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Banco vê mercado pessimista demais com os juros, e acredita que inflação e Selic ficarão abaixo do que os investidores estão projetando, o que favorece a renda fixa de longo prazo

Após um mês de janeiro de alívio nas taxas de juros e na bolsa, em fevereiro o mercado voltou ao pessimismo, e vimos a curva de juros voltar a abrir no Brasil. Mas, para o Itaú BBA, os investidores podem estar negativos demais, o que pode abrir boas oportunidades nos títulos de renda fixa de prazos mais longos, que, consequentemente, têm mais risco.
Segundo a equipe de analistas liderada por Lucas Queiroz, a curva de juros no Brasil está projetando uma trajetória bastante clara: que a Selic deve alcançar cerca de 15% ao ano até meados deste ano e permanecer em níveis elevados nos próximos anos, entre 14,5% e 15%.
"Embora essa estimativa tenha recuado ligeiramente desde o início do ano, quando se cogitava uma Selic próxima a 16%, ela ainda reflete uma perspectiva de juros significativamente altos para um horizonte prolongado", dizem os analistas, em relatório.
Essa expectativa para os juros embute uma projeção de inflação entre 6,5% e 7,0% nos próximos anos, "o que justifica o prêmio de risco elevado embutido na curva de juros".
Ocorre que a visão do Itaú BBA é menos pessimista que a do mercado. Com o recuo recente nos preços das commodities, a valorização do real frente ao dólar neste começo de ano, além da expectativa de desaceleração econômica no país — um reflexo da política monetária mais restritiva — a inflação futura pode não ser assim tão alta.
Além disso, as taxas prefixadas dos títulos indexados à inflação (IPCA+) indicam hoje que o mercado trabalha com uma Selic real próxima de oito pontos percentuais acima da inflação para o médio e longo prazo, lembram os analistas.
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Na tarde desta terça-feira (11), por exemplo, os títulos públicos Tesouro IPCA+ vendidos no Tesouro Direto estão pagando de 7,20% a 7,63% ao ano acima da inflação até seus respectivos vencimentos.
"Embora esse nível de juros reais tenha sido possível em anos anteriores devido a estímulos fiscais e fatores pontuais, os atuais patamares elevados estão levando grandes grupos empresariais a reconsiderarem investimentos, refletindo o potencial impacto negativo sobre a atividade econômica. Isso reforça a visão de que este patamar de juros reais tão altos não deve ser de fato o ponto de equilíbrio", avalia o Itaú BBA.
Assim, as projeções do banco para juros e inflação são um pouco mais otimistas que o que vem sendo precificado pelo mercado. O Itaú BBA vê uma inflação ligeiramente abaixo de 6,0% neste ano, com queda a partir de 2026.
Isso abre espaço para taxas de juros "mais brandas" que as embutidas nas taxas dos títulos de médio e longo prazos atualmente. Em outras palavras, a Selic não precisaria subir tanto, o que abre espaço para juros futuros e taxas prefixadas menores, valorizando os títulos prés e indexados à inflação.
A sensibilidade de preço a essa dinâmica de mercado é maior nos títulos de prazos mais longos, os quais costumam ser mais voláteis. Seus preços de mercado têm sofrido bastante desde o ano passado, o que tem levado muitos analistas a preferirem os títulos de prazos mais curtos, menos voláteis.
Agora, porém, o Itaú BBA vê espaço para compras de papéis mais longos: títulos prefixados com prazo de três anos e títulos IPCA+ com prazos a partir de cinco anos.
"Títulos pós-fixados seguirão com rentabilidade elevada e são os melhores instrumentos para investidores com horizonte de investimento inferior a dois anos", concluem os analistas.
Veja a seguir as recomendações do Itaú BBA na renda fixa em março:
Para março, o Itaú BBA recomenda o Tesouro Selic 2028, o Tesouro Prefixado 2028 e o Tesouro IPCA+ 2040.
O Tesouro Prefixado 2028 é voltado para investidores com horizonte de aplicação superior a dois anos. Nesta tarde, o papel está pagando 14,45% ao ano para quem o adquirir hoje e o levar ao vencimento.
Já o Tesouro IPCA+ 2040 oferece uma remuneração de 7,39% ao ano + IPCA para quem o adquirir hoje e levá-lo ao vencimento. Lembrando que este papel não paga juros semestrais.
Note que os títulos públicos são negociados via Tesouro Direto e não são isentos de imposto de renda.
Já no crédito privado — títulos de renda fixa emitidos por empresas e com maior risco, já que não contam com garantia do governo nem com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — o Itaú BBA recomendou três papéis para o público geral e mais quatro para os investidores qualificados, isto é, aqueles que têm pelo menos R$ 1 milhão em investimentos financeiros.
Todas as indicações são de títulos isentos de IR para a pessoa física.
| Investimento | Vencimento | Rentabilidade anual | Rating médio |
|---|---|---|---|
| CRA Atacadão (Carrefour Brasil) (CRA022008SZ) | 16/08/2027 | IPCA + 7,5% | AAA |
| Debênture Rumo (RUMOA6) | 15/06/2031 | IPCA + 7,2% | AAA |
| Debênture Águas do Rio (SABP12) | 15/01/2042 | IPCA + 8,4% | AA+ |
Avaliação do Itaú BBA:
| Investimento | Vencimento | Rentabilidade anual | Rating médio |
|---|---|---|---|
| CRA BRF (CRA020002GZ) | 15/07/2027 | IPCA + 7,8% | AAA |
| Debênture Intervias (IVIAA0) | 15/05/2038 | IPCA + 8,0% | AAA |
| Debênture Águas do Rio (RIS412) | 15/01/2034 | IPCA + 8,2% | AA+ |
| Debênture Isa Energia Brasil (TRPLB7) | 15/10/2039 | IPCA + 7,1% | AAA |
Avaliação do Itaú BBA:
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