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Os presidentes russo e norte-americano conversaram por telefone sobre a possibilidade de um cessar-fogo e os riscos da escalada do conflito

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, entrou no conflito entre Irã e Israel pisando manso: ligou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e para o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, com a oferta de mediar um cessar-fogo. A abordagem diplomática, no entanto, não durou muito.
Nesta quarta-feira (18), Putin elevou o tom. O russo usou o telefone de novo — dessa vez para falar com o presidente dos EUA, Donald Trump. Embora o republicano insista em dizer que a proposta de a Rússia intermediar a paz tenha sido colocada sobre a mesa, o recado foi outro.
Putin pediu aos EUA que não ataquem o Irã porque isso desestabilizaria radicalmente o Oriente Médio, alertando que a ofensiva israelense pode desencadear uma catástrofe nuclear.
O recado vem depois que a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que os ataques israelenses à infraestrutura nuclear iraniana significam que o mundo está a milímetros de uma catástrofe.
"Instalações nucleares estão sendo atingidas", disse ela à Reuters, acrescentando que o órgão de segurança nuclear das Nações Unidas (ONU) já havia registrado danos específicos.
"Onde está a [preocupação de] toda a comunidade mundial? Onde estão todos os ambientalistas? Não sei se eles acham que estão longe e que esta onda [de radiação] não os atingirá. Bem, que leiam o que aconteceu em Fukushima", disse Zakharova, referindo-se ao acidente de 2011 na usina nuclear japonesa.
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Israel afirma ter atacado instalações nucleares iranianas para impedir que Teerã desenvolva uma arma atômica. O Irã nega estar buscando armas nucleares.
A oferta de Putin para mediar o conflito entre Israel e Irã acontece depois que a Rússia assinou uma parceria estratégica com Teerã em janeiro.
Nesse acordo, os russos não se comprometem a ajudar os iranianos militarmente, apesar dos estreitos laços militares entre os países.
Os russos também mantêm relações com Israel, embora tenham sido prejudicadas pela guerra na Ucrânia.
Vale lembrar ainda que Putin já perdeu um importante parceiro no Oriente Médio com a queda de Bashar al-Assad, da Síria, em dezembro passado.
Para Sergei Markov, ex-assessor do Kremlin, apesar de Putin se oferecer para mediar um cessar-fogo, o conflito entre Israel e Irã beneficia a Rússia — incluindo preços mais altos do petróleo, maior apetite da China por petróleo russo devido às dificuldades de abastecimento de petróleo iraniano e uma realocação de recursos militares dos EUA para longe da Ucrânia.
Até o momento, a oferta russa para mediar o conflito não foi aceita e os EUA cogitam participar da ofensiva ao lado de Israel, bombardeando instalações nucleares iranianas.
*Com informações da Reuters
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