Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Novo pacote, velhos vícios: arrecadar, arrecadar, arrecadar

O episódio do IOF não é a raiz do problema, mas apenas mais uma manifestação dos sintomas de uma doença crônica

13 de junho de 2025
6:03 - atualizado às 19:41
lula brasil cenário macro economia investimentos / estatais / empresas estatais
Imagem: Flickr/Ricardo Stuckert - Montagem: Giovanna Figueredo

No Brasil, as atenções dos mercados convergiram integralmente para a medida provisória divulgada na noite de quarta-feira (11) — o tão aguardado substituto do famigerado decreto do IOF. A recepção, como não poderia deixar de ser, foi barulhenta: críticas intensas no Congresso e o reforço de uma percepção já cristalizada — a de que a âncora fiscal do governo é, na melhor das hipóteses, frouxa; na pior, inexistente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na superfície, a alíquota sobre operações de risco sacado foi reduzida em 80%, o IOF sobre aportes em previdência do tipo VGBL foi atenuado, e foi criada uma regra de transição para esses aportes: a partir de 2026, contribuições de até R$ 600 mil por ano estarão isentas de IOF, enquanto o excedente será tributado em 5%, somando todos os planos do titular, mesmo em instituições diferentes.

Em 2025, a isenção será restrita a R$ 300 mil, e apenas se os recursos forem aplicados em uma única seguradora.

Gasta-se como sempre, tributa-se como nunca

Mas é preciso olhar além da moldura para entender a natureza da tela. E o que se vê é um retrato claro do velho impulso arrecadatório do Estado. O núcleo da MP está centrado em aumentar receitas, não em reestruturar o gasto público.

Entre os pontos mais relevantes estão: o aumento da tributação sobre as apostas esportivas (de 12% para 18% sobre a receita bruta dos jogos); a uniformização da CSLL para o sistema financeiro, extinguindo o benefício dos que pagavam apenas 9%; o aumento da alíquota de imposto de renda sobre os juros sobre capital próprio (de 15% para 20%); a padronização da tributação sobre aplicações financeiras em 17,5%; e, o golpe mais indigesto para o investidor: o fim da isenção para os títulos incentivados. Isso significa que LCI, LCA, CRI, CRA, FIIs, Fiagros, letras hipotecárias e similares — todos antes livres do IR — passarão a sofrer uma tributação de 5%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Houve algum esforço de contenção de gastos? Sim, mas tímido, periférico e — para ser honesto — quase decorativo. O governo incluiu o programa Pé-de-Meia no piso constitucional da educação, limitou o auxílio-doença com base em atestado de 180 para 30 dias e revisou o seguro-defeso.

Leia Também

Também mencionou uma já lendária promessa de corte de 10% nos gastos tributários e abriu um canal de conversa com o Congresso para discutir despesas primárias. Mas tudo isso, por ora, não passa do papel.

A impressão final é cristalina: o governo repagina o discurso, mas insiste na velha fórmula. Gasta-se como sempre, tributa-se como nunca — e o ajuste, ao que tudo indica, continuará sendo feito pelo bolso do contribuinte. Mais uma vez, o governo parece ter escolhido o atalho da arrecadação fácil, deixando de lado o enfrentamento de fundo do desequilíbrio estrutural das contas públicas. Nenhuma linha foi dedicada a conter o avanço descontrolado de despesas obrigatórias, como o Fundeb e o BPC. 

Temas verdadeiramente relevantes — como a reforma da previdência dos militares, a contenção dos supersalários no serviço público e a desvinculação do salário mínimo das aposentadorias — seguem intocados, mantidos sob a redoma do tabu político.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Curiosamente, a primeira barreira às reformas estruturantes veio justamente da base governista no Congresso: o PT e seus aliados não apenas se opuseram, como trataram qualquer tentativa de contenção de gastos como uma heresia.

O desarranjo fiscal brasileiro

O resultado é um pacote com efeitos meramente paliativos. Pode até melhorar pontualmente a arrecadação em 2025 e 2026, mas falha de forma gritante em atacar as causas profundas do desarranjo fiscal brasileiro.

As projeções do governo apontam para um ganho adicional de R$ 10 bilhões neste ano e R$ 20 bilhões em 2026 — valores que não consideram a eventual aprovação da prometida redução de gastos tributários, ainda pendente de aval político. E é aí que o castelo começa a desmoronar.

O governo mantém viva sua compulsão arrecadatória, enquanto foge sistematicamente dos debates difíceis que o país exige. Pior: aposta que conseguirá emplacar elevação de carga tributária no exato momento em que o clima pré-eleitoral começa a ganhar força.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

PP e União Brasil, que juntos somam mais de 100 deputados, já declararam oposição frontal à medida provisória. A tendência é que partidos de oposição sigam o mesmo caminho. Lula deve, mais uma vez, entrar pessoalmente em campo para tentar destravar a pauta — mas o desgaste político do governo é palpável. O próprio presidente da Câmara já sinalizou desconforto com o conteúdo da proposta.

Em um ambiente em que o pragmatismo fiscal vem sendo atropelado pela antecipação do calendário eleitoral, será cada vez mais difícil convencer o Congresso a se associar à sanha arrecadatória do Executivo.

E enquanto o governo insiste em tratar o desequilíbrio das contas como um problema de receita — e não como fruto de um gasto público —, a margem de manobra para reformas reais vai se estreitando.

  • VEJA AINDA: Ferramenta te mostra uma projeção de quanto é necessário investir mensalmente na previdência privada. Simule aqui

IOF: sintomas de uma doença crônica

Um governo que se recusa a cortar na própria carne invariavelmente transfere o peso do ajuste à sociedade. E a sociedade — assim como o Congresso — já deu demonstrações claras de saturação. A paciência com novos impostos se esgotou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o ministro Fernando Haddad, os temas mais espinhosos estariam sendo “conversados” com o Congresso. Em bom português: foram, mais uma vez, empurrados para a gaveta do segundo semestre. E talvez só voltem à tona embalados por promessas de cortes horizontais em gastos tributários — o que, embora relevante, não passa de mais uma tentativa de reforçar o caixa sem alterar a dinâmica de gasto.

Pelo menos a crise gerada pela tentativa desastrada de aumentar o IOF acabou revelando uma verdade incômoda — e raramente dita em voz alta. O presidente da Câmara, Hugo Motta, reconheceu publicamente o que já é evidente para qualquer um que se debruce sobre o orçamento da União: do jeito que está, o orçamento não se sustenta.

O episódio do IOF, portanto, não é a raiz do problema, mas apenas mais uma manifestação dos sintomas de uma doença crônica: o crescimento compulsivo e rigidamente engessado da despesa pública brasileira, vitimada pela Constituição de 88.

Mais uma vez, o país desperdiça a chance de realizar um ajuste fiscal sério, estruturante e duradouro. A oportunidade escorre pelos dedos, adiada para um horizonte nebuloso que começa, talvez, em 2027 — e que dependerá, inevitavelmente, da disposição do próximo governo em quebrar tabus e enfrentar os lobbies que mantêm o gasto público aprisionado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Até lá, o investidor continuará sendo refém de soluções improvisadas, reformas de papel e pacotes arrecadatórios que tentam produzir estabilidade com mais impostos, sem tocar na raiz da disfunção.

A ausência de reformas estruturais e o excesso de medidas paliativas formam um coquetel tóxico para o ambiente econômico: ele pode até oferecer alívio momentâneo à nação, mas empurra o país para um ciclo de instabilidade crônica, no qual o fiscal tensiona o monetário e a política desacelera a economia ao invés de guiá-la.

Ao menos 2026 já se insinua no horizonte. Que 2027 venha, enfim, com a coragem necessária para as reformas estruturais que o país tanto precisa. O Brasil merece muito mais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como bloqueios comerciais afetam juros e inflação, e o que analisar na ata do Copom hoje

5 de maio de 2026 - 8:48

Veja como deve ficar o ciclo de corte de juros enquanto não há perspectiva de melhora no cenário internacional

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Petróleo caro, juros presos e a ilusão de controle: ciclo de cortes encurta enquanto a realidade bate à porta

5 de maio de 2026 - 7:14

O quadro que se desenha é de um ambiente mais complexo e menos previsível, em que o choque externo, via petróleo e tensões geopolíticas, se soma a fragilidades domésticas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

BradSaúde sai do casulo no balanço da Odontoprev, conflito entre EUA e Irã, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

4 de maio de 2026 - 8:20

Odontoprev divulga seu primeiro balanço após a reorganização e apresenta a BradSaúde em números ao mercado; confira o que esperar e o que mais move a bolsa de valores hoje

DÉCIMO ANDAR

Alta do risco no mercado de crédito impacta fundos imobiliários e principalmente fiagros; é hora de ficar conservador?

3 de maio de 2026 - 8:00

Fiagros demandam atenção, principalmente após início da guerra no Irã, e entre os FIIs de papel, preferência deve ser pelo crédito de menor risco

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O paladar não retrocede: o desafio da Ferrari em avançar sem perder a identidade

2 de maio de 2026 - 9:00

Na abertura do livro O Paladar Não Retrocede, Carlos Ferreirinha, o guru brasileiro do marketing de luxo, usa o automobilismo para explicar como alto padrão molda nossos hábitos.  “Após dirigir um carro automático com ar-condicionado e direção hidráulica, ninguém sente falta da manivela para abrir a janela.”  Da manivela, talvez não. Mas do torque de um supercarro, […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que é ser rico? Veja em quanto tempo você alcança a independência financeira

1 de maio de 2026 - 10:04

Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá

SEXTOU COM O RUY

No feriado do Dia do Trabalho, considere colocar o dinheiro para trabalhar para você

1 de maio de 2026 - 7:01

Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os recados do Copom e do Fed, a derrota do governo no STF, a nova cara da Natura, e o que mais você precisa saber

30 de abril de 2026 - 8:40

Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia