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Carina Brito

Carina Brito

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Marketing e Mídias Digitais pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Trabalhou como repórter da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios e já escreveu para Valor Econômico, Revista Galileu e UOL. Hoje é editora de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), Carreira e ESG do Seu Dinheiro.

DAVI X GOLIAS

Petz e Cobasi: como a fusão das gigantes abre uma janela de oportunidade para pet shops de bairro

A união das gigantes resultará em uma nova empresa com poder de negociação e escala de compra, mas nem tudo está perdido para os pequenos e médios negócios do setor, segundo especialistas

Carina Brito
Carina Brito
31 de dezembro de 2025
13:00 - atualizado às 13:39
Mercado pet tem faturamento pulverizado e negócios de pequeno e médio porte podem competir no atendimento e proximidade com clientes - Imagem: iStock

A fusão entre Petz e Cobasi, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), marca uma virada no mercado pet brasileiro e acende um sinal de alerta para pequenos e médios pet shops.

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O movimento cria a maior rede de produtos e serviços para animais de estimação do país e tende a aumentar a pressão competitiva no setor.

A operação dará origem ao Grupo Petz Cobasi, que será negociado na B3 sob o código AUAU3. O fechamento oficial da operação está previsto para 2 de janeiro, com a mudança do ticker ocorrendo em 5 de janeiro, quando começam as transformações decorrentes da união das companhias.

O Cade autorizou a fusão, mas impôs contrapartidas, como a venda de 26 lojas no estado de São Paulo, que representaram 3,3% do faturamento da empresa combinada nos últimos 12 meses. Ainda assim, o novo grupo nasce como um dos maiores players do mercado pet no Brasil e na América Latina.

Mercado pet pulverizado

Apesar do peso da fusão, o mercado segue altamente pulverizado. Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o varejo pet deve movimentar R$ 77 bilhões em 2025, com pequenos e médios pet shops respondendo por 48,1% do faturamento

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As clínicas e hospitais veterinários representam 17,5% do faturamento, enquanto as mega stores pet têm uma fatia de 9,6%.

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Para Fabian Salum, professor titular de estratégia e inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), a operação redefine o cenário competitivo brasileiro, mas está longe de criar um monopólio.

“Essa fusão cria um gigante, com faturamento combinado estimado em cerca de R$ 7 bilhões por ano. Ainda assim, esse valor representa apenas aproximadamente 10% de um mercado extremamente pulverizado”, afirma.

Segundo ele, o impacto para pequenos e médios pet shops é direto — especialmente a partir de 2026 e 2027 —, mas não inevitavelmente negativo.

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O risco maior recai sobre quem compete apenas por preço. “A nova empresa resultante da fusão terá poder de negociação, escala de compra e volumetria capazes de pressionar as margens de quem disputa produtos de giro rápido, como ração e medicamentos”, diz.

Para o professor, isso não significa o fim do pequeno negócio, mas a necessidade de reposicionamento. “Para o pet shop que compete exclusivamente por preço, a fusão representa, sim, um terremoto. Por outro lado, para aquele que compete pela entrega de valor, pela experiência, pelo atendimento e pela comodidade, o cenário é diferente.”

Alex Nery, professor da FIA Business School, diz que a pergunta correta não é “como competir com a Petz–Cobasi?”, mas sim “o que posso oferecer de diferente?”.

Segundo ele, o pequeno pet shop deve reposicionar o negócio como um gerador de valor, focando naquilo que não escala: atendimento próximo, experiência, confiança, personalização e conveniência.

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Como pequenos negócios podem se diferenciar em meio à fusão da Petz com a Cobasi?

Os especialistas dão as seguintes dicas para pequenos e médios pet shops se destacarem:

  • Evite competir por preço

Reposicione o negócio com foco em valor, experiência e diferenciação, não em promoções. Faça curadoria de produtos, apostando em itens exclusivos ou de fornecedores locais para reforçar a identidade da operação.

  • Invista em atendimento próximo

Use o relacionamento e o conhecimento do cliente como vantagem competitiva. Personalize o atendimento fazendo recomendações baseadas no histórico do pet.

  • Amplie a oferta de serviços

Banho, tosa, creche, adestramento e hotel geram recorrência e reduzem a dependência da venda de produtos.

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  • Profissionalize a gestão

Use tecnologia para melhorar controle de estoque, caixa e precificação para evitar prejuízos.

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