BofA reitera compra para Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4) — mas uma teve o preço-alvo revisto para baixo e tem mais desafios pela frente
Ambas as empresas estão dedicadas em encontrar soluções para reduzir a dívida, e o Bank of America acredita que a estratégia está no caminho certo

Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4) estão em uma missão: reduzir o tamanho de suas dívidas, ao mesmo tempo em que estendem os prazos de vencimentos mais curtos para não ter problemas de liquidez nos pagamentos.
Não é simples, visto que a estratégia de ambas as empresas é de uma desalavancagem orgânica, por meio da venda de ativos.
Para o Bank of America (BofA), o cronograma dessas vendas parece incerto, mas os analistas estão confiantes no foco da gestão e acreditam que as vendas ocorrerão “eventualmente”, com grandes chances de destravar valor nas ações de Raízen e Cosan.
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Diante disto, em relatório desta quinta-feira (29), os analistas do BofA reiteraram a recomendação de compra para as ações RAIZ4 e CSAN3, com potencial de valorização.
Porém, para a Raízen, o banco revisou o preço-alvo para baixo, de R$ 3,00 para R$ 2,70. Agora, o BofA vê um potencial de valorização de 33%.
Já no caso da Cosan, o potencial de valorização é de 73%, com manutenção do preço-alvo em R$ 14,00.
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Raízen tem mais desafios
Segundo o relatório do BofA, a situação da Raízen é mais desafiadora que a da Cosan.
Os analistas acreditam que os últimos relatórios trimestrais da joint venture entre Cosan e Shell apresentaram resultados operacionais fracos, com o adicional de um aumento de R$ 5,2 bilhões na dívida bruta para atender ao consumo de capital de giro, que chegou a R$ 7,1 bilhões, prejudicado pela reposição de adiantamentos a clientes e perdas.
Além disso, as vendas de ativos da Raízen devem ser significativas, para atingir o objetivo de diminuir o volume de dívida.
“Para a Raízen, a reversão do ciclo de queima de caixa é crucial para a tese de investimento. Existem diversas maneiras de atingir esse objetivo, mas acreditamos que a redução de pessoal e o foco no negócio principal são fundamentais para impulsionar a geração de fluxo de caixa e a consequente reclassificação das ações”, diz o relatório.
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No entanto, se a empresa não conseguir vender nenhum ativo adicional este ano, o BofA espera que a Raízen apresente mais um ano de queima de caixa, que pode chegar a R$ 2,3 bilhões no ano fiscal de 2026.
Segundo o relatório, os ativos que estão em vias de serem vendidos são os negócios de distribuição de combustíveis na Argentina; do segmento de combustível de aviação; e de parte de seus canaviais e usinas.
A Raízen poderia levantar entre R$ 10 bilhões e R$ 17 bilhões, considerando a venda de todos os ativos, estima o BofA.
“Embora isso representasse um impacto negativo de R$ 2 bilhões no Ebitda de curto prazo, esperamos que a medida desbloqueie o valor do patrimônio líquido, considerando a economia de juros no curto e médio prazo”, diz o relatório.
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E a Cosan?
A Cosan está mais adiantada no dever de casa.
Os analistas apontaram que a principal melhoria na Cosan, até o momento, veio da redução da dívida e da recompra de ações preferenciais.
Este ano, a empresa conseguiu reduzir R$ 8,75 bilhões em dívida bruta, emitindo R$ 2,4 bilhões em novos títulos, que aumentaram o prazo de vencimento em 0,3 ano e reduziram o custo médio da dívida de CDI+1,4% para CDI+0,91%.
A Cosan também recomprou R$ 2,2 bilhões em ações preferenciais e reduziu pela metade o valor a pagar ao Itaú.
Todas essas mudanças foram possíveis graças à venda da participação da Cosan na Vale (VALE3), que resultou em uma entrada de caixa de R$ 9,1 bilhões.
“No futuro, acreditamos que as principais alavancas serão a venda das fazendas na Radar e a venda de uma participação na Moove, enquanto os desinvestimentos na Rumo e na Compass não estão sendo considerados”, diz o relatório do BofA.
Até lá, os analistas esperam que a Cosan continue aprimorando sua estrutura de capital por meio do reperfilamento da dívida.
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