Banco Inter (INBR32) vai a mercado e reforça capital com letras financeiras de R$ 500 milhões
A emissão das “debêntures dos bancos” foi feita por meio de letras financeiras Tier I e Tier II e deve elevar o índice de Basileia do Inter; entenda como funciona a operação

O Banco Inter (INBR32) decidiu fechar o ano reforçando o balanço. Na última quinta-feira (18), a instituição anunciou a emissão de R$ 500,4 milhões em letras financeiras subordinadas, em uma operação usual para os bancos para o fortalecimento do colchão de capital.
A captação foi dividida em duas frentes de igual tamanho, em operações privadas voltadas a investidores profissionais.
De um lado, o Inter emitiu R$ 250,2 milhões em letras financeiras perpétuas — um título de dívida de longo prazo, sem data de vencimento definida e com a possibilidade de recompra pelo banco no futuro — classificadas como Tier I. Do outro, levantou mais R$ 250,2 milhões em letras financeiras Tier II.
Os papéis possuem opção de recompra a partir de 2030, condicionada a uma autorização prévia do Banco Central.
Vale lembrar que as letras financeiras são títulos de renda fixa conhecidos como as “debêntures dos bancos”, utilizados pelas instituições financeiras para diversificar o funding e captar recursos.
Por que o Inter emitiu letras financeiras?
De acordo com o Inter, estas letras financeiras contribuirão para o capital complementar do patrimônio de referência do banco — isto é, o capital que uma instituição financeira deve manter para cobrir riscos de crédito, de mercado e operacionais.
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O Inter espera que a operação eleve o índice de Basileia da instituição em cerca de 1,2 ponto percentual. Esse indicador mede a capacidade da instituição de absorver perdas, avaliando quanto capital o banco mantém em relação aos seus ativos ponderados pelo risco.
É preciso destacar que o Banco Central exige que as instituições financeiras mantenham níveis mínimos de capital em seus balanços justamente para lidar com riscos operacionais — desde falhas em sistemas e processos até eventos externos inesperados.
Essas regras fazem parte do arcabouço internacional conhecido como Basileia III, criado após a crise financeira global de 2008 com o objetivo de reduzir a probabilidade de falências bancárias e fortalecer a resiliência do sistema.
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