Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
DE ONDE VEM O ALÍVIO?

Bancos pagam 45% de imposto no Brasil? Não exatamente. Por que os gigantes do setor gastam menos com tributos na prática

Apesar da carga nominal elevada, as instituições financeiras conseguem reduzir o imposto pago; conheça os mecanismos por trás da alíquota efetiva menor

ações bancos banco do brasil bbas3 bradesco bbdc4 itaú itub4 santander sanb11
Imagem: Divulgação / Montagem: Bruna Martins

Recentemente, um velho debate voltou a ganhar força no mercado financeiro: afinal, quanto os bancos realmente pagam de impostos no Brasil?  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A discussão ressurgiu com força após a proposta de elevar a tributação das fintechs e uma troca pública de farpas entre essas empresas e a Febraban, entidade que representa os grandes bancos.  

No centro da polêmica está uma diferença que incomoda o setor: embora os bancos enfrentem uma das maiores alíquotas nominais do país, o imposto efetivamente pago costuma ser bem menor do que sugere a regra no papel. 

Em tese, todo banco brasileiro inicia o exercício fiscal devendo 45% do lucro aos cofres públicos, quando se somam o Imposto de Renda para Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).  

Mas, na prática, esse número raramente se materializa. A alíquota efetiva — aquilo que de fato é pago após compensações legais — costuma ficar entre 20% e 30% e, em situações específicas, pode até se tornar negativa, dependendo da base de cálculo e do volume de créditos tributários utilizados. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A diferença de impostos entre bancos e fintechs 

Bancos como Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3), são instituições maduras, com décadas de operação.  

Leia Também

TOUROS E URSOS #282

Natura, Azzas, Hapvida: o que explica o fracasso dos conglomerados brasileiros?

CHECK-UP

Aos 100 anos, Grupo Fleury (FLRY3) cresce como startup e lucro salta 45%; CEO dá diagnóstico

Ao longo desse tempo, acumularam um volume expressivo de créditos tributários, resultado de prejuízos em ciclos de crise, provisões elevadas, investimentos pesados e, sobretudo, do uso recorrente de instrumentos como os juros sobre capital próprio (JCP).  

Esses créditos são utilizados para reduzir a carga efetiva de impostos dos bancões ao longo do tempo.   

Já fintechs, mais jovens por definição, não tiveram tempo para construir esse estoque. Sem um histórico longo de prejuízos compensáveis ou estruturas societárias complexas, acabam pagando algo muito mais próximo da alíquota cheia.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esse cenário, contudo, não transforma os bancos em maus pagadores de impostos. Pelo contrário. A Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) afirma que, pelo menos desde 2011, o setor financeiro é o maior pagador de impostos federais do Brasil.  

Segundo a entidade, a participação do setor na arrecadação supera em cerca de 10% a sua fatia no Produto Interno Bruto (PIB) — o que demonstraria a dependência do Estado em relação à tributação da atividade financeira. 

"Considerando que o Brasil já tem uma carga tributária muito elevada para a sua renda per capita, os resultados mostram uma elevada dependência do Estado da tributação dessa atividade”, afirmou a Fin em estudo recente. 

Por que os bancos pagam menos imposto na prática? 

Na avaliação de Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos, a explicação passa menos por “privilégios” e mais pela forma como o modelo de negócios bancário se encaixa na legislação tributária brasileira.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os bancões usam instrumentos como juros sobre o capital próprio, compensação de prejuízos fiscais, créditos tributários e deduções relacionadas a provisões para perdas. Tudo isso encolhe a base sobre a qual o imposto é calculado. 

Em outras palavras, os bancos têm um volume grande de despesas que são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. O resultado é que, ainda que a alíquota nominal seja elevada, o que aparece no fim é uma alíquota efetiva bem mais baixa. 

As ferramentas dos bancões para pagar impostos mais baixos 

Um dos instrumentos mais usados pelos bancões, e com maior impacto imediato no fluxo de caixa tributário, é o JCP. Ao remunerar o acionista por meio de juros sobre capital próprio, a instituição transforma essa distribuição em despesa dedutível.  

Para uma instituição tributada a 45%, isso gera uma economia fiscal significativa: o lucro tributável cai totalmente pelo valor do JCP, enquanto o acionista paga apenas 15% de imposto na fonte. Com isso, o spread tributário chega a 30 pontos percentuais a favor do banco, segundo Jean Paolo Simei e Silva, sócio do Fonseca Brasil Serrão.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não por acaso, Itaú e Banco do Brasil adotam políticas recorrentes de distribuição que exploram ao máximo o teto legal do JCP.  

A leitura de analistas é que, no segundo trimestre de 2025, o BB teve uma alíquota efetiva de apenas 6,8% — e até 2% em algumas métricas. Isso foi viabilizado pelo pagamento de R$ 2,4 bilhões em JCP, que reduziu drasticamente a base tributável, segundo Simei e Silva.   

Outro pilar da eficiência tributária bancária está nas fusões e aquisições (M&A). Cada grande compra gera um ágio contábil, que pode ser amortizado ao longo dos anos e deduzido do lucro tributável após a incorporação.  

“Isso cria uma despesa ‘fictícia’ (não caixa) gigantesca nos anos que seguem a fusão. O banco não desembolsa dinheiro, já que o pagamento ocorreu na aquisição, mas registra uma despesa de amortização que reduz o lucro tributável, gerando uma economia de caixa de 45% sobre o valor amortizado”, disse o sócio do Fonseca Brasil Serrão. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Santander, por exemplo, utilizou muito a amortização de ágios oriundos das aquisições do Banespa e do ABN Amro para manter a alíquota efetiva baixa por anos. 

Além disso, no Santander, parte relevante do lucro vem de uma carteira própria de títulos isentos, segundo Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research. A receita gerada por esses papéis já nasce livre de imposto de renda, o que puxa a alíquota efetiva para baixo. 

Além disso, bancos convivem naturalmente com inadimplência elevada, o que gera despesas dedutíveis, explicou outro advogado tributarista ouvido pelo Seu Dinheiro. 

Créditos considerados irrecuperáveis podem ser reconhecidos como perdas fiscais, reduzindo a base de cálculo do imposto.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Valores que são provisionados, que provavelmente o banco está considerando que ele não vai conseguir recuperar, podem ser lançados como perda no passivo”, disse o especialista. 

Como isso influencia os balanços dos bancões?  

Todos esses mecanismos têm impacto direto nos balanços. Eles ajudam a suavizar a volatilidade do lucro líquido, melhoram indicadores de rentabilidade e aumentam a previsibilidade dos resultados — especialmente em momentos de maior estresse no crédito. 

Segundo Chinchila, esse efeito reforça a resiliência financeira dos grandes bancos sem uma distorção contábil, já que todas as práticas estão previstas nas regras atuais. Ainda assim, em alguns casos, o uso desses mecanismos volta a chamar a atenção do mercado. 

No terceiro trimestre, por exemplo, o Santander apresentou um resultado acima das expectativas. Mas, na leitura do JP Morgan, a qualidade desse lucro foi "ruim".  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso porque o lucro antes dos impostos caiu 6% no período, movimento que, segundo os analistas, teria sido “mascarado” por uma alíquota efetiva extremamente baixa — em torno de 4%, bem menor do que os 15% esperados pelo banco norte-americano. 

Para Caio Cesar Braga Ruotolo, advogado tributarista e sócio do Silveira Advogados, esse tipo de resultado acontece devido às diferentes estratégias de planejamento tributário, como o uso de créditos fiscais e o diferimento de impostos.   

“Esse planejamento tributário permite que as instituições identifiquem oportunidades legítimas para reduzir o valor devido, enquanto os créditos fiscais podem ser utilizados para abater parte do imposto a pagar”, disse Ruotolo. "Uma carga efetiva menor ajuda os bancos a manter margens elevadas.” 

Na prática, isso reduz a despesa tributária registrada no balanço e eleva o lucro líquido reportado, fortalecendo indicadores de rentabilidade.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Foto do aplicativo do ChatGPT na tela do celular 5 de agosto de 2026 - 15:16

PUBLICIDADE DIGITAL

Em busca de receita, OpenAI inclui anúncios no ChatGPT

5 de agosto de 2026 - 15:16
Fachada da Raia, da RD Saúde (RADL3). 5 de agosto de 2026 - 15:03
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4). 5 de agosto de 2026 - 12:02
executivos trabalhando empresa reunião 5 de agosto de 2026 - 11:00
Navio-plataforma de petróleo em construção em um estaleiro, com guindastes realizando a instalação de módulos sobre a embarcação ao pôr do sol 5 de agosto de 2026 - 10:40

O QUE MUDA PARA O INVESTIDOR

Vender ou ficar com BRAV3? Leilão da OPA da Brava Energia acontece hoje (5)

5 de agosto de 2026 - 10:40
Fachada de uma agência do Bradesco com arquitetura moderna, destacando painéis vermelhos e brancos, logotipos do banco em ambas as laterais do prédio, amplas paredes de vidro na entrada, corrimãos de acessibilidade e paisagismo com árvores e arbustos ao redor. 5 de agosto de 2026 - 7:08
Montagem ilustrativa mostra o logotipo da SpaceX em primeiro plano ao lado de pilhas de dólares, com o prédio da Nasdaq ao fundo. A imagem representa a abertura de capital da empresa de Elon Musk e sua estreia na bolsa americana. 4 de agosto de 2026 - 17:51
ônibus da marcopolo 4 de agosto de 2026 - 14:25
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar