EUA fecham acordo bilionário com Japão e reduzem tarifas de 25% para 15%, mas aço e alumínio ficam de fora
Presidente americano comemora avanço comercial com Tóquio, mas tarifas pesadas sobre exportações japonesas de metal seguem em vigor

Enquanto as negociações com o Brasil seguem paradas, na Ásia, os acordos andam de vento em popa.
Na noite desta terça-feira (22), o presidente dos Estados Unidos anunciou um novo acordo comercial com o país asiático. A medida reduz de 25% para 15% a alíquota cobrada sobre importações de automóveis japoneses e envolve um investimento bilionário em solo americano.
“Talvez o maior acordo já feito”, escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.
Segundo ele, o Japão investirá US$ 550 bilhões nos EUA, em uma joint venture no Alasca para produção de gás natural liquefeito, e os americanos ficarão com 90% dos lucros.
O pacote inclui ainda a abertura do mercado japonês a produtos como arroz, caminhões e itens agrícolas.
“Este é um momento muito emocionante para os Estados Unidos da América”, afirmou o presidente, em evento na Casa Branca com parlamentares republicanos.
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Mercado japonês reage com euforia
O otimismo se refletiu nas bolsas. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 3,7% nesta quarta-feira (23), na maior alta em um ano.
As ações das montadoras puxaram os ganhos, com destaque para Mazda (+17%) e Toyota (+13,6%), após o anúncio de que a tarifa sobre automóveis japoneses cairia para 15% nos EUA.
Missão cumprida para o Japão, mas não em todos os setores
O principal negociador tarifário do Japão, Ryosei Akazawa, confirmou o acerto com positividade. “Missão cumprida”, escreveu ele na rede X.
As conversas haviam começado no início da semana em Washington.
Mas o alívio tarifário não será para todos. O mesmo Akazawa disse, nesta quarta-feira (23), que não houve mudança nas tarifas de 50% aplicadas sobre o aço e o alumínio japoneses.
Ele destacou ainda que o Japão se compromete a “tomar as medidas necessárias para proteger as empresas afetadas pelas tarifas”.
Trump amplia ofensiva comercial na Ásia
Além do acerto com Tóquio, o presidente anunciou um novo acordo com a Indonésia, negociado com o presidente eleito Prabowo Subianto.
Conforme o republicano, o país asiático se comprometeu a eliminar 99% das barreiras tarifárias para produtos americanos, enquanto os EUA aplicarão uma tarifa de 19% sobre produtos indonésios. A parceria também envolve setores industriais, agrícolas e tecnológicos.
Com a China, porém, ainda nenhum acordo final. Em maio, Estados Unidos e China prorrogaram a trégua tarifária por 90 dias, em meio a novas conversas marcadas para ocorrer em Estocolmo ainda no mês de julho. A previsão é que ocorra uma nova prorrogação do prazo.
Vale lembrar que o presidente americano chegou a anunciar tarifas generalizadas de até 145% sobre produtos chineses.
Também há tratativas em curso com Coreia do Sul, Filipinas e Vietnã.
O avanço com o Japão, portanto, reforça a tentativa de Trump de remodelar as relações comerciais dos Estados Unidos com os países asiáticos. Mas, desta vez, com foco em reciprocidade, reindustrialização e vantagens geoeconômicas.
Se o acordo será sustentável, só os próximos capítulos da guerra de tarifas poderão dizer.
*Com informação do Estadão Conteúdo e do jornal O Globo
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