Sem pílula de veneno: Casas Bahia (BHIA3) derruba barreira contra ofertas hostis; decisão segue recuo de Michael Klein na disputa por cadeira no conselho
Entre as medidas que seriam discutidas em AGE, que foi cancelada pela varejista, estava uma potencial alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill; entenda

O “tira casaco, bota casaco” da governança corporativa da Casas Bahia (BHIA3) continua a todo o vapor. Um dia depois de Michael Klein voltar atrás na tentativa de assumir a presidência do conselho de administração, a varejista decidiu tirar de vez a proposta de pílula de veneno da pauta.
A companhia afirmou que os membros do conselho decidiram “retirar da ordem do dia da Assembleia Geral convocada para 30 de abril de 2025 todas as matérias que seriam deliberadas em assembleia geral extraordinária (AGE)”.
Entre as medidas a serem discutidas na AGE, estava a proposta de alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill.
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O mecanismo obrigaria o lançamento de oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações dos minoritários sempre que um investidor adquirisse uma participação igual ou superior a 20% dos papéis BHIA3 emitidos.
As mudanças de estatuto entraram em discussão dias depois de Rafael Ferri, muito conhecido dos pequenos investidores da bolsa nas redes sociais, atingir uma participação de cerca de 5% na varejista, e em paralelo ao aumento de posição acionária de Michael Klein na companhia para mais de 10%.
Segundo a Casas Bahia (BHIA3), as mudanças propostas visavam à “proteção da dispersão acionária” e a proteção da governança “ao dificultar movimentos hostis e oportunistas de tomada de controle da companhia”.
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Sem Michael Klein no conselho da Casas Bahia (BHIA3)
Também estaria na pauta da AGE marcada para o fim deste mês a volta de Klein como presidente do conselho (chairman).
No entanto, na noite da última segunda-feira, o filho do fundador da Casas Bahia enviou uma carta afirmando não ter mais desejo de sentar na principal cadeira do conselho da varejista e suspendendo o pedido de convocação da AGE.
Klein deixou o conselho em 2020, quando a Casas Bahia ainda operava sob o nome Via Varejo. Na época, ele foi substituído pelo filho Raphael Klein na presidência do colegiado.
Além de propor o seu retorno ao cargo, o empresário também havia colocado em discussão a eleição de Luiz Carlos Nannini como membro independente do conselho. Nannini hoje atua como membro de comitês de auditoria de empresas como Santander, Grupo Aegea, Eucatex e Grupo Fleury.
Porém, Michael Klein decidiu esperar para ver os próximos passos do conselho de administração.
Segundo documento enviado à CVM, o empresário decidiu dar “um voto de confiança, por mais um período, aos esforços que vêm sendo envidados, em especial pela diretoria, em relação à situação financeira da companhia”.
Ainda assim, afirmou que, como acionista de referência, vai seguir cobrando a retomada da rota de crescimento da Casas Bahia, “tendo como foco a reconquista da confiança de clientes e investidores, em um mercado dominado por gigantes digitais”.
Com a suspensão do pedido, a varejista informou que a assembleia, que seria realizada em 30 de abril, “perdeu o objeto” da reunião e, por isso, seria cancelada.
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