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Com foco no crédito consignado e rentabilidade acima da média do setor, esse banco médio entra no radar como uma tese fora do consenso; descubra quem é

Quem investe em bancos costuma buscar previsibilidade, solidez e dividendos — e acaba quase sempre parando nos mesmos nomes. Mas, segundo a XP Investimentos, uma oportunidade interessante do setor hoje pode estar fora do radar da maioria dos investidores.
A corretora vê uma rara janela para embolsar mais de 70% de valorização — mas só para quem está disposto a olhar para longe dos gigantes.
Quem sonha em investir em bancos por sua solidez e rentabilidade pode se deparar com uma rara oportunidade de embolsar mais de 70% de valorização — mas só para quem está disposto a olhar para além dos gigantes do setor, avalia a XP Investimentos.
Quando o assunto é banco na bolsa, o roteiro costuma incluir Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual e Banco do Brasil. São instituições consolidadas, amplamente cobertas por analistas e presença quase obrigatória nas carteiras.
Mas a XP acaba de revelar uma aposta fora desse grupo. Na última semana, a corretora iniciou cobertura do Banco Mercantil (BMEB3), com preço-alvo de R$ 126.
Considerando a cotação atual, na casa de R$ 74,50, o potencial de alta estimado chega a 72%. Isto é, um tipo de número que dificilmente costuma aparecer quando se fala em bancos tradicionais — e é justamente aí que começa a história.
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Fundado em Minas Gerais na década de 1940, o Banco Mercantil construiu sua trajetória longe dos grandes centros financeiros.
O foco sempre foi um: crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS.
Em um setor que costuma premiar escala, o Mercantil apostou na especialização. E, para a XP, esse é um diferencial único e difícil de replicar.
Segundo a XP, trata-se de um caso pouco comum no sistema financeiro brasileiro: um banco de médio porte com alta rentabilidade, lucros previsíveis e um modelo altamente focado, operando em um nicho regulado e defensivo.
“O banco construiu uma franquia protegida por barreiras regulatórias de entrada, especialmente sua posição de liderança nos leilões do INSS, que juntos criam um funil de aquisição proprietário, com CAC [custo de aquisição de clientes] competitivo e forte recorrência”, avalia a XP.
Vale destacar que o banco chegou a superar o Santander em número de clientes que recebem benefícios do instituto, segundo a corretora.
Além disso, a presença física — que muitas vezes é vista como uma desvantagem em outros modelos — se transformou em um ativo estratégico para o Banco Mercantil, especialmente para clientes menos familiarizados com tecnologia.
“Por meio desse modelo físico-digital, esperamos que o banco continue se beneficiando de um mercado maduro que ainda apresenta amplo espaço para crescimento, sustentado por sólidas tendências estruturais”, dizem os analistas.
Se inadimplência costuma ser a principal dor de cabeça dos bancos, o empréstimo com garantias opera quase que como um remédio. Afinal, se o cliente não paga, há um colateral para ser descontado — e, no caso do consignado do INSS, as parcelas são descontadas diretamente do benefício do cliente.
No caso do Mercantil, os empréstimos consignados garantidos pelo INSS são o coração da operação. O produto combina baixo risco de crédito, previsibilidade de fluxo de caixa e recorrência, segundo os analistas.
Mas o modelo vai além do empréstimo inicial. Segundo a XP, o consignado funciona como porta de entrada para um ecossistema mais amplo de produtos — muitos deles de maior margem e risco reduzido.
“A partir desse relacionamento inicial, o banco aprofunda a monetização por meio de produtos de crédito e de sua plataforma de serviços, o que expande o LTV [valor do cliente ao longo do tempo] sem aumentar o perímetro de risco”, afirma a corretora.
Segundo os analistas, o resultado é um modelo escalável, com forte capacidade de venda cruzada (cross-sell), redução do custo de aquisição e aumento da rentabilidade por cliente.
Mas quem busca uma tese baseada em expansão acelerada pode se frustrar. A leitura da XP é diferente: o valor do Banco Mercantil está na disciplina.
Segundo os analistas, a criação de valor vem da originação de crédito mais criteriosa, da eficiência operacional e de uma gestão conservadora de capital e financiamento (funding).
“Consideramos o Mercantil uma empresa de capital composto defensiva, cuja assimetria não reside na aceleração do crescimento, mas em sustentar um ROE [retorno sobre o patrimônio líquido] elevado com previsibilidade”, afirma a XP.
No terceiro trimestre, o banco encerrou o período com ROE de 45% e lucro de R$ 254 milhões.
Hoje, o papel negocia a cerca de 5 vezes o lucro estimado para 2026. O preço-alvo de R$ 126 embute um múltiplo mais próximo de 10 vezes — patamar que, na visão da corretora, seria condizente com a qualidade do negócio.
Como toda tese, a do Mercantil também traz pontos de atenção.
Eventuais mudanças regulatórias, perda de competitividade nos leilões do INSS ou até mesmo uma deterioração do ambiente macroeconômico podem afetar a dinâmica do negócio, segundo a XP.
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