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O BB registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,78 bilhões entre julho e setembro; veja os destaques do balanço
O Banco do Brasil (BBAS3) confirmou os temores do mercado ao entregar mais um balanço estressado no terceiro trimestre de 2025. O lucro líquido recorrente chegou a R$ 3,78 bilhões. O montante equivale a um tombo de 60,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, mas em linha com o trimestre passado.
O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que previa um lucro médio de R$ 4,03 bilhões, de acordo com o consenso Bloomberg.
Mas a verdadeira frustração veio na linha da rentabilidade, que foi novamente pressionada pelo alto nível de inadimplência e as elevadas provisões.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) chegou a 8,4%, o nível mais baixo em quase uma década, com uma queda de 12,7 pontos percentuais (p.p) na base anual.
A título de comparação, o pior patamar de rentabilidade histórico do Banco do Brasil foi atingido no primeiro trimestre de 2016, quando o ROE chegou a 5,6%.
A rentabilidade veio aquém do esperado pelo mercado, de 8,6%, segundo a média das estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro.
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Esse é também o pior patamar de retorno entre os grandes bancos, bem aquém dos níveis de pares privados, como o Bradesco (BBDC4), com 14,7%, e o Santander (SANB11), com 17,5%.
Segundo Geovanne Tobias, vice-presidente de gestão financeira e relações com investidores do Banco do Brasil, mesmo com os desafios, a "capacidade do banco de gerar resultados consistentes é um fato".
"Estamos atravessando um momento de ajustes para preparar o Banco para retomar seu patamar de rentabilidade, aquele que sempre caracterizou a força do Banco do Brasil", afirmou Tobias, em vídeo após o balanço.
“Para 2025, reconhecemos que, diante das dificuldades, entregaremos um lucro médio menor que o do ano passado, mas ainda com uma rentabilidade sólida, considerando o volume de provisões que vamos contabilizar", disse o executivo, afirmando que o patamar de lucratividade acumulado no ano "demonstra a fortaleza de geração de resultados" do BB.
Na visão de Felipe Sant'Anna, analista do Axia Investing, embora um resultado "ruim" no Banco do Brasil já fosse esperado pelo mercado, o tombo relevante do lucro deve pressionar as ações no pregão da próxima quinta-feira (13), enquanto o mercado digere o balanço mais fraco.
"Foi praticamente o mesmo lucro apresentado no trimestre anterior, só que o ROE também assusta. O Banco do Brasil, que já vinha sendo observado pelos analistas com bastante problema, e agora acaba de apresentar mais um: a carteira de crédito cresceu, puxada por dois segmentos que me preocupam muito. pessoa física e pessoa jurídica", disse o analista, destacando o temor em relação à inadimplência.
E por falar em inadimplência, os indicadores de NPL continuaram a chamar atenção no terceiro trimestre.
O índice de devedores acima de 90 dias, que mede a relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e o saldo da carteira de crédito, teve alta de 1,6 ponto porcentual na comparação com o mesmo trimestre de 2024 e de 0,72 p.p na base trimestral, a 4,93%.
No trimestre, a inadimplência da carteira do agronegócio chegou a 5,34%, aumento de 1,85 p.p, principalmente puxada por situações na cultura da soja e nas regiões Centro-Oeste e Sul do país, além do efeito dos pedidos de recuperação judicial no segmento, segundo o banco.
Os atrasos na carteira de pessoas físicas também subiram 0,42 p.p no trimestre, para 6,01%, pressionados pela sobreposição de operações realizadas com produtores rurais, e pela elevação da inadimplência na carteira renegociada e na linha de cartão de crédito, afirmou o banco.
Se considerada somente a inadimplência em micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que se tornou outro detrator dos resultados do banco nos último trimestres, a inadimplência acima de 90 dias seria de 10,25% entre julho e setembro.
Em publicação no LinkedIn, a CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que a instituição enfrentou mudanças regulatórias e operacionais, além de um cenário de inadimplência elevada no agronegócio — o que resultou na estratégia do BB de aumentar a proximidade com o produtor rural e priorizar linhas de crédito com melhor relação risco e retorno.
"Na reta final do ano e já olhando para 2026, nosso foco estratégico está na expansão de linhas seguras para pessoas físicas, na especialização do atendimento para empresas, no controle de risco e ampliação de garantias. Seguimos investindo em tecnologia, capacitação e transformação digital, com muita responsabilidade e ganhos de eficiência", escreveu.
No trimestre, as provisões do Banco do Brasil contra calotes subiram 15,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 35,3 bilhões em perdas previstas no crédito.
O percentual da carteira alocado no estágio 3 — quando o crédito é oficialmente considerado inadimplente e exige provisões ainda mais elevadas — também aumentou no trimestre, para 8,5%, um leve aumento de 0,1 p.p na base trimestral e de 0,7 p.p frente ao 3T24.
Segundo o BB, porém, cerca de 34,8% do saldo das operações da carteira em estágio 3 estão adimplentes — ou seja, ainda não atrasaram pagamentos.
Por sua vez, o custo do crédito, que corresponde às despesas de perda esperada somadas aos descontos concedidos e deduzidas das receitas com recuperação de crédito, saltou 12,7% na base trimestral e 77,7% em relação ao ano anterior, para R$ 17,9 bilhões.
Novamente, a pressão sobre os indicadores do BB veio do agronegócio, do agravamento de casos de inadimplência na carteira corporativa e da "cessão de single names de grandes empresas com impacto sobre as linhas de perda esperada e descontos concedidos".
Segundo o diretor financeiro do banco, independentemente dos desafios, o BB continuou a apresentar "números sólidos em crédito, com destaque para o segmento de pessoas físicas, com o crescimento da nossa carteira sustentável, a evolução da margem financeira bruta, refletindo o foco em linhas mais rentáveis".
Embora o Banco do Brasil tenha optado por um crescimento mais seletivo das concessões de crédito em meio à inadimplência crescente, a instituição continuou a aumentar o portfólio no terceiro trimestre.
A carteira de crédito expandida do BB cresceu 7,5% em relação a igual intervalo de 2024, mas encolheu 1,2% ante ao trimestre imediatamente anterior, para R$ 1,27 trilhão.
O portfólio de pessoa física chegou a R$ 350,5 bilhões no trimestre, um crescimento de 7,9% em um ano, puxado pelo crescimento nas linhas de crédito consignado, não consignado e cartão de crédito.
Já a carteira de crédito corporativo chegou a R$ 453 bilhões, avanço de 10,4% na comparação anual, mas redução de 3,2% no trimestre.
Enquanto isso, o crédito para o agronegócio chegou a R$ 398,8 bilhões, expansão de 3,2% na base anual, mas queda de 1,5% na base trimestral, com crescimento em linhas de custeio e investimento agropecuário. Segundo o BB, o avanço está alinhado à "estratégia de crescimento com base na matriz de resiliência e maior volume com garantias de imóveis".
No terceiro trimestre, a margem financeira bruta, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, subiu 1,9% em relação aos últimos 12 meses, para R$ 26,36 bilhões.
Já a margem financeira com o mercado — que reflete a remuneração do banco com as operações de tesouraria — recuou 66% em relação ao mesmo trimestre de 2024 e 37,3% na comparação com o 1T25, embora tenha se mantido no campo positivo, a R$ 1,73 bilhão.
Segundo o banco, a performance foi impactada pela menor contribuição da margem do Banco Patagonia e pelo crescimento das despesas de captação institucional, devido à estratégia de mix de funding com emissões de letras financeiras perpétuas no Brasil indexadas à taxa Selic.
Por sua vez, a margem com clientes teve aumento de 18,6% no mesmo período frente ao ano passado e de 10,4% na base trimestral, a R$ 24,63 bilhões. O BB atribui o resultado à elevação da liquidez, ao crescimento dos juros, ao giro da carteira de crédito com taxas reprecificadas e ao efeito calendário, com 5 dias úteis a mais.
As receitas operacionais do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 2,6% no período, chegando a R$ 8,86 bilhões no fim de setembro.
Enquanto isso, as despesas administrativas subiram 4,7% no comparativo anual, a R$ 9,81 bilhões.
O Banco do Brasil decidiu revisar o guidance (projeções) fixado para 2025 outra vez. Agora, o BB prevê uma faixa de lucro ainda menor para o ano.
A previsão para o lucro líquido de 2025 é de algo em torno de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões, bem aquém do inicialmente previsto, de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões.
O banco também espera um custo de crédito maior para 2025, de um intervalo de R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões.
Confira como ficou o guidance atualizado:
| Indicadores | Intervalo | Resultado em 9M25 | Revisado |
|---|---|---|---|
| Carteira de crédito - variação % | 3,0 a 6,0 | 7,3 | Mantido |
| Pessoas Físicas - variação % | 7,0 a 10,0 | 7,9 | Mantido |
| Empresas - variação % | 0,0 a 3,0 | 11,6 | Mantido |
| Agronegócios - variação % | 3,0 a 6,0 | 3,2 | Mantido |
| Carteira sustentável - variação % | 7,0 a 10,0 | 8,0 | Mantido |
| Margem financeira bruta - R$ bilhões | 102,0 a 105,0 | 75,3 | Mantido |
| Custo do crédito - R$ bilhões | 53,0 a 56,0 | 44,0 | 59,0 a 62,0 |
| Receitas de prestação de serviços - R$ bilhões | 34,5 a 36,5 | 26,0 | Mantido |
| Despesas administrativas - R$ bilhões | 38,5 a 40,0 | 29,0 | Mantido |
| Lucro líquido ajustado - R$ bilhões | 21,0 a 25,0 | 14,9 | 18,0 a 21,0 |
Junto ao balanço, o Banco do Brasil também informou que fará mais uma distribuição de dividendos aos acionistas. O banco anunciou o pagamento de cerca de R$ 410,59 milhões na forma de juros sobre o capital próprio (JCP).
O montante corresponde a cerca de R$ 0,07192 por ação BBAS3. Veja quem terá direito à bolada.
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