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Medo de acusações de ativistas ambientais e desafios logísticos são os principais motivos apontados para a ausência de diretores corporativos na sede do evento da ONU
No fim de agosto, o presidente da COP-30 e embaixador André Corrêa do Lago reforçou o convite para o setor privado participar da conferência sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) em Belém, no Pará. O evento vai acontecer entre 10 e 21 de novembro deste ano.
Mas o aceno não foi recíproco. Os principais representantes das empresas privadas brasileiras, os CEOs, não deverão viajar à região Norte do país para participar da COP-30, segundo apuração da agência Estadão Conteúdo.
Os executivos acreditam que há um risco de se tornarem alvo de acusações de ativistas ambientais e que a questão logística, especialmente a baixa quantidade e os altos custos de locais para hospedagem, dificulte o acesso ao evento.
Alguns dos gerentes de companhias optaram por fazer um “bate e volta” da capital paulista para Belém. Outros pretendem participar apenas de reuniões fechadas e de eventos sobre sustentabilidade que vão acontecer em São Paulo. Esses encontros estão marcados para a semana anterior à COP-30.
Para ocupar suas cadeiras, os CEOs ausentes devem enviar os profissionais da área de sustentabilidade de suas empresas.
Os executivos disseram também que os grandes CEOs não engajaram nas últimas edições da COP, no Azerbaijão (2024), nos Emirados Árabes Unidos (2023) e no Egito (2022). Na Escócia (2021), porém, a conversa foi diferente: muitos assinaram a lista de presença.
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Os diretores pediram à agência de notícias para não serem identificados.
No convite endereçada aos CEOs, investidores, inovadores e empreendedores do setor privado, Corrêa do Lago escreveu:
"Venham a Belém, tragam e conheçam soluções, colaborem e contribuam".
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A colaboração entre os setores público e privado é essencial para o combate à crise climática, na visão do presidente da COP-30.
Por isso, Corrêa reconheceu que havia desafios logísticos, mas reforçou que agora é “o momento em que o setor privado pode liderar pelo exemplo”.
Quando os organizadores do evento e os convidados falam sobre “desafios logísticos”, eles estão se referindo especialmente ao baixo número de leitos disponíveis na rede hoteleira, que fez os convidados recorrerem a plataformas como Airbnb e Booking.com.
As hospedagens disponíveis nos sites têm alto custo e qualidade duvidável. Isso desestimulou as empresas e os CEOs. Executivos argumentam também que não podem se hospedar em apartamentos de pessoas físicas por questões de compliance.
Ricardo Mussa, atual presidente da SB COP, acredita que algumas empresas estão usando esses argumentos apenas como uma “desculpa” para não participar do evento. Para ele, a teoria pode ser aplicada, principalmente, a empresas dos EUA, onde o presidente é contrário às discussões sobre mudanças climáticas.
A SB COP reúne entidades equivalentes à Confederação Nacional da Indústria (CNI) de 43 países, representando 35 milhões de empresas.

Apesar da pressão internacional para mudar a sede do evento, o governo e a organização da COP-30 não cederam.
De acordo com o governo federal, as condições de logística, infraestrutura e segurança para realizar a COP-30 estão garantidas. Além disso, a gestão brasileira afirma que Belém tem “uma oferta total de 53 mil leitos, número superior à estimativa de 50 mil participantes do evento”.
O governo também se ofereceu para ajudar na negociação de hospedagens para delegações estrangeiras, criando uma força-tarefa.
Até o final de agosto, 61 países tinham confirmado presença na Conferência, segundo o Ministério do Turismo. É prevista a presença de 196 delegações.
O Estadão Conteúdo apurou que a intenção da organização do evento será valorizar e dar destaque aos CEOs que estiverem em Belém e ressaltar que suas empresas priorizam a agenda climática.
São Paulo, ao contrário da capital paraense, aparentemente, estará movimentada em novembro. Nos grupos de WhatsApp do empresariado brasileiro, o slogan usado é “A COP também é aqui [em São Paulo]”.
Veja alguns eventos voltados ao setor privado que acontecerão na capital paulista na semana anterior ao evento oficial, em Belém:
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