A Europa corre perigo? Otan sobe meta de gastos para 5% em mudança histórica e Trump manda recado duro para um membro
A medida mais decisiva da aliança em mais de uma década ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e ao conflito entre Ucrânia e Rússia — mas um país europeu ainda resiste

A Organização do Atlântico Norte (Otan) anunciou nesta quarta-feira (25) uma mudança histórica: mais do que dobrou a meta de gastos com defesa, que passou de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 5% até 2035 — uma demanda defendida pelo presidente norte-americano, Donald Trump, desde seu primeiro mandato.
A medida mais decisiva da Otan em mais de uma década tem razão: múltiplas guerras batem na porta da Europa, a exemplo de tensões no Oriente Médio e do conflito entre Ucrânia e Rússia.
Os 5% são compostos por pelo menos 3,5% do PIB que devem ser gastos em defesa pura. O restante será destinado à infraestrutura crítica relacionada à segurança e defesa para garantir, segundo a aliança, "nossa preparação e resiliência civil, impulsionar a inovação e fortalecer nossa base industrial de defesa".
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Em uma declaração conjunta, a Otan afirma estar "unida diante de profundas ameaças e desafios à segurança", em particular a ameaça de longo prazo representada pela Rússia à segurança da região e a "ameaça persistente" do terrorismo.
"Os aliados se comprometem a investir 5% do PIB anualmente em necessidades básicas de defesa, bem como em gastos relacionados à defesa e segurança até 2035 para garantir nossas obrigações individuais e coletivas", diz a nota.
Espanha resiste e é ameaçada por Trump
Além do aumento dos gastos com defesa, a Otan determinou que seus membros apresentem obrigatoriamente planos anuais "mostrando um caminho confiável e gradual para atingir a meta".
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O problema é que alguns países ainda não atingiram sequer a meta de 2014 de gastar 2% do PIB em defesa — um dos motivos para Trump pressionar a aliança criada para defender a Europa a destinar mais recursos para segurança em vez de contar com o apoio dos EUA.
E pelo menos um deles deve continuar a ser a pedra no sapato de Trump. Nesta quarta-feira (25), a Espanha defendeu o nível atual de investimento em defesa do país, sem se comprometer explicitamente com a meta de 5% do PIB estabelecida pela Otan.
“Consideramos suficiente e compatível o investimento atual da Espanha”, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez.
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Segundo estimativas do Ministério da Defesa e das Forças Armadas da Espanha, mencionadas pelo premiê, alcançar esses objetivos exigiria gastos equivalentes a 2,1% do PIB.
Trump não gostou a postura da Espanha no encontro e mandou um recado. “Foi terrível o que a Espanha fez. Eles não pagarão os 5% do PIB em defesa, mas pagarão o dobro em um acordo comercial conosco. Falo sério”, disse o republicano em discurso.
Mais cedo, no entanto, um comunicado divulgado pela aliança militar afirma que todos os aliados se comprometeram com a nova meta de gastos com o setor.
O presidente norte-americano também defendeu que "todo o dinheiro adicional precisa ser gasto com compra de equipamentos militares. A Otan deveria comprar itens de defesa feitos nos EUA".
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