Vale (VALE3) bate projeção com lucro de US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre; confira os números da mineradora
A estimativa da Bloomberg indicava para queda do lucro líquido entre julho e setembro e um crescimento mais tímido da receita no período; ADRs sobem no after hours em Nova York

Um dia antes de a Vale (VALE3) apresentar o resultado financeiro, o BTG Pactual passou a recomendar a compra da mineradora. O banco justificou a decisão, entre outras coisas, com o otimismo sobre o desempenho no terceiro e no quatro trimestres — e a companhia parece não ter decepcionado, e os ADRs operam no azul no after hours em Nova York.
Após o fechamento do mercado desta quinta-feira (30), a Vale informou uma alta de 13% do lucro líquido, em base anual, para US$ 2,695 bilhões. Na comparação com os três meses anteriores, o aumento foi de 26%.
As projeções da Bloomberg indicavam um lucro líquido de US$ 1,993 bilhão, o que representaria uma queda de 21,79% em base anual e de -6,56% em termos trimestrais. Você pode conferir aqui as projeções para o balanço da Vale no terceiro trimestre.
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O lucro líquido atribuído aos acionistas, por sua vez, somou US$ 2,685 bilhões, o que representa uma alta de 11% em termos anuais e de 27% em base trimestral.
Já receita líquida de vendas alcançou US$ 10,420 bilhões entre julho e setembro, um aumento de 9% ano a ano e de 18% trimestre contra trimestre.
A mineradora destacou o melhor resultado de produção de minério de ferro desde 2018 e o melhor desempenho do cobre para um terceiro trimestre desde 2019, além de avanços na competitividade de custos no níquel.
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“Entregamos mais um trimestre sólido, com desempenho operacional consistente, progresso em nossa agenda estratégica e compromisso com a segurança”, afirmou Gustavo Pimenta, CEO da Vale.
“Nosso portfólio flexível de minério de ferro provou ser essencial para aprimorar nossa competitividade e resiliência ao longo dos ciclos de mercado. Além disso, alcançamos um marco importante ao não termos mais nenhuma barragem classificada como nível 3 de emergência — um passo fundamental em nossa jornada para nos tornarmos um parceiro confiável para a sociedade”, acrescentou.
Outros números da Vale
A Vale vem fazendo a lição, aprimorando o desempenho de capital e melhorando a disciplina fiscal, e outros números do terceiro trimestre mostram se essa tendência veio para ficar.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da mineradora subiu 21% na comparação ano a ano, para US$ 4,369 bilhões.
A mineradora anunciou fluxo de caixa livre de US$ 2,568 bilhões no terceiro trimestre, cifra 337% maior na comparação anual. O resultado foi impactado positivamente por US$ 1 bilhão em recursos recebidos na conclusão da transação da Aliança, além do US$ 1,6 bilhão em fluxo de caixa livre recorrente.
Na avaliação da Suno Research, o bom desempenho da Vale foi impulsionado por três fatores principais: aumento dos volumes vendidos, eficiência nos custos (superior ao esperado) e melhora nos preços do minério de ferro e do cobre.
"O minério de ferro segue entregando resultados sólidos, com uma leve surpresa positiva, enquanto os metais ligados à transição energética continuam impulsionando fortemente os números da Vale", disse o analista João Daronco.
A Vale informou ainda que os preços de referência do minério de ferro foram de US$ 102 a tonelada entre julho e setembro, 2% maiores do que o praticado no mesmo período do ano anterior e 4% acima dos três meses anteriores.
Depois de ser alvo dos efeitos da troca de tarifas entre EUA e China, com preços despencando desde o início de abril, a commodity finalmente recuperou parte das perdas, operando perto da casa dos US$ 100.
Já o preço realizado dos finos de minério avançou 4% em base anual e 11% em termos trimestrais, para US$ 94,40 a tonelada.
Os custos all-in do minério de ferro caíram 4% ano a ano, para US$ 52,90 a tonelada, como resultado dos melhores prêmios de qualidade de finos e menores custos de frete, segundo a Vale.
O custo caixa C1 — da mina ao porto — de finos de minério de ferro, excluindo compras de terceiros, manteve-se relativamente em linha na comparação anual, alcançando US$ 20,70 a tonelada no trimestre, no caminho para atingir o guidance para 2025.
A estabilidade nos custos, segundo a Vale, reflete um menor impacto do giro de estoques, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o que foi compensado principalmente pelo aumento nos custos de manutenção e materiais relacionados às atividades de mina e porto, voltadas à melhoria da confiabilidade dos ativos e do desempenho operacional futuro.
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Um ponto de atenção ao balanço
Em meio aos números do terceiro trimestre, que superaram as projeções, um ponto merece atenção dos investidores: a Vale anunciou um novo guidance custo all-in para o cobre e para o níquel referentes a 2025.
No caso do cobre, o guidance baixou da faixa de US$ 1.500 a US$ 2.000 por tonelada para entre US$ 1.000 e US$ 1.500 a tonelada. O ajuste foi favorecido pelos maiores preços do ouro, que é um sub-produto do cobre.
Em julho, a mineradora já havia reduzido o guidance do metal da faixa de US$ 2.800 a US$ 3.300 a tonelada para US$ 1.500 a US$ 2.000 a tonelada.
Já o guidance do custo all-in do níquel caiu de US$ 14.000 a US$ 15.500 a tonelada para US$ 13.000 a US$ 14.000 a tonelada, impulsionado pela performance operacional sólida e preços fortes dos metais.
Dívida e investimentos
No relatório da véspera, quando elevou a recomendação da Vale para a compra, o BTG indicou que a dívida líquida ampliada deveria permanecer entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões, permitindo distribuir a maioria do fluxo de caixa livre ao acionista.
Segundo o balanço divulgado hoje, a Vale encerrou o terceiro trimestre do ano com uma dívida líquida de US$ 12,452 bilhões, 31% acima dos US$ 9,536 bilhões do mesmo período de 2024. Em termos trimestrais, a dívida líquida aumentou 2%.
A dívida líquida expandida, que inclui provisões relativas a Brumadinho e Samarco/Fundação Renova, atingiu US$ 16,640 bilhões, 1% acima do terceiro trimestre do ano anterior, mas uma queda de 5% na comparação com o segundo trimestre de 2025.
"Nosso target de dívida líquida expandida continua entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões", diz a Vale.
As provisões de Brumadinho somaram US$ 1,960 bilhão, uma queda de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior e de -8% na comparação trimestral. As provisões com a Samarco totalizaram US$ 2,401 bilhões no período, uma baixa de 49% em base anual e de -27% em termos trimestrais.
Já os investimentos da Vale somaram US$ 1,250 bilhão entre julho e setembro ante US$ 1,398 bilhão do mesmo período de 2024, uma queda de 11% ano a ano, mas um aumento de 19% em relação aos três meses anteriores.
Segundo a Vale, os investimentos em projetos de crescimento totalizaram US$ 299 milhões, o que representa uma queda anual de 20%, principalmente em decorrência de menores desembolsos no segmento de soluções de minério de ferro, com o ramp-up de Capanema.
O projeto do segundo forno de Onça Puma iniciou a fase de comissionamento em setembro. Ele adicionará 15 mil toneladas por ano à capacidade de produção da unidade, aumentando a capacidade nominal para 40 mil toneladas por ano.
Em setembro, a Vale recebeu ainda a licença de operação para atividades relacionadas à mina do projeto de minério de ferro Serra Sul. O projeto já atingiu 80% de avanço físico e está previsto para iniciar as operações no segundo semestre de 2026.
Vale: os resultados em reais
Além dos resultados em dólar, a Vale também divulga o desempenho financeiro em reais. Na moeda brasileira, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 14,671 bilhões no terceiro trimestre de 2025, resultado 11% maior do que o obtido no mesmo período do ano anterior e 20% acima do segundo trimestre de 2025.
Já o lucro líquido atribuído aos acionistas totalizou R$ 14,617 bilhões entre julho e setembro, o que representa uma alta de 9% na comparação com igual período de 2024 e de 21% no trimestre contra trimestre.
A receita líquida da Vale somou R$ 56,701 bilhões no terceiro trimestre, resultado 7% maior na comparação anual e 14% acima em termos trimestrais.
As projeções da Bloomberg, em termos anuais, indicavam, lucro líquido de R$ 10,765 bilhões no período e receita de R$ 55,282 bilhões.
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