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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

MERCADOS HOJE

Ibovespa salta para históricos 187 mil pontos e dólar cai. Corte da Selic é um dos gatilhos do recorde, mas não é o único

Para a XP, o principal índice da bolsa brasileira pode chegar aos 235 mil pontos no cenário mais otimista para 2026

Carolina Gama
3 de fevereiro de 2026
12:31 - atualizado às 12:33
Bolsa voando
Imagem: iStock

Tudo o que o Ibovespa precisou foi de uma hora para avançar 3.900 pontos para bater um novo recorde intradia. O principal índice da bolsa brasileira atingiu inéditos 187 mil pontos graças à proximidade do início do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil. E há quem diga que a chance dos 200 mil pontos ainda este ano é uma realidade.

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Por volta de 11h50, o Ibovespa alcançou a máxima de 187.333,83 pontos. O último recorde intradia foi registrado na quinta-feira (29), quando o índice atingiu os 186.449,75 pontos na reta final da sessão.

O gatilho para a alta foi a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que confirmou a indicação de corte na Selic na próxima reunião, a ser realizada em março.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a ata.

O Copom também reiterou que a magnitude dos cortes será definida reunião a reunião. “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante”, acrescentou.

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Contudo, o mercado elevou as apostas de uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa de juros, o que levaria a Selic a 14,50% ao ano.

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Em Wall Street, o Dow Jones renovou máxima intradia mais cedo, mas a alta não é generalizada em Nova York. O S&P 500 e o Nasdaq operavam em baixa por volta de 12h10, com os investidores monitorando a divulgação dos resultados corporativos.

Ibovespa pode mais

Além da sinalização do corte de juros no Brasil ter sido reforçada pela ata do Copom desta terça-feira (3), o ingresso pesado de capital estrangeiro na bolsa brasileira tem ajudado o Ibovespa a renovar máxima atrás de máxima desde o final do ano passado.

E, para a XP Investimentos, o índice vai além. A corretora elevou a projeção para o Ibovespa ao final de 2026, de 185 mil para 190 mil pontos.

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A XP ressalta que a estimativa consta de cenário-base. Num quadro de maior confiança, a expectativa é de 235 mil pontos.

"Destacamos o potencial de alta no cenário otimista, de 235 mil pontos, condicionado a uma nova expansão de múltiplos, queda das taxas reais de longo prazo e surpresas positivas de lucros", diz em relatório.

A projeção da XP leva em consideração o fato de o mercado brasileiro na comparação com outros emergentes e globais ainda parecer barato. Além disso, a corretora menciona:

  • O valuation em relação à própria história, com múltiplos retornando à média histórica, em torno de 11 vezes o preço dos papéis sobre o lucro projetado
  • O valuation em relação aos juros reais, o que aponta para um ERP (prêmio de risco de ações) mais comprimido, dado que os juros reais permanecem elevados.

Vale lembrar que o Ibovespa encerrou janeiro com valorização de 12,56% em reais, o maior ganho mensal desde novembro de 2020, e de 17,4% em dólares.

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Sobe e desce do Ibovespa

Em dia de máximas histórica, poucas ações operam em queda. Cogna (COGN3) caía 1,66% por volta de 12h10, seguida de Yduqs (YDUQ3), que recuava 1,56%. Embraer (EMBJ3) e Rede D'Or (RDOR3) fechavam o quarteto das perdas do Ibovespa, com baixas de 0,93% e 0,85%, respectivamente.

A ponta positiva é liderada por Raízen (RAIZ4) que, no mesmo horário, subia 6,38%, seguida de RD Saúde (RADL3), com alta de 4,40%, e de Usiminas (USIM5), com avanço de 4,17%.

Vale (VALE3), um dos pesos-pesados do Ibovespa, acompanha o setor e sobe 3,75%, sendo a segunda ação mais negociada na B3 — com cerca de 9,5 mil negócios movimentando R$ 400,6 milhões.

Por que governo Lula tende a fazer um 'puxadinho’ fiscal? Para economista, a resposta é uma só

Ainda entre “as pesadas” do índice, Petrobras (PETR4) avança cerca de 1,50%, na esteira do desempenho positivo do petróleo Brent. O papel da estatal figura como o mais negociado da bolsa brasileira, com o forte fluxo de capital — e ignorando o rebaixamento da recomendação de compra para neutra pelo Bradesco BBI.

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Os bancos também sobem em bloco na expectativa pelos balanços referentes ao quarto trimestre (4T25), além do otimismo doméstico. Itaú (ITUB4), Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) divulgam os resultados ao longo desta semana.

Os bancos, Vale e Petrobras juntos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa. 

E o dólar?  

dólar à vista opera em queda ante as moedas globais, como euro libra, no nível dos 96 pontos, em meio a incertezas geopolíticas e a duração do shutdown dos Estados Unidos. 

Por volta de 12h15, o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,04%, aos 97.591 pontos.   

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Na comparação com o real, o dólar acompanha o movimento externo, além da expectativa de redução nos juros brasileiros ao longo deste ano. No mesmo horário, a divisa norte-americana era cotada a R$ 5,2285 (-0,58%).

“O tom da ata do Copom é semelhante ao do comunicado divulgado logo após a decisão e reforça que a trajetória dos juros é de queda, estimulando a tomada de risco no Brasil enquanto o diferencial de juros permanece consideravelmente elevado, sem afetar o carry trade“, avalia a economista-chefe da Nomad, Paula Zogbi.

*Com informações do Money Times

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