Bastidores revelados: o que Trump e Xi conversaram por mais de uma hora em meio à guerra de tarifas
Após meses sem contato direto, presidentes da China e dos EUA conversam por telefone sobre comércio entre as duas potências — mas não foi só isso

Foram quase cinco meses sem se falar, mas, diante da escalada na guerra de tarifas, Donald Trump e Xi Jinping finalmente retomaram contato direto.
Nesta quinta-feira (5), por telefone, os líderes das duas maiores economias do mundo conversaram por mais de uma hora — e, ao fim do diálogo, chegaram a um acordo: representantes comerciais dos dois países voltarão a se reunir em breve para tentar destravar as negociações comerciais.
Basicamente, concordando em continuar conversando.
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Para Trump, a ligação — a primeira conversa direta com Xi desde que assumiu o segundo mandato como presidente dos Estados Unidos — foi descrita como uma “muito boa”, com duração de cerca de 90 minutos e centrada “quase inteiramente” em comércio.
“A conversa resultou em uma conclusão muito positiva para ambos os países”, escreveu o presidente norte-americano em sua rede Truth Social.
A notícia da conversa balançou os mercados logo nas primeiras horas do pregão. O primeiro relato veio da mídia estatal chinesa e segundo o Ministério das Relações Exteriores da China e a embaixada chinesa nos EUA partiu de uma iniciativa do presidente norte-americano.
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Fontes próximas ao governo indicaram à CNBC que Trump tinha pressa em conversar com Xi, já que as relações comerciais, já tensas, haviam se deteriorado ainda mais na última semana.
Trump e Xi: uma relação conturbada
Os atritos entre Washington e Pequim voltaram a se agravar desde o início de abril. À época, Trump elevou as tarifas gerais sobre importações chinesas para 145%, enquanto reduziu temporariamente as tarifas sobre produtos de outros países para 10%.
A China respondeu com retaliações duras, impondo tarifas de até 125% sobre produtos norte-americanos.
O último encontro entre autoridades comerciais dos dois países havia ocorrido em maio, em Genebra, quando houve um acordo para reduzir temporariamente as tarifas. Mas os EUA acusaram Pequim de não cumprir uma parte crucial do combinado: a liberação de exportações adicionais de minerais críticos, também conhecidos como "terras raras".
Após a ligação, Trump escreveu:
“Não deveria haver mais dúvidas sobre a complexidade dos produtos de terras raras.”
Ele não explicou o que quis dizer com isso.
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Desde maio, o governo chinês também havia expressado forte frustração com decisões recentes de Washington, como a imposição de novas restrições a vistos de estudantes chineses e os alertas contra o uso de semicondutores produzidos no país asiático.
Ao mesmo tempo, o governo Trump aumentou as restrições à exportação de chips, sob o argumento de proteção à segurança nacional, o que Pequim considera uma forma velada de punição.
Troca de elogios e desconfianças
Após a ligação, Trump informou que os Estados Unidos serão representados nas novas negociações por três nomes de peso de seu governo: Scott Bessent, secretário do Tesouro; Howard Lutnick, secretário de Comércio; e Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA.
Mas, além dos avanços técnicos e da promessa de diálogo, a ligação também teve espaço para gestos simbólicos. Segundo Trump, Xi Jinping o convidou — junto da primeira-dama, Melania Trump — para visitar a China. O presidente afirmou ter “reciprocado” o gesto.
Antes da ligação mais recente, Trump elogiou Xi em uma postagem nas redes sociais, mas também deixou transparecer frustração:
“Gosto do presidente Xi da China, sempre gostei e sempre vou gostar, mas ele é MUITO DURO E EXTREMAMENTE DIFÍCIL DE FECHAR UM ACORDO!!!”, escreveu Trump na manhã de quarta-feira.
*Com informações da CNBC
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