Energia nuclear, games, bilionários: conheça os ETFs mais curiosos da bolsa brasileira e veja como investir nessas tendências
Há um leque de oportunidades no mundo dos ETFs, para diferentes tipos de investidores, do mais conservador ao mais agressivo

O mercado de ETFs, também chamados de fundos de índice, vive um momento forte de crescimento. E, para além das opções tradicionais, que seguem os principais índices no Brasil ou no mundo, há um ETF para cada gosto ou carteira, com opções que seguem empresas de games, hidrogênio, energia nuclear ou outros.
Os ETFs são fundos de investimento com cotas negociadas em bolsa, cujo compromisso é seguir o desempenho de um índice de mercado. Os mais conhecidos no Brasil são aqueles que seguem o Ibovespa, principal índice de ações da B3, como o BOVA11 e o BOVV11.
Mas essa indústria tem se expandido para além desses indicadores mais generalistas, que costumam ser compostos pelas ações mais negociadas do mercado.
Apenas no último ano, foram lançados mais de 50 ETFs na B3, e hoje eles chegam a quase 200 produtos do tipo. Em 2025, o valor investido passou de aproximadamente R$ 50 bilhões para mais de R$ 90 bilhões.
"Isso mostra que a grande oferta começa a achar a sua demanda", afirma Renato Eid, sócio e superintendente de estratégias indexadas e investimento responsável da Itaú Asset Management, que tem mais de R$ 26 bilhões sob gestão somente em ETFs, com mais de R$ 1,2 trilhão no total.
Ele afirma que, desde a criação do primeiro ETF no Brasil em 2004 — o PIBB11, que segue as ações e units mais negociadas no país — houve um esforço de construir estruturas de regulamentação e negociação. Hoje, o mercado já é bem consolidado.
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Se até então o mercado de ETFs era pequeno pela reduzida prateleira de produtos disponíveis, para 2026 isso pode mudar, com o grande volume de lançamentos do ano passado.
"Vimos a entrada de novas casas no setor, com lançamentos de novos produtos. O ano de 2026 já começa com esse movimento", diz Danilo Moreno, analista da Investo, gestora independente especializada em ETFs, com R$ 6,5 bilhões sob gestão.
Apesar disso, os ETFs ainda representam um percentual muito pequeno da indústria de fundos, de menos de 1%. Confira abaixo alguns dos ETFs mais diferentes e curiosos da bolsa brasileira:
NUCL11
O ETF NUCL11 é um fundo de índice gerido pela Investo, que replica o desempenho do ETF NLR (VanEck Uranium and Nuclear ETF), listado na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), voltado a empresas de energia nuclear.
"É um tema pouco falado no Brasil. Mas, com a transição energética, a energia nuclear surge como uma opção limpa e disponível 24 horas por dia", afirma Moreno.
Com a expansão de veículos elétricos e data centers voltados à inteligência artificial, a energia nuclear pode se tornar mais importante no mercado, sendo uma forma de investir em IA de maneira indireta.
JOGO11
Também da Investo, o fundo focado em games replica o norte-americano ESPO (VanEck Video Gaming & eSports ETF). Ele investe em empresas de jogos e eSports como NVIDIA, Roblox, Nintendo e Ubisoft.
RICO11
O RICO11 é um fundo da Buena Vista que segue o desempenho das 50 principais empresas listadas nos Estados Unidos que são detidas por bilionários norte-americanos.
YDRO11
Foi criado para acompanhar o índice S&P Kensho Hydrogen, composto por 19 empresas que são ligadas ao mercado de hidrogênio, indústria em expansão no mundo por causa da busca por fontes de energia que não emitam gases de efeito estufa.
ELAS11
Criado pelo Safra, esse fundo replica o Índice Teva Mulheres na Liderança, que monta uma carteira de empresas com maior representatividade feminina em cargos de liderança.
BCIC11
Este fundo busca replicar o índice Morningstar Brazil Cyclical Sectors Equal Weighted Select, com ações de empresas dos setores mais sensíveis à atividade econômica local, conhecidos como setores “cíclicos”.
É o caso de empresas em segmentos como materiais básicos, construção civil, financeiro, serviços de comunicação e energia. Ou seja, um investimento para quem acredita que a economia pode estar ou entrar em um ciclo de crescimento.
ARGE11
O fundo acompanha o desempenho de empresas argentinas listadas em bolsas dos Estados Unidos, através de 15 ADRs (American Depositary Receipts, ou recibos de ações negociados nos EUA). O fundo replica o índice MarketVector US Listed Argentina Index.
SILK11
Este ETF da Itaú Asset dá acesso às principais ações da China, copiando o desempenho do índice MSCI China A50, com 50 empresas chinesas de grande capitalização.
Mais diversidade no bolso
Os ETFs recriam a carteira dos seus índices de referência, mantendo também a proporção dos ativos, na busca de ter uma rentabilidade semelhante. Por isso geralmente não contam com gestão ativa, apenas gestão passiva, embora os ETFs de gestão ativa existam em bolsas estrangeiras.
Porém, no Brasil, inicialmente só existiam ETFs que replicavam o desempenho dos principais índices de ações, como o Ibovespa, o Idiv (índice de ações que pagam bons dividendos) ou mesmo o S&P 500, principal índice de ações dos EUA, com as 500 maiores companhias abertas norte-americanas. Hoje, esses índices podem ser dos mais variados possíveis.
Esses produtos se expandiram para muito além dos índices de ações e passaram a abarcar também a renda fixa, os mercados de commodities e investimentos internacionais.
Há estratégias distintas, e algumas contam até com pagamentos de dividendos, algo que só passou a ser permitido no Brasil mais recentemente. Esse sortimento é essencial para quem quer se proteger em um mundo cada vez mais incerto e volátil.
"Há um leque de oportunidades, para diferentes tipos de investidores, do mais conservador ao mais agressivo", diz Renato Nobile, gestor e sócio-fundador da Buena Vista. Atualmente, a Buena Vista possui cerca de R$ 1 bilhão sob gestão, dos quais R$ 900 milhões estão em fundos e ETFs.
Os ETFs temáticos
Por aqui, há fundos voltados para energia nuclear, games, hidrogênio e empresas com maior representatividade feminina.
Lá fora, existem alguns ETFs ainda mais diversos, como o AQWA, que investe em empresas com foco em fornecimento de água limpa, do tratamento ao saneamento, e o URA, com uma carteira de mineradoras de urânio.
Alguns focam em fatias específicas da população, como o MILN, que se concentra em empresas que podem se beneficiar dos gastos dos millennials, como redes sociais, empresas de alimentos, roupas e fitness, e o AGNG, também com foco em uma faixa etária específica, a população que está envelhecendo. Há até um ETF com tese religiosa, o CATH, apenas com empresas com valores católicos.
Enquanto os mais conhecidos, como o BOVA11, que segue o Ibovespa, e o SMAL11, que segue o índice das Small Caps, podem ter um papel central na carteira do investidor, os produtos mais específicos são destinados a posições menores, mais táticas e arriscadas.
Se o investidor acredita em uma tese — como por exemplo o avanço da IA, a busca por energias alternativas ou criptomoedas diferentes — há um ETF para ele.
Riscos dos ETFs 'diferentões'
O risco é chegar tarde para a festa. "Às vezes, o lançamento de um ETF temático acontece depois que a corrida já está acabando. O investidor precisa tomar cuidado para não cair no hype do crescimento passado", afirma Moreno.
No caso de nichos específicos da economia, é preciso estudar para entender se ainda há potencial de crescimento ou se a alta recente do ETF foi apenas um movimento de curto prazo.
Vantagens de investir
Mesmo sem a liberdade de uma gestão ativa de portfólio, como é o caso dos fundos multimercado, os ETFs têm vantagens, segundo os especialistas.
A principal delas é o custo. A taxa de administração dos ETFs é consideravelmente mais baixa que a dos fundos comuns, o que os torna uma forma barata de diversificar a carteira de investimentos. Além disso, não têm taxa de performance, como ocorre com muitos multimercados.
Além disso, o imposto de renda é fixo, com alíquotas de 15% sobre o lucro para operações comuns e 20% para day trade, independentemente do prazo de investimento, embora não haja a isenção para as vendas de até R$ 20 mil por mês, como no caso de operações envolvendo ações.
Já nos fundos multimercados e de renda fixa, a cobrança é regressiva conforme o prazo de aplicação, variando de 22,5% (menos de seis meses) a 15% (mais de dois anos), além do come-cotas semestral.
A liquidez — facilidade de comprar e vender — é outro atrativo. O investimento inicial é baixo, o que os torna mais acessíveis. "Independentemente do volume que você tem para investir, vai acessar a mesma estratégia que todo mundo", afirma Eid.
Para o investidor, há a vantagem de se expor a uma tese sem precisar buscar pelas melhores ações, contratos futuros ou papéis de renda fixa. "O investidor não tem tempo de buscar os ativos. Ele terá mais custo e mais trabalho. Com o ETF, em uma única compra você tem tudo empacotado", diz Nobile.
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