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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

No andar do plano 60-30-30: CEO do Inter (INBR32) no Brasil indica a chave para construir 30% de rentabilidade até 2027 

Em entrevista ao Seu Dinheiro, Alexandre Riccio conta quais as alavancas para atingir o ambicioso plano financeiro nos próximos anos 

Camille Lima
Camille Lima
26 de agosto de 2025
6:03 - atualizado às 10:26
Alexandre Riccio, CEO do Inter no Brasil. Imagem: Divulgação

Quando o Inter (INBR32) anunciou, em 2023, o ousado plano “60-30-30”, com a promessa de se tornar mais rentável do que os grandes bancos até 2027, o mercado não se deu por convencido. Mas, com mais da metade do prazo já cumprido, o banco deu passos concretos rumo às metas ambiciosas — e Alexandre Riccio, CEO do Inter no Brasil, vê potencial para acelerar ainda mais.

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“Muita gente pergunta se o Inter vai desacelerar ou se já temos contas demais. Nós não enxergamos esse cenário. O que temos visto é até uma aceleração. Ainda há muito a ser conquistado”, disse Riccio, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro.

“Não temos preocupações em relação ao tamanho do mercado. Há muito a ser entregue ali. Não precisamos entrar em novos mercados para encontrar um pote grande o suficiente para entregar a ambição do 60-30-30”, acrescentou.

O objetivo do Inter é chegar a 60 milhões de clientes, mantendo uma eficiência de 30% e alcançando um ROE de 30%, maior que o do Itaú, até o fim de 2027.

  • VEJA TAMBÉM: Descubra como os gigantes do mercado estão investindo: o podcast Touros e Ursos traz os bastidores toda semana; acompanhe aqui

Em que pé o Inter está em relação ao plano 60-30-30

O banco encontra-se mais ou menos na metade do caminho em direção ao plano de cinco anos — com alguns indicadores um pouco mais avançados que outros

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No fim do segundo trimestre, o banco digital havia percorrido cerca de 46% do terreno em direção aos 60 milhões de clientes, atingindo a marca de 40 milhões de clientes em agosto.

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O índice de eficiência do banco também melhorou, atingindo 47,8% no 2T25, representando um avanço de mais de 60% em relação ao ponto de partida.

Quanto ao objetivo de rentabilidade, o Inter já percorreu 51,5% da trajetória para alcançar um ROE de 30%, com um retorno de 14,5% no fim de junho.

Lembrando que, quando o plano foi lançado, o banco partia de 23 milhões de clientes, uma eficiência de 75% e uma rentabilidade negativa de quase 2%. 

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A jornada do Inter (INBR32) rumo ao ROE de 30%

Poucos bancos hoje rodam com um ROE próximo de 30%. Trata-se de uma meta ambiciosa, especialmente se compararmos com o Itaú (ITUB4), cujo ROE é de 23%. Mas Riccio afirma que alcançar esse patamar no Inter é “totalmente factível”.

A chave para construir os 30% de rentabilidade está nos negócios não financeiros, afirmou o CEO.

Quando vemos bancos muito bem administrados operando um pouco acima de 20%, percebemos um elemento importante no modelo de negócio do Inter: os negócios não financeiros. Ao contrário de um banco, eles não demandam capital. Então, se eu tenho um banco bem administrado operando a 20% de ROE, e os negócios não financeiros trazem uma contribuição significativa das receitas, você constrói esses 10% adicionais”, disse ao Seu Dinheiro, em evento de inauguração do Inter Café.

Um dos principais motores dessa rentabilidade será o novo consignado privado, que tem grande aderência ao canal digital do Inter, especialmente entre os mais jovens, segundo o CEO.

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O banco possui uma pequena fatia do mercado de crédito ao trabalhador, mas Riccio afirma que esse número pode crescer consideravelmente nos próximos meses.

Hoje, o Inter tem uma penetração de cerca de 5% do mercado de consignado privado, considerando o número absoluto de contratações divulgadas — que contabiliza também os tombamentos de carteiras, mesmo sem a originação efetiva de novos créditos. 

Já quando levamos em conta apenas as novas orientações do consignado privado no Brasil, o market share do Inter sobe para 10%, segundo o executivo.

Questionado sobre o tamanho da participação de mercado que o Inter almeja com o consignado privado, Riccio traçou um paralelo com o Pix, em que a fintech já detém cerca de 8% das transações no Brasil. 

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Para ele, esse número de penetração é suficiente para gerar um aumento expressivo de receita, mesmo sem aumentar proporcionalmente a base de clientes, devido ao cross-selling de produtos. “A penetração de 8% em outros mercados nos levaria muito além das metas financeiras do 60-30-30”, afirmou.

A estratégia do Inter também inclui o crescimento da carteira de crédito, o ganho de margem financeira e o aumento do engajamento dos clientes. O Inter Shop, marketplace do banco digital, também entra como um pilar importante dessa estratégia.

“O crescimento da margem financeira será sempre um componente importante, mas a parte de serviços, onde o Inter é comissionado e não envolve risco de crédito, também cresce e tende a continuar crescendo à medida que evoluímos a execução do negócio.”

Selic de 15% ao ano não atrapalha os planos do Inter, diz CEO

Apesar do cenário macroeconômico conturbado, com a taxa básica de juros (Selic) a 15% ao ano e perspectivas de desaceleração econômica para os próximos meses, o CEO se diz confiante no potencial de crescimento do banco digital. 

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“É o cenário ideal? Definitivamente não. Nós também preferimos um juro mais baixo, que torna a economia mais forte e o crédito mais barato e que cabe no bolso”, afirmou.

No entanto, o CEO diz que a diversidade da carteira de crédito do banco — sendo dois terços colateralizada e um terço sem garantias — é um trunfo que o coloca em uma “posição privilegiada para poder crescer mesmo em um cenário de 15% de Selic”.

“Nós não precisamos ‘pisar no freio’ no crescimento. Além disso, nos créditos onde poderíamos ter uma preocupação maior, sem colateral, evoluímos muito na capacidade de operar a inadimplência e temos conseguido manobrar e crescer nos cenários com juros de 15% ao ano.”

Na visão de Riccio, o Brasil traz boas oportunidades para que o Inter mantenha a expansão, com mercados grandes e um ambiente regulatório favorável ao crescimento. “Estamos em um bom ambiente para crescer, então estamos construtivos com o cenário para o Inter.”

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“Se estivermos vivendo um Brasil normal — e o Brasil normal é conturbado e com muito barulho —, o Inter precisa crescer de forma muito desproporcional. Não importa o que esteja acontecendo no macro. Não podemos nunca dizer que não crescemos por causa do Brasil, porque há uma assimetria tão grande entre nossas próprias expectativas e o que acontece no país, que temos que estar prontos para crescer.”

Expansão para Argentina e EUA

Embora tenha alguns lançamentos no pipeline, o Banco Inter pretende focar no amadurecimento dos produtos já existentes para fortalecer a principalidade dos clientes.

No radar para as próximas semanas está a estreia oficial da conta global na Argentina.

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“Não será um banco digital completo para argentinos, mas o acesso do cliente argentino à conta global que o brasileiro já tem. Queremos levar esse produto para outras geografias”, afirmou Riccio. 

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Os planos não param por aí: os esforços na Global Account do Inter também se estendem aos Estados Unidos. 

Recentemente, o banco lançou um cartão de crédito e débito para residentes no país, e pretende continuar ampliando sua oferta por lá.

“As próximas geografias serão mais uma consequência dessa continuidade do projeto”, acrescentou o CEO.

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