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Mercado espera Itaú mais uma vez na liderança entre os bancos tradicionais e alguma cautela com as perspectivas do Nubank; saiba o que esperar
Mais uma safra de balanços corporativos está prestes a começar, com os grandes bancos inaugurando a temporada do quarto trimestre de 2024. A expectativa é que o ano termine mais ou menos como começou, ou seja, com o Itaú Unibanco (ITUB4) entregando outra vez resultados robustos e superiores aos dos pares no setor financeiro.
Mas quem dará o pontapé na safra de resultados entre os grandes bancos é o Santander Brasil (SANB11), que publicará amanhã (5), antes da abertura dos mercados, os últimos números trimestrais do ano.
No mesmo dia, após o fechamento, será a vez de o Itaú divulgar o balanço trimestral. Além dos números, os investidores estão atentos ao aguardado anúncio de dividendos extraordinários.
Na sexta-feira (7) é dia de madrugar para conhecer os resultados do Bradesco (BBDC4), que publica os resultados antes da abertura do mercado.
Após um respiro de pouco mais de uma semana, o Banco do Brasil (BBAS3) e o Nubank (ROXO34) fecham a temporada de resultados dos gigantes do setor financeiro.
Veja o calendário completo de divulgações dos bancos:
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| Nome | Ticker | Data | Horário de divulgação | Teleconferência |
| Santander Brasil | SANB11 | 05/02/2025 | Antes da abertura | 05/02/2025 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 05/02/2025 | Após o fechamento | 06/02/2025 |
| Inter | INBR32 | 06/02/2025 | Antes da abertura | 06/02/2025, às 13h |
| Banco Bradesco | BBDC4 | 07/02/2025 | Antes da abertura | 07/02/2025, às 10h30 |
| Banco BTG Pactual | BPAC11 | 10/02/2025 | Antes da abertura | 10/02/2025, às 11h |
| Banco do Brasil | BBAS3 | 19/02/2025 | Após o fechamento | 20/02/2025 |
| Nubank | ROXO34 | 20/02/2025 | Após o fechamento | 20/02/2025, às 19h |
Para esta temporada, ao menos, a expectativa é que os bancões entreguem os últimos resultados “ensolarados”, com lucros robustos antes de vivenciar uma pressão adicional do cenário macroeconômico em 2025.
Em geral, a previsão dos analistas é que os resultados do 4T24 sejam positivos para a maioria dos grandes bancos, com maior lucratividade, crescimento nos empréstimos e baixo custo de risco.
Segundo estimativas compiladas pelo consenso Bloomberg, o Nubank (ROXO33) deve liderar quando o assunto é rentabilidade, com um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) beirando a casa dos 30%. Gigantes como o BTG Pactual (BPAC11) e o Itaú vêm na esteira, com rendimentos próximos de 23%.
Os analistas projetam um crescimento do crédito impulsionado pela desvalorização do real e uma boa qualidade de ativos, embora o Banco do Brasil (BBAS3) possa ser a exceção e enfrentar desafios devido ao peso do agronegócio em sua carteira.
| Empresa | Projeções - Lucro líquido ajustado - Bloomberg | Projeções - Rentabilidade (ROE) - Bloomberg |
| Santander Brasil (SANB11) | R$ 3,720 bilhões | 16,6% |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | R$ 10,831 bilhões | 23,0% |
| Inter (INBR32) | R$ 279 milhões | 12,9% |
| Banco Bradesco (BBDC4) | R$ 5,315 bilhões | 12,9% |
| Banco BTG Pactual (BPAC11) | R$ 3,362 bilhões | 23,9% |
| Banco do Brasil (BBAS3) | R$ 9,414 bilhões | 20,1% |
| Nubank (ROXO34) | US$ 591,28 milhões / R$ 3,451 bilhões | 28,7% |
Fonte: Consenso Bloomberg.
No entanto, o mercado está ainda mais focado nas perspectivas para este ano, já que nomes como Itaú e BB divulgarão os guidances (projeções) para os próximos 12 meses — que devem ditar o ritmo do crescimento dos bancos em 2025.
As condições macroeconômicas mais apertadas, com maiores taxas de juros e inflação e desaceleração da economia brasileira, devem forçar os bancos a colocar o pé no freio na carteira de crédito em 2025, com menor apetite por concessões e maior foco em clientes de menor risco.
É por isso que os analistas avaliam que os guidances refletirão um crescimento mais lento dos empréstimos e maiores desembolsos com provisões ao longo de 2025, mas melhora nas margens financeiras com clientes.
“Não devemos nos deixar levar, pois os ventos contrários da atividade estão aumentando. As impressões do 4T24 devem importar muito menos do que os indicadores subjacentes ou os comentários da gestão pintam para 2025”, afirmaram os analistas do Itaú BBA.
No entanto, o peso de uma Selic maior deve fazer pressão apenas a partir do segundo semestre, segundo o JP Morgan, com dúvidas sobre quão rapidamente o lucro desacelerará, em meio a volumes menores e custo de risco maior.
“Até agora, as expectativas são de um pouso suave na qualidade do crédito com um custo geral estável de riscos, com pressões no segundo semestre. A perspectiva é de que os lucros ainda cresçam, mas concentrados na primeira metade do ano.”
A projeção do JP Morgan é que o Santander (SANB11) apresente tendências operacionais e de recuperação do ROE positivas no balanço do 4T24, além de um valuation “razoável”.
Se por um lado, o lucro líquido deve passar por uma leve expansão em relação ao último trimestre, com despesas operacionais e provisões controladas, por outro, o aumento nas taxas de juros no trimestre deve levar a custos de financiamento mais altos, o que pressionará a margem financeira.
Os analistas do JP Morgan também avaliam que a maior parte da piora da inadimplência do Santander já passou e o banco deve retomar o crescimento dos empréstimos, mas com pressão sobre as margens financeiras de mercado devido às taxas de juros mais altas.
Para o mercado, o Santander já mostra uma guinada em direção a uma postura mais defensiva, impulsionada por financiamentos para automóveis e cartões de crédito no portfólio de pessoas físicas e por PMEs (pequenas e médias empresas) na carteira corporativa.
Essa combinação deve manter sob controle indicadores como a qualidade dos ativos, níveis de inadimplência (NPLs) e provisões para devedores duvidosos (PDD).
Na avaliação do mercado, o Itaú Unibanco (ITUB4) deve ser a grande estrela da safra de resultados dos bancões outra vez, com crescimento sólido de receita e controle de despesas.
A expectativa do Bank of America (BofA) é que o banco mantenha a geração de receita e a qualidade de ativos, com um crescimento saudável dos empréstimos, ajudado pela sazonalidade, e com a desvalorização do câmbio impulsionando o crescimento fora do Brasil.
Na visão do JP Morgan, a forte criação de valor e rentabilidade, apoiada por uma margem superior à dos concorrentes, continuará sendo um vento favorável.
O banco norte-americano manteve recomendação “overweight”, equivalente a compra, para as ações ITUB4, com preço-alvo de R$ 39,00 para dezembro de 2025, o que implica uma valorização potencial de 16,5% em relação ao fechamento anterior.
Segundo os analistas, os principais riscos para o Itaú incluem o crescimento de empréstimos mais lento do que o esperado e provisões maiores do que o previsto, além de margens financeiras mais fracas e políticas governamentais para reduzir os spreads de empréstimos e taxas.
Ainda que as expectativas com o balanço do 4T24 estejam altas, os investidores estarão ainda mais atentos ao anúncio de dividendos extraordinários.
No último trimestre, o CEO do Itaú (ITUB4), Milton Maluhy Filho, confirmou que o banco pagaria dividendos extraordinários em 2024. Segundo o executivo, a expectativa é pagar mais dividendos extraordinários do que no ano passado.
Em 2023, o banco distribuiu R$ 11 bilhões extras aos acionistas, o equivalente a 0,9 ponto do índice de capital. A expectativa de Maluhy para este ano é de que os dividendos representem uma fatia maior do índice de capital e de que o montante seja nominalmente maior.
Nas contas do JP Morgan, o banco deve pagar cerca de R$ 20 bilhões em dividendos extras aos investidores, considerando um payout de 75% para 2024.
As perspectivas para Inter (INBR32) são otimistas para o balanço do quarto trimestre de 2024, com geração sólida de receita e qualidade de ativos estável.
Na visão do mercado, as receitas devem continuar a crescer em um ritmo sólido, com melhora na margem financeira, apesar do aumento das despesas.
Para o JP Morgan, o Inter encerrará o ano de forma sólida, inspirando confiança nos mercados de que as estimativas são “alcançáveis”.
Negociando a um múltiplo de 1,1 vez a relação de preço sobre o valor patrimonial (P/VPA) e de 8 vezes o preço/lucro (P/L), o banco digital é a “pequena aposta favorita” dos analistas do banco norte-americano no setor financeiro brasileiro.
Quanto ao Bradesco (BBDC4), a expectativa é que a trajetória de recuperação continue no quarto trimestre de 2024, com outra publicação de números positivos em meio a bases de comparação de lucros mais fracas.
Apesar dos lucros resilientes, a margem financeira deve ficar aquém do guidance estimado para 2024, segundo analistas. Já a qualidade dos ativos e as provisões devem permanecer sob controle — com a PDD inclusive abaixo das projeções anuais do banco, de R$ 35 bilhões a R$ 39 bilhões.
O JP Morgan prevê uma lenta melhora das tendências para o Bradesco, com crescimento de empréstimos, revisão de preços e apetite de risco apoiando a margem financeira de clientes e a melhora da inadimplência.
Porém, os analistas avaliam que o contexto macro mais complexo deve desacelerar o impulso do banco em 2025, que deve entregar lucros menores e margens mais fracas, além de um custo maior de risco ao longo deste ano.
Em meio às projeções menos animadoras, o Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações BBDC4 para “market perform”, equivalente a neutro, devido à preferência por qualidade em vez de valor.
“A ação ainda detém valor, especialmente considerando o negócio de seguros rentável, e a gestão está fazendo muitas coisas certas. No entanto, a recuperação mais lenta dos lucros e a crescente incerteza provavelmente manterão os múltiplos deprimidos por mais tempo”, avaliaram os analistas.
Para o JP Morgan, ainda que o Bradesco tenha aumentado gradualmente seus resultados, as melhorias têm sido mais lentas do que o esperado.
Segundo os analistas, essa frustração poderia se estender para os próximos meses caso os ganhos de custo sobre renda sejam adiados para 2026 e se a taxa Selic mais alta fizer com que margem de mercado permaneça de lado por um tempo.
Na visão dos analistas, o BTG Pactual (BPAC11) provavelmente terá um fim de ano sólido, não só entregando um lucro forte, como também vários indicadores de qualidade nas divisões de franquia de clientes, o que sustentará o guidance para 2025.
Para o mercado, a diversificação de negócios do BTG é quem irá suavizar os impactos das condições mais voláteis de mercado.
Segundo o Itaú BBA, as units BPAC11 hoje oferecem uma combinação favorável de risco e recompensa, com os papéis negociados a um múltiplo de 7,7 vezes o preço/lucro para este ano, o que representaria “um híbrido de valor e crescimento”.
“Além das tendências orgânicas, o BTG também está bem posicionado para utilizar seu capital e capacidade de execução para fazer movimentos estratégicos”, disseram os analistas, que mantiveram recomendação “outperform” para o banco e o elegeram como uma das principais escolhas para o ano.
Na visão do JP Morgan, o Banco do Brasil (BBAS3) deve vivenciar mais um trimestre difícil. Com projeções de lucro estável no quarto trimestre, a grande preocupação quanto aos números do BB continua a vir do agronegócio e de inadimplências em casos corporativos.
Isso porque analistas preveem que o setor rural continue a pressionar os índices de inadimplência e a qualidade dos ativos do BB.
Para o BofA, o crescimento total da margem financeira também deve desacelerar, uma vez que o rápido aumento da taxa Selic pode trazer uma margem de mercado melhor do que o esperado, que deve ser parcialmente compensada por níveis mais fracos do lado dos clientes.
A expectativa é que esse panorama também deve ajudar a manter as provisões do Banco do Brasil em alta, superando o topo do guidance projetado para a PDD em 2024, que ia de R$ 34 bilhões a R$ 37 bilhões.
Os principais riscos para o Banco do Brasil incluem uma qualidade de ativos pior do que o esperado, piora das margens acima das expectativas e uma posição de capital da empresa ainda sob pressão.
Para os analistas, o quarto trimestre não deve sinalizar mais uma temporada arrasa-quarteirões para o Nubank (ROXO34). Ainda que o banco digital entregue mais um resultado forte nos últimos três meses de 2024, com rentabilidade em alta, a visão dos analistas é de cautela para o futuro da fintech.
Para o mercado, o crescimento da receita deve continuar limitado pela mudança no mix de empréstimos e aumento dos custos de financiamento.
“Os lucros devem continuar a refletir um crescimento robusto dos empréstimos e despesas operacionais controlado, mas também maiores encargos de provisão, crescimento moderado das taxas e expansão limitada da margem financeira”, disseram os analistas do Bank of America.
“Acreditamos que os investidores continuarão buscando um maior crescimento da base de clientes no México, bem como a diversificação bem-sucedida das receitas no Brasil. Por fim, a depreciação de 12% do real no 4T24 pode pressionar os números”, acrescentaram.
Vale lembrar que o quarto trimestre tende a ser sazonalmente positivo para bancos digitais como o Nubank (ROXO34), com melhora nos volumes de cartão de crédito e na penetração de empréstimos pessoais compensando um ritmo mais lento de financiamento via Pix.
Para o JP Morgan, o tom do trimestre será definido pelo conforto (ou não) da gestão com o crescimento do financiamento do Pix e qualidade dos ativos.
“Em nossa visão, o Nubank criou uma das marcas mais valiosas do Brasil e está se beneficiando disso. No entanto, após uma recente valorização, acreditamos que o mercado já está precificando alguns desses benefícios e estamos preocupados que o crescimento, embora esperado permanecer acima da indústria, deve desacelerar se o Nubank não conseguir ganhar tração com clientes de renda média e alta”, avaliou o banco.
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