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Tradicional em investimentos, BTG aposta em previdência, folha de pagamento e soluções para atrair empresas — e novas contas digitais

Principal congresso de gestão de pessoas da América Latina, o Conarh reúne executivos, consultorias e empresas especializadas em recursos humanos. Nas últimas edições, porém, um nome ainda pouco familiar ao público começou a frequentar o espaço: o BTG Pactual (BPAC11).
A presença no evento simboliza o novo passo do banco na estratégia digital: prestar serviços para outras áreas das empresas. “Os CEOs e CFOs já nos conhecem. Agora queremos que o RH conheça também”, disse Marcelo Flora, sócio e responsável pela plataforma digital do BTG.
A missão é mostrar que o tradicional banco de investimentos não está restrito a operações de fusões, aquisições ou aberturas de capital. O BTG também quer ser visto como um banco que oferece serviços essenciais para as companhias — mas nem sempre disponíveis nas plataformas concorrentes. Entre eles, a gestão da folha de pagamento e de planos de previdência.
Um diferencial do pacote de produtos para RH veio com a aquisição da Pris, especializada em gestão de planos de stock options e outros incentivos de longo prazo voltados a executivos de alta e média gerência de empresas, listadas ou não na bolsa.
Ao assumir a gestão de folha de pagamento de uma empresa, o BTG conquista junto as contas dos funcionários, para os quais pode oferecer os serviços digitais. “Isso reduz a dependência das estratégias de aquisição de clientes que acabam sendo caras, já que todo mundo está concorrendo no Google”, afirmou Flora, em entrevista ao Seu Dinheiro — que faz parte do grupo do BTG.
O avanço do BTG Pactual no mundo corporativo também se tornou estratégico no atual cenário de juros altos. Isso porque, com a taxa básica de juros (Selic) nos atuais 15%, o estímulo para os correntistas deixarem os bancos tradicionais é bem menor.
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“O nosso negócio como um todo vai muito melhor com juro baixo”, disse o sócio do BTG. Mesmo com o vento contrário da Selic, o banco vem registrando captação líquida positiva e resultados recordes trimestre a trimestre, destacou.
Nesse cenário, a conexão com o RH das empresas também ajuda o BTG a avançar em áreas como a previdência privada. O banco já é o oitavo maior da indústria, com aproximadamente R$ 40 bilhões sob gestão — à frente de nomes tradicionais como SulAmérica e Mapfre.
O negócio é bom para o BTG, já que as empresas patrocinadoras costumam fazer o aporte no plano de previdência no mesmo valor ou até maior que o participante, segundo Flora. Para o cliente, é ainda melhor. “Quando você investe, rende logo 100%.”
A expansão do BTG Pactual para o universo dos clientes pessoas físicas de alta renda só foi possível graças ao avanço da tecnologia, que permitiu a concorrência com os grandes bancos sem a necessidade de criar uma rede de agências. Desde então, foram R$ 15 bilhões em investimentos na plataforma.
Mas assim que começou a crescer nesse segmento, o banco percebeu que precisava contar também com um atendimento a pequenas e médias empresas. Isso porque muitos clientes são profissionais liberais ou empreendedores que possuem parte dos recursos como pessoa jurídica.
Dentro dessa estratégia, o banco fechou em junho a aquisição da Justa, uma fintech de soluções de adquirência. A empresa será rebatizada de BTG Pay, nome que deve estampar a maquininha que será lançada nos próximos meses.
Oferecer a maquininha junto com a conta digital para pessoa jurídica é importante porque ela é usada não só para receber pagamentos, mas também para serviços como gestão de estoques e antecipação de recebíveis.
“Há uma demanda de clientes que já investem com o banco, mas precisam de uma maquininha e não conseguem ter todos os serviços com a gente”, afirmou o sócio do BTG.
Para usar os serviços do BTG, esse cliente que também possui uma pequena empresa pode precisar de até três aplicativos diferentes: o de banking, o de empresas e o de investimentos.
“Há um relativo consenso dentro do banco de que o norte estratégico é a criação de um único aplicativo.” O desafio é encaixar a execução dentro das prioridades da plataforma digital.
Uma das principais frentes está na conta internacional. O banco vem enfileirando aquisições no exterior, como a do M.Y. Safra Bank, nos Estados Unidos, que aguarda aprovação regulatória.
Mais recentemente, fechou a aquisição das operações do HSBC no Uruguai. Trata-se de um negócio que também exigirá um esforço em tecnologia, já que a legislação local permite ter contas em moedas estrangeiras. “Precisamos agora construir uma boa experiência para os clientes usando essas contas”, afirmou o sócio do BTG.
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