Moura Dubeux (MDNE3) alcança lucro líquido recorde no 1T25 e CEO projeta ano de novos marcos, mesmo com a Selic alta
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Diego Villar comentou os resultados do primeiro trimestre da companhia e projetou R$ 100 milhões em proventos até o fim do ano

O balanço do primeiro trimestre de 2025 da Moura Dubeux (MDNE3) apresentou o maior lucro líquido para um primeiro trimestre da história da companhia. A cifra atingiu R$ 70,8 milhões no período, uma alta de 67% na comparação com os três primeiros meses de 2024.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Diego Villar, CEO da construtora, declarou-se convicto de que esse será “apenas o primeiro trimestre de um ano de recordes” e manifestou a expectativa de que o ciclo de alta da taxa Selic tenha chegado ao fim, como parte do mercado acredita.
- VEJA MAIS: Com Selic a 14,75% ao ano, ‘é provável que tenhamos alcançado o fim do ciclo de alta dos juros’, defende analista – a era das vacas gordas na renda fixa vai acabar?
Líder de mercado no Nordeste, companhia também reportou receita líquida de R$ 439 milhões, alta de 42,3% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
O Valor Geral de Vendas (VGV) de lançamentos — indicador que mede o valor total potencial de venda dos imóveis lançados no período — subiu 15,9%, para para R$ 401,9 milhões.
A Moura Dubeux reportou ainda um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado de R$ 89,109 milhões — aceleração de 65,3% em relação aos números reportados entre janeiro e março de 2024 —, com margem Ebitda de 20,3%, aumento de 2,8 pontos percentuais (p.p) ano a ano.
Cabe lembrar que a companhia divulgou a prévia operacional do 1T25 no começo de abril e registrou um salto de 48,1% nas vendas líquidas na base anual, chegando a R$ 551 milhões, enquanto a velocidade das vendas (VSO), ficou em 21,1%, aumento de 4,2 p.p. em relação ao 1T24.
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Desempenho reflete economia aquecida (apesar da Selic), diz CEO
Ao Seu Dinheiro, Diego Villar atribui os resultados à dominância regional no Nordeste — onde a companhia detém cerca de 25% do mercado — e à economia aquecida, apesar da Selic.
“A economia vai muito bem, obrigado. Embora a taxa de juros esteja elevada, temos um baixo índice de desemprego, renda melhorando, confiança na economia em si tem ido bem, por incrível que pareça. Mesmo com esses quase 15% [de taxa básica], é isso que a gente está vendo na vida real”, afirma Villar.
Ele ressalta, inclusive, que os programas de transferência de renda no Nordeste — como é o caso do Bolsa Família — beneficiam o setor e a companhia.
“O percentual da população que recebe benefícios sociais no Nordeste é maior do que em outras regiões do Brasil, o que favorece a economia local como um todo. Não estou entrando no mérito do programa nem manifestando apoio — apenas afirmando um fato”.
Mas isso não significa que Villar não se preocupe com o rumo dos juros no país que, na visão dele, são capazes de incinerar qualquer negócio no longo prazo. “Espero realmente que esse tenha sido o último aumento”, diz em referência à mais recente alta na Selic, que atingiu o maior patamar desde 2006, aos 14,75%.
E a inflação da construção civil?
Além da taxa básica de juros, outro desafio afeta o setor: a inflação da construção civil. Em abril, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) avançou 0,45%, e no acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 7,49%.
Sobre isso, Diego Villar acredita que a alta dos preços pode chegar a 10% nos próximos meses, não isso não provoca tanta inquietação.
“A gente chegou a ver um avanço de 18% em meados de 2021. A diferença é que naquela época era material, agora é mão de obra. É o efeito do que eu falei: baixo desemprego e benefícios sociais. Isso gera dificuldade em encontrar mão de obra”, destaca.
“Enquanto a renda continuar comportando, o que parece ser o caso, não vemos isso [aceleração da inflação do setor] como uma grande preocupação, mas como um alerta”, explica Villar.
Para o CEO, os efeitos disso seriam inadimplência e distrato. “O nosso distrato é irrelevante. Se excluirmos a migração e mudança de titularidade, quando o dinheiro segue dentro da casa, esse valor chega a 5%”.
Cabe destacar que no primeiro trimestre de 2025 houve uma alta de 32,3% nesta linha do balanço da empresa na comparação anual, atingindo R$ 57 milhões — o que representa 9,4% das vendas brutas, sendo 3% referentes à migração ou mudança de titularidade.
E os dividendos?
No final de abril a Moura Dubeux aprovou o pagamento de dividendos adicionais no valor total de R$ 50 milhões, referentes ao exercício de 2024. O valor equivale a R$ 0,5941 por ação ordinária.
E Villar deixa claro: o acionista pode esperar mais daqui para a frente. “Eu vou pagar R$ 100 milhões no ano”.
A Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida
Em relação à nova faixa do programa Minha Casa Minha Vida, que abarca rendas entre R$ 8 mil e R$ 12 mil — Villar destaca a empresa Mood, o braço da companhia voltado para a classe média, que se alinha à nova categoria. “Cerca de 60% da carteira dessa empresa tem exposição à ampliação do programa”, diz Villar.
Ele também cita a Única, empresa da Moura Dubeux lançada em 2024 com o intuito de capturar a Faixa 3 do programa, mas que se beneficia com a expansão da renda permitida. A empresa tem dois projetos no pipeline para 2025.
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