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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

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A pressão vem de todos os lados: Trump ordena corte de juros, Powell responde e bolsas seguem ladeira abaixo

O presidente do banco central norte-americano enfrenta o republicano e manda recado aos investidores, mas sangria nas bolsas mundo afora continua e dólar dispara

Carolina Gama
4 de abril de 2025
14:00 - atualizado às 13:59
O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump.
O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump. - Imagem: Grok AI/X / Canva PRO / Montagem Seu Dinheiro

“Não temos pressa para agir”, disse o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, quando foi imediatamente interrompido pela mediadora, que questionou: “É sério?” O desespero na voz dela é apenas mais uma amostra do pânico que toma conta dos mercados globais nesta sexta-feira (4), depois que a China retaliou as tarifas anunciadas por Donald Trump nesta semana. 

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Powell, no entanto, não se deixou levar. O chefe do banco central norte-americano encarou o mercado em um dos piores dias desde o período da pandemia de covid-19 com a calma de quem vai esperar para ver — e esse foi o recado dele aos investidores hoje. 

“Estamos bem posicionados para esperar por maior clareza antes de considerar quaisquer ajustes na nossa política. É muito cedo para dizer qual será o caminho apropriado para a política monetária”, afirmou ele em discurso na conferência anual da Society for Advancing Business Editing and Writing (SABEW). 

Atualmente, a taxa de juros nos EUA está na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano. 

A guerra tarifária de Trump e os recentes indicadores econômicos — como o payroll desta sexta-feira (4) — não tiram o foco do Fed na missão e Powell fez questão de reforçar essa mensagem. 

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“Nossa obrigação é manter as expectativas de inflação de longo prazo bem ancoradas e garantir que um aumento único no nível de preços não se torne um problema de inflação contínuo”, afirmou. 

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Powell, no entanto, reconheceu que as tarifas provavelmente acelerarão a inflação nos EUA nos próximos trimestres e que, assim como a política tarifária anunciada por Trump foi maior do que se esperava, os efeitos econômicos se darão na mesma medida.

Tinha um Trump no caminho de Powell 

A história poderia terminar aqui — ainda que a sangria do mercado continuasse enquanto Powell falava — mas quando se trata de Trump, as coisas sempre acontecem com emoção. 

Exatos 15 minutos antes de o presidente do Fed começar a discursar, o republicano mandava seu recado via Truth Social: “corte os juros, Jerome, e pare de fazer política!”

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Na avaliação de Trump, esse “é o momento perfeito” para os juros caírem nos EUA. 

E, claro, o presidente norte-americano não ia perder a chance de alfinetar. Ele disse que Powell está "sempre atrasado", mas que agora "poderia mudar sua imagem". 

E, no melhor estilo Trump, se vangloriou dos feitos econômicos: "Os preços de energia caíram, os juros caíram, a inflação caiu e o emprego subiu – tudo isso em apenas dois meses”, disse. 

O payroll, como é conhecido o principal relatório de emprego dos EUA, deu aos investidores um quadro misto da economia dos EUA em março. O país abriu 228.000 vagas no mês passado, enquanto a projeção da Dow Jones era de 140.000, enquanto a taxa de desemprego subiu para 4,2%. 

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Powell responde Trump

Powell fez questão de responder aos comentários de Trump, embora não tenha citado nominalmente o presidente norte-americano. 

“No nosso negócio como banco central não é fazer política. Não comentamos política. Estamos totalmente focados em atingir objetivos de mandato duplo que o Congresso nos deu de emprego máximo e estabilidade de preços”, disse. 

O Fed entende que a estabilidade de preços nos EUA é alcançada quando a inflação está em 2% — uma meta de longo prazo que não precisa ser cravada e sim estar próxima desse percentual. Já para o pleno emprego, o banco central norte-americano não estabeleceu uma meta. 

A reação do mercado a Powell

Powell tentou acalmar os mercados. Segundo ele, as incertezas vão acabar quando todas as políticas do governo Trump estiverem sobre a mesa. 

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“Eu entendo que há muita incerteza agora e também compreendo os efeitos disso no curto prazo, mas precisamos atravessar esse processo”, disse Powell, lembrando que o governo é novo e, portanto, traz políticas novas que demandam a adaptação de todos. 

Nova York ignorou as palavras do presidente do Fed. Por lá, as bolsas seguiram em fortes perdas. Enquanto Powell falava, o Dow Jones recuava 3,60%, o S&P 500 caía 4,09% e o Nasdaq cedia 4,13%.

Por aqui, o Ibovespa também mantinha as fortes perdas: -2,98%, aos 127.232,04 pontos. Já o dólar à vista seguia a sua escalada: subia 3,3%, cotado a R$ 5,8149. 

Embora Powell tenha sido cauteloso sobre como o Fed reagirá às políticas do governo Trump, os mercados estão precificando um movimento agressivo de cortes de juros a partir de junho, com uma probabilidade crescente de que o banco central norte-americano corte pelo menos um ponto percentual da taxa até o final do ano, de acordo com dados do CME Group.

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