo ele, o Brasil deve produzir menos ao longo dos próximos meses, o que pode ajudar a equalizar a situação.

Analistas do BTG Pactual destacaram que os exportadores, especialmente os maiores sob cobertura do banco, não devem sair ilesos, mas ponderaram que a situação parece administrável.

“Toda pauta exportadora do Brasil corre risco”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mesmo que as salvaguardas chinesas não sejam o fim do mundo para as exportadoras, a escaladas das tensões geopolíticas globais são um ponto de preocupação para o agro brasileiro, de acordo com Iglesias.

“Todos correm risco [de possíveis tarifas ou restrições]”, afirma.

O analista destaca que o avanço do protecionismo comercial em nível global tende a colocar o Brasil em uma posição delicada, uma vez que estamos entre os maiores exportadores de uma série de commodities.

“Muitas vezes o protecionismo se mascara em questões ambientais ou sanitárias, como a Europa faz com o meio ambiente ou a China fez com a gripe aviária. É o preço que pagamos por sermos tão competitivos”, afirma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por que JBS e MBRF não estão sofrendo tanto quanto Minerva?

Outro ponto que chama a atenção é o desempenho da JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) na bolsa. Enquanto a Marfrig perde quase 11% do valor de mercado nos últimos cinco dias, as outras duas caem 5,33% e 3,41%, respectivamente.

Isso se dá porque a JBS tem uma diversificação geográfica marcante, atuando em diversos países com estrutura robusta — podendo, por consequência, operar de vários locais e driblar tarifas. O próprio CEO, Gilberto Tomazini, explica a lógica:

“Nossa empresa foi construída para lidar e reduzir a volatilidade. Então, isso não é relevante para nós. Temos outros mercados. No caso da Friboi no Brasil, uma ou outra fábrica que estava focada na exportação para os EUA é afetada, mas não é algo comprometedor para o negócio", afirmou em participação no Agro Summit, do Bradesco BBI, no ano passado, se referindo às tarifas impostas pelos Estados Unidos à época.

Já a MBRF tem um posicionamento diferente, optando por focar em produtos de maior valor agregado, como pratos congelados e hambúrgueres, o que traz mais resiliência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
HORA DE BOTAR A MÃO NA MASSA?

Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?

5 de janeiro de 2026 - 11:15

Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões

AÇÃO DO MÊS

Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto

5 de janeiro de 2026 - 6:03

Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro

QUEDA FORTE NA BOLSA

Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?

2 de janeiro de 2026 - 17:31

Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas

R$ 1,2 BILHÃO

Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem

2 de janeiro de 2026 - 15:19

Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante

COMEÇOU MAL

Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira

2 de janeiro de 2026 - 14:47

País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas

RETROSPECTIVA DO IFIX

FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano

2 de janeiro de 2026 - 6:03

Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo

MENOS DINHEIRO NO BOLSO

Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020

31 de dezembro de 2025 - 17:27

Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis

VEJA A LISTA COMPLETA

As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?

31 de dezembro de 2025 - 7:30

Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira

ACABOU O RALI?

Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos

29 de dezembro de 2025 - 18:07

Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano

RESUMO DOS MERCADOS

Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha 

27 de dezembro de 2025 - 9:15

A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro

A MIGRAÇÃO COMEÇOU?

Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP

26 de dezembro de 2025 - 15:05

Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real

ÍNDICE RENOVADO

Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal

26 de dezembro de 2025 - 9:55

Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais

CENÁRIOS ALTERNATIVOS

3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley

25 de dezembro de 2025 - 14:00

O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar

TOUROS E URSOS #253

Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro

24 de dezembro de 2025 - 8:00

Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira

AINDA MAIS PRECIOSOS

Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?

22 de dezembro de 2025 - 12:48

No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%

BOMBOU NO SD

LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro

21 de dezembro de 2025 - 17:10

Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana

B DE BILHÃO

R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista

21 de dezembro de 2025 - 16:01

Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias

APÓS UMA DECISÃO JUDICIAL

Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana

21 de dezembro de 2025 - 11:30

O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo

DESTAQUES DA SEMANA

Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques

20 de dezembro de 2025 - 16:34

Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas

OS MAIORES DO ANO

Nem o ‘Pacman de FIIs’, nem o faminto TRXF11, o fundo imobiliário que mais cresceu em 2025 foi outro gigante do mercado; confira o ranking

19 de dezembro de 2025 - 14:28

Na pesquisa, que foi realizada com base em dados patrimoniais divulgados pelos FIIs, o fundo vencedor é um dos maiores nomes do segmento de papel

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar