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Segundo a mineradora, o período de abril a junho foi marcado por um sólido desempenho em todos os segmentos de negócio; confira os números do período
As expectativas sobre a produção e as vendas da Vale (VALE3) no segundo trimestre eram grandes. De um lado, os investidores estão cada vez mais interessados nos papéis da mineradora — a alta das ações (+2,46%) segurou em boa medida o Ibovespa nesta terça-feira (22). De outro, os especialistas do setor enxergam a companhia em posição de capitalizar as melhores tendências operacionais em um futuro não muito distante.
Os números da Vale entre abril e junho mostram um pouco do que pode vir por aí. Após o fechamento do mercado, a empresa informou que a produção de minério de ferro somou 83,599 milhões de toneladas métricas (Mt) no segundo trimestre de 2025, o que representa uma alta de 3,7% em base anual. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, também houve alta, de 23,6%.
De acordo com a Vale, o trimestre foi marcado por “um sólido desempenho em todos os segmentos de negócio”.
Na produção de minério de ferro, a empresa avalia que a combinação de novos ativos em desenvolvimento (ramp-up) e a maior confiança operacional têm suportado a maior aderência ao plano de produção de 2025.
A companhia diz ainda que a produção de minério de ferro teve um forte desempenho da planta de Brucutu, com o comissionamento da 4ª linha de processamento, e a um novo recorde de produção para um segundo trimestre na operação S11D.
A produção de pelotas, por sua vez, somou 7,850 Mt entre abril e junho, o que representa uma baixa de 11,7% em base anual, mas um avanço de 9,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
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A Vale já havia reduzido o guidance (orientanção) de produção de pelotas para 2025 da faixa de 38 Mt a 42 Mt para 31 Mt a 35 Mt, indicando as condições atuais do mercado global — com excesso de oferta e redução da demanda, pressionando os preços.
A companhia também citou a paralisação da planta de pelotização de São Luís para manutenção preventiva, no terceiro trimestre de 2025.
Já as vendas de minério de ferro encolheram 3,1% no segundo trimestre de 2025 na comparação com o mesmo período de 2024, mas avançaram 16,9% na base trimestral, para 77,346 Mt.
As vendas dos finos de minério somaram 67,678 Mt, uma baixa de 1,2% ano a ano, mas uma alta de 19,2% trimestre contra trimestre, enquanto as vendas de pelotas alcançaram 7,483 Mt, um recuo de 15,6% na comparação anual e de 0,1% em termos trimestrais.
A Vale está entre as companhias brasileiras que sentem mais de perto os efeitos da guerra comercial travada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, cujo foco é a China — uma das maiores compradoras de minério de ferro no mundo.
A commodity acusou os efeitos da troca de taxas entre as duas maiores economias do mundo, com preços sob pressão desde o início de abril, data do anúncio das tarifas recíprocas de Trump.
Mas antes disso, no período entre janeiro e março, os preços praticados pela Vale já vinham recuando: -9,8% em base anual, para US$ 90,80 por tonelada, e -2,4% em termos trimestrais. Você pode relembrar o desempenho operacional da Vale no primeiro trimestre de 2025 aqui.
O relatório operacional da companhia divulgado hoje, considerado uma espécie de prévia do balanço, mostrou que a tendência de baixa continua.
Os preços dos finos de minério de ferro no período caíram 13,3% entre abril e junho em termos anuais, para US$ 85,10 por tonelada. Na comparação trimestral, a baixa foi menor, de 6,3%.
A Vale atribuiu o valor médio realizado de finos de minério à redução dos preços de referência do minério de ferro. O preço médio realizado das pelotas também teria refletido a diminuição dos preços de referência da commodity.
Os preços das pelotas de minério foram menores no período, com queda de 14,7% ante o mesmo trimestre do ano passado, para US$ 134,10. Em base trimestral, a baixa foi de 4,8%.
Em termos de comparação, nesta terça-feira (22), o contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para entrega em setembro de 2025, fechou em alta de 2,49%, cotado a US$ 114,68.
O prêmio all-in (que inclui o custo total para colocar o minério no mercado) ficou positivo em US$ 1,10 por tonelada ante US$ 1,80 do trimestre anterior.
Segundo a Vale, o prêmio se justifica devido à menor contribuição do negócio de pelotas.
“Os prêmios de finos de minério de ferro melhoraram US$ 0,20 a tonelada na comparação com o trimestre anterior como resultado da estratégia do portfólio de produtos”, diz a Vale em relatório.
Mas não é só de minério de ferro que vive a Vale. O relatório de hoje mostrou que a produção de cobre da companhia totalizou 92,6 mil toneladas (kt) no segundo trimestre de 2025, um aumento de 17,8% em base anual e de 1,9% na comparação com os três meses imediatamente anteriores.
As vendas de cobre subiram 17% ano a ano e 8,7% em termos trimestrais, para 89 kt, enquanto os preços alcançaram US$ 8.985, uma queda de 2,4% ano a ano, mas alta de 1,1% trimestre contra trimestre.
A Vale pontua maiores teores obtidos em Sossego, juntamente com a capacidade nominal alcançada no Complexo de Salobo e o ramp-up do projeto VBME.
"O resultado representa a maior produção no segundo trimestre desde 2019, e dá continuidade a um padrão de crescimento da produção ao longo de três anos", diz.
A produção de níquel, por sua vez, aumentou 44,4% entre abril e junho na comparação com o mesmo período do ano anterior, mas foi 8,2% menor em base trimestral, totalizando 40,3 kt.
Segundo a Vale, a produção de níquel foi impulsionada pelo melhor desempenho dos ativos no Canadá e em Onça Puma, além de atividades de manutenção planejadas mais baixas, e com benefício adicional do ramp-up do projeto VBME (Voisey's Bay Mine Expansion).
As vendas de níquel totalizaram 41,4 kt, o que representa um aumento de 20,7% em base anual e de 6,4% na comparação trimestral. O preço alcançou US$ 15.800, 15,2% menor na comparação ano a ano e 1,9% mais baixo no trimestre contra trimestre.
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