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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

TOUROS E URSOS #258

Ibovespa nos 200 mil pontos? Gringos compram tudo — mas cadê os investidores brasileiros

Bruno Henriques, head de análise de renda variável do BTG Pactual, fala no podcast Touros e Ursos sobre a sua perspectiva para as ações brasileiras neste ano

Monique Lima
Monique Lima
4 de fevereiro de 2026
14:00 - atualizado às 12:14

O Ibovespa vive um momento histórico, mas o rali é impulsionado majoritariamente pelo capital vindo do exterior. Mesmo com uma valorização de 12% somente em janeiro, o investidor brasileiro ainda observa o movimento de longe.

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Bruno Henriques, head de análise de renda variável do BTG Pactual, acredita que existe uma distinção clara entre os investidores locais e os estrangeiros. Enquanto os locais olham para o cenário interno — juros, fundamento das empresas e condições da economia como um todo —, os estrangeiros têm um olhar mais global.

“É um investidor mais agnóstico. Ele está olhando oportunidades no mundo, então a discussão é se eu vou colocar dinheiro no Brasil ou se eu vou colocar dinheiro, sei lá, na Índia ou Tailândia”, disse em participação no podcast Touros e Ursos.

Para ele, o gatilho necessário para o retorno do capital brasileiro ao Ibovespa é a materialização da queda de juros, prevista para começar em março. Henriques afirma que, embora o mercado antecipe os cortes, muitos investidores esperam por um catalisador concreto para ganhar mais convicção e, enfim, voltar para a bolsa.

O contraste entre o local e o estrangeiro

Segundo o especialista, a divergência entre o investidor local e o estrangeiro é explicada, em grande parte, pelo "viés de residência".

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Enquanto o brasileiro está imerso no ruído político e fiscal doméstico, dando mais peso às incertezas locais, o estrangeiro tem um olhar mais distante, focado em avaliar as oportunidades de investimento do país.

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Além disso, neste momento, o investidor local está “confortável" na renda fixa, segundo o analista, aproveitando a rentabilidade dos juros em 15% ao ano.

Somente com cortes significativos nos juros que o investidor local deve começar a se mover, na opinião de Henriques. Quem deve receber esse fluxo são principalmente as empresas ligadas ao mercado interno.

Já entre os estrangeiros, o Brasil se destaca no cenário de mercados emergentes por seus temas estruturais de peso. Henriques afirma no podcast que o estrangeiro foca em setores em que o país possui vantagens competitivas claras, como agronegócio e infraestrutura.

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Segundo o analista, o olhar externo é pragmático: "O Brasil é um mercado super relevante quando você pensa em mercado consumidor. Temos vários gargalos estruturais que se tornam oportunidades", disse.

O Ibovespa está barato?

Com o Ibovespa nas máximas, a bolsa brasileira deixou de ser uma "pechincha" para negociar próxima à sua média histórica, de 10 a 11 vezes o preço sobre o lucro (P/L).

Henriques alerta que a seletividade se tornou a ferramenta essencial para o investidor, já que a margem de entrada em muitas das grandes empresas diminuiu.

Entre os setores mais promissores, o analista destaque os serviços básicos, favoritos do BTG devido à sua resiliência e vantagem competitiva. Os nomes escolhidos foram Copel (CPLE3), Sanepar (SAPR11) e Equatorial (EQTL3).

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O setor financeiro e de saúde também figuram como as principais escolhas do BTG Pactual. O analista ainda aponta o setor de construção civil focado em baixa renda como uma opção interessante, visto que o Minha Casa Minha Vida é um benefício menos sensível a oscilações eleitorais.

Para Henriques, mesmo após a forte alta, ainda existem oportunidades em empresas que negociam a múltiplos baixos, na faixa de seis vezes o preço sobre lucro, e que oferecem um retorno atrativo via proventos.

Touros e Ursos da semana

No bloco final do programa, os convidados elegem os touros e ursos da semana, expressão que dá nome ao podcast. Nesta semana, o dólar global voltou a figurar como um dos ursos (destaque negativo), diante da sua trajetória de enfraquecimento à medida que investidores buscam diversificação em outras moedas e ativos ao redor do mundo.

A Fictor também ocupou o posto negativo após o pedido de recuperação judicial de suas subsidiárias em meio à inadimplência nos dividendos e resgates de seus contratos SCPs (entenda aqui).

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Em contrapartida, o Copom apareceu como o grande touro (destaque positivo) da semana devido à sinalização clara de que o ciclo de cortes na Selic terá início em março. Essa clareza na comunicação trouxe o alívio necessário para planejamento nos negócios e nas finanças pessoais.

E não podia faltar o fluxo de capital estrangeiro para países emergentes como um touro, visto que continua surpreendendo positivamente em 2026, com o Brasil captando mais de R$ 26 bilhões em um único mês.

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