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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

BALANÇO DOS BALANÇOS

O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital

O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online

Camille Lima
Camille Lima
28 de março de 2025
16:02 - atualizado às 15:23
As gigantes do varejo Mercado Livre (MELI34), Americanas (AMER3), Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3).
As gigantes do varejo Mercado Livre (MELI34), Americanas (AMER3), Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3). - Imagem: Reprodução/Canva Pro/ Montagem Seu Dinheiro

A temporada de balanços das varejistas terminou com um gosto amargo entre os investidores brasileiros, com a Americanas (AMER3) entregando números ainda impactados pela reestruturação que sucedeu a crise após a fraude contábil multibilionária.

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A varejista comandada por Leonardo Coelho foi o azarão da temporada. A companhia — que foi a última grande varejista brasileira a divulgar o balanço trimestral — não só reverteu lucro em prejuízo, como também enfrentou pressão sobre a rentabilidade e viu o e-commerce encolher pela metade.

Contudo, ela não foi a única a frustrar o mercado. No geral, a avaliação dos analistas é que o setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre. 

Nomes como o Magazine Luiza (MGLU3) e a Casas Bahia (BHIA3) deixaram a desejar, com indicadores considerados fracos pelos analistas, especialmente quando o assunto são as vendas online.

O brilho da vez ficou novamente com Mercado Livre (MELI34), que ofuscou os concorrentes outra vez ao apresentar resultados fortes e desempenho acima dos pares brasileiros. 

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Confira os principais indicadores das varejistas digitais no 4T24:

EmpresaLucro/prejuízo líquidoReceita líquidaGMV
Mercado Livre (MELI34)US$ 639 milhões (+287% a/a) | R$ 3,67 bilhões, na conversão atualUS$ 6,1 bilhões  (+37% a/a) | R$ 35,1 bilhões, na conversão atualUS$ 14,5 bilhões (+8% a/a) | R$ 83,4 bilhões, na conversão atual
Casas Bahia (BHIA3)-R$ 452 milhões (-54% a/a)R$ 7,981 bilhões (+7,6% a/a)R$ 12,06 bilhões* (+9,9% a/a)
Magazine Luiza (MGLU3)R$ 294,8 milhões (+38,9% a/a)R$ 10,79 bilhões  (+2,3% a/a)R$ 18,4 bilhões* (+3% a/a)
Americanas (AMER3)-R$ 586 milhões (revertendo lucro de R$ 2,5 bilhões no 4T23)R$ 4,37 bilhões (-4,50% a/a)R$ 6,52 bilhões* (-2,3% a/a)
*GMV consolidado dos canais online e físico.
Fonte: Balanços das empresas enviados à CVM.

O brilho do Mercado Livre (MELI34)

Favorito absoluto no mercado, o Mercado Livre (MELI34) seguia como a principal aposta para se destacar nesta temporada de balanços e fez jus à preferência ao superar todas as expectativas dos analistas.

Leia Também

Em termos financeiros, o lucro líquido praticamente quadruplicou em relação ao quarto trimestre de 2023, bem acima das estimativas do mercado.

Na contramão das varejistas brasileiras, um dos pontos positivos do balanço do Meli foi justamente a performance de vendas, que são online por natureza. 

O gigante argentino do e-commerce viu o GMV (volume bruto de mercadorias, indicador de volume de receita gerada nos canais digitais) no Brasil subir 32% (ou R$ 9,9 bilhões) no comparativo anual, para R$ 41 bilhões. 

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A performance supera em muito a de pares como Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia, que registraram avanços anuais de R$ 139 milhões e R$ 78 milhões no GMV, respectivamente.

Analistas também avaliam que as melhorias operacionais do Meli foram mais do que suficientes para compensar o aumento das provisões no negócio de crédito, cuja carteira de crédito aumentou 74% na base anual, com maior participação do cartão de crédito no mix do portfólio.

“Como a discussão sobre as taxas de juros e uma potencial desaceleração do consumo (principalmente no segundo semestre) ainda estão no centro das atenções, com potenciais impactos negativos para o crescimento da receita líquida das empresas e para os processos de desalavancagem, somos conservadores na exposição ao setor”, avalia o BTG Pactual.

O banco hoje conta com uma combinação preferida de empresas no setor de varejo que apresentam um melhor momento e menos espaço para revisões negativas de lucros — e o Mercado Livre está entre os poucos papéis que figuram na lista.

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Americanas (AMER3), Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3): o e-commerce começou a fraquejar? 

Em direção diametralmente oposta à argentina, as varejistas do Brasil trouxeram números amargos no quarto trimestre, com a Americanas (AMER3) demandando dos investidores locais um tira-gosto do sabor deixado pela temporada de resultados.

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, o CEO da Americanas, Leonardo Coelho, afirmou que a varejista deve levar “cinco ou seis trimestres” para superar a crise causada pela fraude contábil da administração anterior.

No quarto trimestre, além do prejuízo líquido de R$ 586 milhões e de uma queima de caixa milionária no trimestre, a Americanas enfrentou ainda forte pressão sobre o e-commerce, com queda de quase metade das vendas no canal digital em relação ao ano anterior.

Segundo o CEO, o segmento digital atingiu uma estabilidade e deve voltar a crescer no início de 2026. 

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No entanto, o resultado futuro será “muito menor do que o marketplace era no passado”, visto que o modelo antigo era “referência por conta de anabolizantes”, com ofertas não rentáveis e sustentáveis de  cashback, frete grátis e parcelamento em 12 vezes sem juros.

  • E MAIS: Especialistas revelam os ativos mais promissores do mercado para investir ainda hoje; confira

Além da Americanas, outras varejistas brasileiras deram sinais de que o e-commerce está começando a vacilar diante das altas taxas de juros no país.

O Magazine Luiza (MGLU3) também entregou resultados vistos pelo mercado como fracos, com uma performance aquém das expectativas na divisão de e-commerce, parcialmente compensada por uma tendência de melhoria nas operações de lojas físicas.

O mercado prevê novas pressões para o Magalu daqui para frente, vindas do crescimento mais lento do GMV online devido à exposição a categorias altamente cíclicas, como eletrônicos e eletrodomésticos, e à perspectiva competitiva acirrada no canal online.

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Além disso, as altas taxas de juros no Brasil devem bater diretamente nos resultados da Luizacred, a joint venture do Magalu e do Itaú Unibanco com foco em cartões de crédito, e levar a um alto custo de financiamento, impactando os resultados financeiros da varejista.

Quanto à Casas Bahia (BHIA3), a avaliação do mercado é que a frustração com o balanço veio da linha da lucratividade, com um prejuízo pior que o esperado, resultado de despesas financeiras acima do previsto para o trimestre, e vendas digitais mais fracas.

O banco Safra também destacou que a baixa redução da dívida líquida reforça o desafio da varejista em reverter o prejuízo líquido.

A XP considerou os resultados da Casas Bahia mistos, com boas tendências, embora ainda pressionados pela alavancagem. Para a corretora, a rentabilidade foi novamente o destaque do trimestre diante da maior qualidade dos estoques, do mix de produtos e do aumento da penetração de serviços e soluções financeiras.

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