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Apesar da alavancagem financeira, o frigorífico ganha destaque após aumento de capital bilionário
Segundo relatório do BTG Pactual divulgado nesta semana, a carne da Minerva (BEEF3) está a ponto de queimar na grelha e não é hora de colocar os papéis do frigorífico no cardápio. Porém, não é todo mundo que concorda com a visão do banco: tem quem ache que ações estão no ponto certo.
Após realizar um aumento de capital de R$ 2 bilhões, a empresa voltou a brilhar na visão da XP Investimentos. A corretora alterou a recomendação para as ações de neutra para compra e ainda elegeu BEEF3 como o papel favorito no segmento de “Agronegócio, Alimentos e Bebidas”.
Com a operação, que atingiu o limite máximo previsto, o capital social da companhia saltou de R$ 1,678 bilhão para R$ 3,678 bilhões. O preço por ação na operação foi fixado em R$ 5,17.
Apesar da visão otimista, os analistas reduziram o preço-alvo de R$ 8,40 para R$ 7,90. Ainda assim, o montante representa um potencial de alta de 66,32%.
Porém, parece que os investidores concordam com a avaliação positiva. Nesta quarta-feira (25), por volta das 13h30 (horário de Brasília), as ações da Minerva operam em alta de 2,11%, a R$ 4,84.
Segundo documento divulgado pela corretora, os papéis da Minerva ganham impulso devido aos fundamentos favoráveis de oferta e demanda de proteína e gado. Isso porque os analistas enxergam um déficit no mercado, o que tende a aumentar os preços.
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A XP também projeta um cenário mais construtivo para as exportações, com os preços ganhando força. Já na última semana, as operações estavam 11,8% acima da média de março.
Além disso, a XP avalia que a ação está bem posicionada em meio às expectativas de que o Conselho de Política Monetária (Copom) inicie um ciclo de cortes nas taxas de juros nos próximos anos.
Assim, na visão dos analistas, o valuation oferece uma relação risco-retorno atrativa, com a ação negociando a 4,5x EV/EBITDA para 2025, enquanto a média histórica de BEEF3 é de cerca de 5,0x. A XP também projeta um yield de fluxo de caixa livre de 15,1% para 2026.
“A Minerva se destaca como o único nome na nossa cobertura de Agronegócio e Alimentos e Bebidas que oferece uma história de momentum de lucros”, afirmaram os analistas em documento.
E esse momentum deve acelerar nos próximos trimestres, segundo a corretora. Isso porque os papéis ganham impulso com a expansão das plantas recém adquiridas. Até então, a XP mantinha uma visão conservadora sobre a operação.
Apesar da perspectiva positiva para BEEF3, a XP ressalta que o investimento não está isento de riscos.
Para a corretora, os principais pontos de atenção para os papéis são as premissas de ramp-up dos novos ativos, as taxas de câmbio e a alta das taxas de juros no Brasil.
Além disso, a alavancagem financeira da companhia também chama atenção do mercado. Em 2023, a Minerva investiu R$ 7,5 bilhões na compra de empresas, que pertenciam à Marfrig, em países da América do Sul. Para isso, precisou aumentar as despesas.
“Embora esse claramente não seja um cenário particularmente atrativo, reforça nossa visão de que a assimetria permanece positiva”, afirmam os analistas da casa.
Mesmo em um cenário extremo, a projeção da XP é que a ação estaria negociando a 4,9x EV/EBITDA para 2025 e com um yield de de fluxo de caixa livre de 9,2% para 2026.
A corretora não é a única que enxerga o brilho da Minerva. O Santander também elevou a avaliação de BEEF3 de neutra para performance acima dos pares no mercado (outperform).
Para os analistas do banco, as ações ganham impulso com o aumento de capital, que deve reduzir as despesas financeiras da empresa em cerca de R$ 290 milhões por ano, enquanto aumenta o valor patrimonial.
“Os fundamentos sustentam uma forte demanda por carne bovina em geral, o que é favorável para o processo de desalavancagem da Minerva, embora reconheçamos os desafios relacionados à reestruturação dos ativos adquiridos”, afirmaram.
Já o Bank of America (BofA) elevou a recomendação dos papéis BEEF3, mas manteve uma visão mais conservadora. O banco alterou a avaliação de abaixo dos pares no mercado (underperform) para neutra e manteve o preço-alvo das ações em R$ 6.
Na visão dos analistas, há um potencial de valorização de 25% após a Minerva ter apresentado um desempenho 10% abaixo do Ibovespa em três meses.
Além disso, assim como a XP, o BofA avalia que as margens da carne bovina no Brasil vêm melhorando gradualmente.
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