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Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

MAIOR ALTA DO IBOVESPA

MRV&Co (MRVE3) dispara na bolsa após divulgar prejuízo de R$ 838 milhões — e Santander aposta que a alta está só começando

A construtora resolveu estancar uma sangria e vender uma série de ativos, mesmo reconhecendo uma perda de US$ 144 milhões

Dani Alvarenga
13 de agosto de 2025
15:03 - atualizado às 13:14
Logo da MRV (MRVE3) nas cores verde e amarelo
MRV - Imagem: Divulgação

Insistir no que não deu certo só pelo tempo ou pelos custos já perdidos no ativo não dá certo — e quem diz isso não é o Seu Dinheiro, mas sim a falácia dos custos irrecuperáveis. É melhor se livrar do problema logo, antes de descobrir que o fundo do poço tem um alçapão.

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Quem vem experimentando isso na pele é a MRV&Co (MRVE3). Embora tenha registrado prejuízo no segundo trimestre deste ano, os números não assustaram os investidores e os papéis da construtora despontam como a maior alta do Ibovespa hoje.

No pregão desta quarta-feira (13), as ações da MRV subiram 6,63%, negociadas a R$ 6,92. Enquanto isso, o principal índice de ações da bolsa brasileira renovava mínimas, com queda de 0,89%, a 136.687,32 pontos.

Isso porque a construtora resolveu estancar uma sangria: vender uma série de ativos, mesmo reconhecendo uma perda de US$ 144 milhões.

A MRV admitiu o impairment (baixa contábil) na operação da Resia, braço norte-americano, que sofre com a alta dos juros nos Estados Unidos — hoje entre 4,25% a 4,50%.

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Foguete não tem ré? MRV em rota de valorização

Na visão do Santander, o bom humor dos investidores com as ações MRVE3 tem fundamento — e ainda há espaço para os papéis subirem ainda mais. 

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Isso porque os prejuízos registrados pela Resia não contam toda a história, e o mercado deve olhar para o que realmente sustenta a tese: a MRV.

Apesar dos resultados fracos, para os analistas do banco, os investidores devem se concentrar na recuperação das operações no Brasil, que segue em ritmo acelerado. No total, o lucro líquido das operações no Brasil foi de R$ 75 milhões, em linha com as projeções do Santander.

Além disso, o principal negócio da construtora no país, a MRV Desenvolvimento, registrou uma receita líquida de R$ 2,52 bilhões, alta de 15,9% na comparação trimestral. O Seu Dinheiro deu detalhes do balanço da empresa aqui.

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“O mais importante é que a margem bruta continuou avançando e alcançou 30,2%, um aumento de 60 pontos-base em relação ao trimestre anterior. Receitas mais fortes que o esperado na MRV Desenvolvimento mais do que compensaram o desempenho fraco”, afirmou o Santander em relatório.

Os analistas indicam, ainda, que os prejuízos registrados pela Resia vieram abaixo das expectativas do banco.

Com isso, o Santander manteve a recomendação de compra para os papéis da MRV, com preço-alvo de R$ 9,50.

Os riscos no radar

Apesar de ver valorizações no horizonte, o banco reconhece que há riscos para a tese da construtora. 

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Segundo os analistas, a recuperação da margem bruta e da dinâmica de geração de caixa será fundamental para que a ação continue apresentando um bom desempenho.

O Santander ainda ressalta que uma alta da inflação na construção e o aumento da curva de juros de longo prazo no Brasil impactariam a acessibilidade para unidades de renda média e, por consequência, o desempenho da companhia nos próximos trimestres.

O risco da falta de financiamento para projetos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) também está no radar e pode impactar os negócios da MRV.

Além disso, a curva de juros de longo prazo nos EUA, que afetam a demanda e as taxas de capitalização dos projetos multifamily da Resia, também é um ponto de alerta, na avaliação do banco.

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