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Em participação no AGF Day, Gilson Finkelsztain afirmou que esse volume é possível com a volta de institucionais locais e estrangeiros
A bolsa brasileira vive dias de glória. Desde o começo do ano, o Ibovespa acumula pouco mais de 20% de valorização e na quarta-feira (17) testou um novo patamar, de 146 mil pontos. Esse impulso veio do anúncio de corte de juros nos Estados Unidos, enquanto, no Brasil, a Selic se manteve em 15% ao ano.
Para Gilson Finkelsztain, CEO da B3, um início de corte de juros no Brasil deve testar muito mais novos recordes do Ibovespa. O executivo acredita que o volume financeiro que pode chegar à bolsa é de R$ 1 trilhão.
“Eu quero mesmo ver esse R$ 1 trilhão que eu acho que pode entrar na bolsa. Obviamente, para isso acontecer a gente precisa de um juro mais baixo e um fiscal sob controle. Mas, definitivamente juros mais baixos.”
A fala do CEO aconteceu no evento AGF Day, nesta quinta-feira (18), em São Paulo.
Para Finkelsztain, esse potencial de R$ 1 trilhão vem de investidores locais e estrangeiros. O executivo afirmou que, dos R$ 10 trilhões alocados por institucionais brasileiros, apenas 5% estão em ações, considerando fundos de ações e multimercados.
Porém, em períodos menos restritivos, a média brasileira chega em 11%. “Se a gente tiver apenas o retorno média, um aumento de 5% para 11%, estamos falando de R$ 500 a R$ 600 bilhões de fluxo para bolsa”, disse o CEO.
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O volume restante seria de estrangeiros, diante da tendência global de saída de capital dos Estados Unidos para outros mercados.
“A gente já está vendo um pouco dessa saída pelo enfraquecimento do dólar. Assim, mole, mole podem vir outros US$ 100 bi”, afirmou Finkelsztain. Pela conversão de câmbio, daria pouco mais de R$ 500 bilhões e fecharia a conta do R$ 1 trilhão.
O presidente executivo da B3 destacou a necessidade de contas públicas mais arrumadas para destravar o potencial das ações brasileiras. Segundo ele, em conversas com investidores estrangeiros, esse público trava um paralelo entre o Brasil e a Índia.
“A Índia não tem números de economia tão diferentes do Brasil, mas, por lá, a inflação é de 3% e o juro é de 7,5%. A relação preço/lucro da bolsa brasileira é de nove vezes, enquanto a da Índia é de 21 vezes”, disse Finkelsztain.
Para o CEO, a discrepância tem relação com o risco-país do Brasil e a necessidade de manutenção dos juros em nível tão alto pelos problemas com as contas públicas.
“Olha o impacto que pode ter. Os estrangeiros falam: Gilson, se a B3 tivesse o CEP da Índia, o preço da ação não seria R$ 12, seria R$ 25. Obviamente eu saí arrasado. Acaba com o humor ouvir isso, mas a gente não pode desistir”, afirmou o CEO.
Enquanto o fiscal não se ajeita, o presidente executivo da bolsa afirmou que a agenda de lançamentos está a todo vapor. No próximo ano, a B3 deve anunciar novos derivativos.
Os novos produtos devem ser similares ao derivativo de opções do Copom, lançado em 2020. O contrato de opção de Copom permite negociar a variação da taxa Selic projetada para cada reunião do comitê de política monetária.
Os novos produtos devem trabalhar com a mesma prerrogativa, porém para outros indicadores da economia.
O CEO da B3 sinalizou a possibilidade de derivativos da pontuação do Ibovespa e do IPCA (principal índice de inflação do Brasil).
Além disso, Finkelsztain anunciou estudos para diminuir o tempo de liquidação das ações. Atualmente, o processo de conclusão da compra e venda e uma ação demora pelo menos dois dias. O objetivo da B3 é diminuir para um dia.
Essa atualização ainda não tem data prevista. O CEO afirmou que o ajuste ainda tem alguns desafios, principalmente com relação a investidores estrangeiros com fuso horário muito à frente, como na Ásia e Europa.
“Exige um pouco mais de processo, adaptação de burocracias, mas vai dar certo”, afirmou.
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