Do divórcio a um possível recasamento: O empurrãozinho de Trump para novo acordo entre União Europeia e Reino Unido
Cinco anos depois da formalização do Brexit, UE e Reino Unido celebram amplo acordo sobre comércio e defesa

Quando os britânicos decidiram-se pelo Brexit, movimento que culminou no divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia (UE), as diferenças pareciam irreconciliáveis. Agora, cinco anos depois do rompimento formal entre país e bloco, Londres e Bruxelas anunciaram nesta segunda-feira (19) um amplo acordo bilateral sobre comércio e defesa.
Não se trata exatamente de um recasamento. O Reino Unido não voltará a integrar a UE. Pelo menos por enquanto. A partir de agora, porém, eles viverão uma espécie de relação aberta, com regras mais claras do que pode e do que não pode.
E o pivô dessa reconciliação é ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O novo acordo entre Reino Unido e União Europeia
O novo acordo concentra-se em temas como defesa, segurança, alimentos e fluxo de viagens.
Depois de algum jogo duro por parte do Reino Unido, os navios de pesca de bandeiras britânica e europeia terão acesso às águas um do outro por mais 12 anos.
Em troca, a UE promoverá uma redução permanente da burocracia e dos controles de fronteira que dificultavam as exportações de pequenos produtores de alimentos britânicos para a Europa continental.
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Os viajantes britânicos também serão beneficiados pela desburocratização quando transitarem pelos países do bloco. Nos últimos anos, eles vinham enfrentando longas filas para entrar na UE.
Já no âmbito militar, o pacto permite que empresas britânicas do setor, como BAE, Rolls-Royce e Babcock, participem de um programa de 150 bilhões de euros para rearmar a Europa.
‘Foi sem querer querendo’
Donald Trump, meio sem-querer-querendo, operou como uma espécie de cupido da reconciliação entre UE e Reino Unido.
Desde sua posse, em janeiro, a postura isolacionista do novo governo dos EUA — em especial, a pressão para que os europeus arquem com a própria segurança — acelerou as tratativas capitaneadas pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O alinhamento entre Londres e Bruxelas no que se refere ao comportamento de Trump e à guerra na Ucrânia reaproximou os dois lados.
Starmer celebrou o fato de o acordo ter sido alcançado depois de apenas seis meses de negociações.
Vale destacar que, nas últimas semanas, os britânicos fecharam um importante pacto bilateral com a Índia e foram os primeiros a alcançar um acordo com os norte-americanos no âmbito da guerra comercial de Trump.
As cicatrizes do Brexit
O fato é que a União Europeia e o Reino Unido ainda lidam com as feridas abertas pelo Brexit.
Em 2016, depois de um acirrado referendo, os eleitores britânicos votaram para que o Reino Unido abandonasse o bloco.
A votação desencadeou um desgastante processo de “divórcio” que tornou-se conhecido como Brexit.
Desde então, o Reino Unido teve cinco primeiros-ministros antes da ascensão de Starmer, em julho do ano passado.
Formalmente, o Reino Unido deixou de fazer parte da UE à zero hora de 1º de fevereiro de 2020.
Pelo lado europeu, críticos do acordo se queixaram que a UE deixou o governo britânico escolher as cerejas mais vistosas do bolo, negociando os pontos sobre os quais queria um acordo sem se comprometer com as obrigações impostas aos membros efetivos do bloco.
No lado britânico, o líder de extrema-direita Nigel Farage chamou o acordo anunciado hoje de “traição”. O Partido Conservador, que passou anos negociando o Brexit, também criticou a reconciliação.
Passados poucos mais de cinco anos, porém, pesquisas indicam que os eleitores britânicos hoje se arrependem do Brexit, embora também torçam o nariz para um eventual retorno do país ao bloco.
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