Lucro da Moura Dubeux (MDNE3) salta 32,1% e vem acompanhado de dividendos; diretor diz que distribuição deve engordar
A construtora também está de olho no endividamento — encerrou o terceiro trimestre com o índice dívida líquida/patrimônio líquido em 13,6%, patamar “muito saudável” na visão do executivo Diogo Barral

A Moura Dubeux (MDNE3) entra na reta final de 2025 com fôlego: a construtora registrou um lucro líquido de R$ 117,6 milhões no terceiro trimestre, um aumento de 32,1% em relação ao mesmo período do ano passado — o resultado ainda veio acompanhado de dividendos, que devem engordar daqui para frente.
Na comparação com o trimestre anterior, no entanto, o lucro líquido caiu 2,3%. Já a receita líquida somou R$ 548,4 milhões, o que indica uma alta de 9,3% em relação ao ano anterior, mas uma baixa de 17,5% na comparação trimestre contra trimestre.
Apesar do desempenho mais fraco em relação ao segundo trimestre, Diogo Barral, diretor de Relações com Investidores da Moura Dubeux, não vê problemas no radar e atribui a variação ao mix entre os modelos de negócio.
“A nossa corrida não está focada apenas no trimestre. Então, independentemente de a receita ou o lucro líquido subir ou cair um pouco, o importante é a expansão das margens”, afirmou em entrevista ao Seu Dinheiro.
Não é só Barral que vê as margens como pilares da Moura Dubeux. No documento divulgado nesta tarde, o CEO Diego Villar destaca que a estratégia da construtora coloca “disciplina antes de ambição, margem antes de escala”.
O resultado da tática se traduz em números: a margem líquida da empresa no terceiro trimestre foi de 21,4%, aumento de 3,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior e de 3,3 pontos percentuais em comparação ao último trimestre.
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Moura Dubeux com foco total na disciplina financeira
Barral ressalta que os números apresentados no terceiro trimestre não são um caso isolado e vem provando, a cada trimestre, o sucesso da estratégia da construtora.
Entre os dados que chamam a atenção, a margem bruta é mais um destaque, atingindo 41,3% — um salto de 8,2 pontos percentuais na comparação anual.
Segundo a companhia, a evolução da margem bruta foi impulsionada, principalmente, pela maior participação nos negócios de Condomínio. A construtora chegou a romper a barreira dos R$ 3 bilhões em lançamentos apenas neste modelo nos primeiros nove meses deste ano.
No modelo de Condomínio, a Moura Dubeux atua como prestadora de serviços, enquanto os condôminos são os únicos responsáveis pelo custeio e financiamento de toda a obra. Em troca, a empresa recebe o pagamento de taxas, o que exige uma menor exposição de caixa da construtora e proporciona margens mais elevadas.
A companhia também registrou Retorno Sobre o Patrimônio Líquido Médio (ROAE) de 21% no último trimestre, consolidando a empresa como uma das incorporadoras mais rentáveis do país, segundo documento divulgado.
Além disso, nos últimos 12 meses, a Moura Dubeux atingiu uma velocidade das vendas (VSO) líquida de 53,2%.
“Não é um pico de demanda. É liquidez estrutural do modelo. E essa liquidez não exige promoções, descontos ou afrouxamento de crédito. Ela nasce de produto adequado, marca consolidada e capacidade de leitura da demanda com precisão”, afirmou o CEO em documento.
A Moura Dubeux também está de olho no endividamento e encerrou o terceiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 246,4 milhões. Com a taxa de juros em 15% ao ano, a companhia vê a baixa alavancagem não como uma proteção, mas como um diferencial.
Embora o índice dívida líquida/patrimônio líquido tenha saltado de 4,2% para 13,6%, Barral avalia este patamar como “muito saudável” para uma incorporadora.
A empresa também registrou um Valor Geral de Vendas (VGV) bruto potencial de estoque de terrenos (landbank) de R$ 9,7 bilhões, sendo que cerca de 70% foram adquiridos via permuta, o que garante a expansão “sem estresse de caixa, elemento central em um ciclo de juros altos”, afirmou a empresa em documento.
Direto para o bolso do acionista
Na esteira do resultado, a construtora também anuncia a distribuição de dividendos no valor de R$ 50,74 milhões, superando a promessa feita no início do ano. Em maio, o CEO contou ao Seu Dinheiro que a meta da construtora era pagar R$ 100 milhões aos investidores até o final de 2025. Na época, a empresa havia distribuído R$ 50 milhões.
Agora, os investidores podem esperar retornos ainda mais elevados. Segundo Barral, a Moura Dubeux planeja incrementar o pagamento aos acionistas nos próximos anos.
E a meta de rentabilidade futura da empresa é ambiciosa: o ROAE, que atualmente está em 21%, tem a expectativa de alcançar 24% até o final de 2025.
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