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Tércio Borlenghi Junior informou que a participação no capital social total da companhia caiu de 73,48% para 67,68%
Em meio à crise, a Ambipar (AMBP3) recebeu uma carta do acionista controlador e CEO, Tércio Borlenghi Junior, afirmando que sua participação na empresa de soluções ambientais encolheu ao longo das últimas semanas.
De acordo com fato relevante enviado nesta sexta-feira (10), o executivo informou que a participação no capital social total e votante da companhia caiu de 73,48% para 67,68%.
O documento mostra a transferência ao Bradesco de cerca de 72,2 milhões de ações ordinárias (AMBP3) de sua titularidade, das quais 15.896.900 ações foram vendidas entre 30 de setembro e 06 de outubro de 2025.
Além disso, a carta revela a venda, pela Genial Investimentos/Grupo Opportunity, de 24.550.000 ações ordinárias entre 02 e 06 de outubro de 2025.
As ações da Ambipar operam em forte alta nesta manhã. Por volta das 11h15, os papéis saltavam 47,22%, cotados a R$ 1,06 - enfim, deixando o status de penny stock, como são conhecidos os papéis que negociam a menos de 1 real. Desde o início do ano, porém, a desvalorização de AMBP3 supera os 90%.
Vale destacar que, devido à cotação enxuta das ações, qualquer variação, por menor que seja, acaba por resultar em grandes oscilações percentuais dos papéis da Ambipar na tela.
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O CEO da Ambipar alega que a redução de sua participação ocorreu de maneira ilegal, por meio de uma venda forçada das ações pelos credores. Segundo o executivo, isso seria uma violação de ordem judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com o fato relevante, datado de 25 de setembro, a medida cautelar obtida pela Ambipar tem entre os objetivos determinar liminarmente a suspensão:
“A alienação irregular de ações da companhia, em curto espaço de tempo e em violação à decisão judicial, resultou em perda estimada de valor de mercado de aproximadamente R$ 20 bilhões”, disse, na carta.
Borlenghi afirma que estão sendo adotadas todas as medidas legais cabíveis para reversão da situação e responsabilização dos envolvidos.
No último dia 22, os bonds da Ambipar com vencimento em 2031 desabaram no mercado internacional pouco antes da empresa ter anunciado a sua sétima emissão de debêntures, no valor de R$ 3 bilhões.
Do outro lado do balcão, o Deutsche Bank, um dos credores da Ambipar, não assistiu a tudo isso parado. A instituição exigiu um aditivo de US$ 35 milhões, provocando um efeito em cadeia que poderia acelerar obrigações financeiras em até R$ 10 bilhões.
Segundo a revista Veja, o contrato com o banco alemão previa a cobrança do aditivo em caso de desvalorização dos bonds no mercado internacional.
Sem alternativas, a Ambipar recorreu à proteção judicial em setembro, alegando que o banco exige garantias muito além dos termos contratuais.
No radar da empresa está uma possível recuperação judicial para a próxima semana. De acordo com a Bloomberg, a companhia deve entrar com um pedido de reestruturação de dívidas na Justiça do Rio de Janeiro.
É preciso destacar que a situação financeira da companhia parecia contraditória com um pedido de reestruturação, na visão do mercado.
Ao mesmo tempo que reportou uma dívida de R$ 616 milhões, segundo a agência S&P Global, a companhia registrou uma posição de caixa de R$ 4,7 bilhões no fim do segundo trimestre, o que deveria ser mais que suficiente para cobrir as dívidas.
A Ambipar alega que o pedido de proteção judicial tem a ver com a necessidade de se proteger de um efeito cascata de vencimento das suas dívidas (cross-default), mas os credores começaram a tentar rastrear o caixa da empresa. Apenas US$ 80 milhões (cerca de R$ 400 milhões) foram encontrados, segundo fontes.
*Com informações do Money Times
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