O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
O episódio do IOF não é a raiz do problema, mas apenas mais uma manifestação dos sintomas de uma doença crônica
No Brasil, as atenções dos mercados convergiram integralmente para a medida provisória divulgada na noite de quarta-feira (11) — o tão aguardado substituto do famigerado decreto do IOF. A recepção, como não poderia deixar de ser, foi barulhenta: críticas intensas no Congresso e o reforço de uma percepção já cristalizada — a de que a âncora fiscal do governo é, na melhor das hipóteses, frouxa; na pior, inexistente.
Na superfície, a alíquota sobre operações de risco sacado foi reduzida em 80%, o IOF sobre aportes em previdência do tipo VGBL foi atenuado, e foi criada uma regra de transição para esses aportes: a partir de 2026, contribuições de até R$ 600 mil por ano estarão isentas de IOF, enquanto o excedente será tributado em 5%, somando todos os planos do titular, mesmo em instituições diferentes.
Em 2025, a isenção será restrita a R$ 300 mil, e apenas se os recursos forem aplicados em uma única seguradora.
Mas é preciso olhar além da moldura para entender a natureza da tela. E o que se vê é um retrato claro do velho impulso arrecadatório do Estado. O núcleo da MP está centrado em aumentar receitas, não em reestruturar o gasto público.
Entre os pontos mais relevantes estão: o aumento da tributação sobre as apostas esportivas (de 12% para 18% sobre a receita bruta dos jogos); a uniformização da CSLL para o sistema financeiro, extinguindo o benefício dos que pagavam apenas 9%; o aumento da alíquota de imposto de renda sobre os juros sobre capital próprio (de 15% para 20%); a padronização da tributação sobre aplicações financeiras em 17,5%; e, o golpe mais indigesto para o investidor: o fim da isenção para os títulos incentivados. Isso significa que LCI, LCA, CRI, CRA, FIIs, Fiagros, letras hipotecárias e similares — todos antes livres do IR — passarão a sofrer uma tributação de 5%.
Houve algum esforço de contenção de gastos? Sim, mas tímido, periférico e — para ser honesto — quase decorativo. O governo incluiu o programa Pé-de-Meia no piso constitucional da educação, limitou o auxílio-doença com base em atestado de 180 para 30 dias e revisou o seguro-defeso.
Leia Também
Também mencionou uma já lendária promessa de corte de 10% nos gastos tributários e abriu um canal de conversa com o Congresso para discutir despesas primárias. Mas tudo isso, por ora, não passa do papel.
A impressão final é cristalina: o governo repagina o discurso, mas insiste na velha fórmula. Gasta-se como sempre, tributa-se como nunca — e o ajuste, ao que tudo indica, continuará sendo feito pelo bolso do contribuinte. Mais uma vez, o governo parece ter escolhido o atalho da arrecadação fácil, deixando de lado o enfrentamento de fundo do desequilíbrio estrutural das contas públicas. Nenhuma linha foi dedicada a conter o avanço descontrolado de despesas obrigatórias, como o Fundeb e o BPC.
Temas verdadeiramente relevantes — como a reforma da previdência dos militares, a contenção dos supersalários no serviço público e a desvinculação do salário mínimo das aposentadorias — seguem intocados, mantidos sob a redoma do tabu político.
Curiosamente, a primeira barreira às reformas estruturantes veio justamente da base governista no Congresso: o PT e seus aliados não apenas se opuseram, como trataram qualquer tentativa de contenção de gastos como uma heresia.
O resultado é um pacote com efeitos meramente paliativos. Pode até melhorar pontualmente a arrecadação em 2025 e 2026, mas falha de forma gritante em atacar as causas profundas do desarranjo fiscal brasileiro.
As projeções do governo apontam para um ganho adicional de R$ 10 bilhões neste ano e R$ 20 bilhões em 2026 — valores que não consideram a eventual aprovação da prometida redução de gastos tributários, ainda pendente de aval político. E é aí que o castelo começa a desmoronar.
O governo mantém viva sua compulsão arrecadatória, enquanto foge sistematicamente dos debates difíceis que o país exige. Pior: aposta que conseguirá emplacar elevação de carga tributária no exato momento em que o clima pré-eleitoral começa a ganhar força.
PP e União Brasil, que juntos somam mais de 100 deputados, já declararam oposição frontal à medida provisória. A tendência é que partidos de oposição sigam o mesmo caminho. Lula deve, mais uma vez, entrar pessoalmente em campo para tentar destravar a pauta — mas o desgaste político do governo é palpável. O próprio presidente da Câmara já sinalizou desconforto com o conteúdo da proposta.
Em um ambiente em que o pragmatismo fiscal vem sendo atropelado pela antecipação do calendário eleitoral, será cada vez mais difícil convencer o Congresso a se associar à sanha arrecadatória do Executivo.
E enquanto o governo insiste em tratar o desequilíbrio das contas como um problema de receita — e não como fruto de um gasto público —, a margem de manobra para reformas reais vai se estreitando.
Um governo que se recusa a cortar na própria carne invariavelmente transfere o peso do ajuste à sociedade. E a sociedade — assim como o Congresso — já deu demonstrações claras de saturação. A paciência com novos impostos se esgotou.
Segundo o ministro Fernando Haddad, os temas mais espinhosos estariam sendo “conversados” com o Congresso. Em bom português: foram, mais uma vez, empurrados para a gaveta do segundo semestre. E talvez só voltem à tona embalados por promessas de cortes horizontais em gastos tributários — o que, embora relevante, não passa de mais uma tentativa de reforçar o caixa sem alterar a dinâmica de gasto.
Pelo menos a crise gerada pela tentativa desastrada de aumentar o IOF acabou revelando uma verdade incômoda — e raramente dita em voz alta. O presidente da Câmara, Hugo Motta, reconheceu publicamente o que já é evidente para qualquer um que se debruce sobre o orçamento da União: do jeito que está, o orçamento não se sustenta.
O episódio do IOF, portanto, não é a raiz do problema, mas apenas mais uma manifestação dos sintomas de uma doença crônica: o crescimento compulsivo e rigidamente engessado da despesa pública brasileira, vitimada pela Constituição de 88.
Mais uma vez, o país desperdiça a chance de realizar um ajuste fiscal sério, estruturante e duradouro. A oportunidade escorre pelos dedos, adiada para um horizonte nebuloso que começa, talvez, em 2027 — e que dependerá, inevitavelmente, da disposição do próximo governo em quebrar tabus e enfrentar os lobbies que mantêm o gasto público aprisionado.
Até lá, o investidor continuará sendo refém de soluções improvisadas, reformas de papel e pacotes arrecadatórios que tentam produzir estabilidade com mais impostos, sem tocar na raiz da disfunção.
A ausência de reformas estruturais e o excesso de medidas paliativas formam um coquetel tóxico para o ambiente econômico: ele pode até oferecer alívio momentâneo à nação, mas empurra o país para um ciclo de instabilidade crônica, no qual o fiscal tensiona o monetário e a política desacelera a economia ao invés de guiá-la.
Ao menos 2026 já se insinua no horizonte. Que 2027 venha, enfim, com a coragem necessária para as reformas estruturais que o país tanto precisa. O Brasil merece muito mais.
Veja como deve ficar o ciclo de corte de juros enquanto não há perspectiva de melhora no cenário internacional
O quadro que se desenha é de um ambiente mais complexo e menos previsível, em que o choque externo, via petróleo e tensões geopolíticas, se soma a fragilidades domésticas
Odontoprev divulga seu primeiro balanço após a reorganização e apresenta a BradSaúde em números ao mercado; confira o que esperar e o que mais move a bolsa de valores hoje
Fiagros demandam atenção, principalmente após início da guerra no Irã, e entre os FIIs de papel, preferência deve ser pelo crédito de menor risco
Na abertura do livro O Paladar Não Retrocede, Carlos Ferreirinha, o guru brasileiro do marketing de luxo, usa o automobilismo para explicar como alto padrão molda nossos hábitos. “Após dirigir um carro automático com ar-condicionado e direção hidráulica, ninguém sente falta da manivela para abrir a janela.” Da manivela, talvez não. Mas do torque de um supercarro, […]
Para ser rico, o segredo está em não depender de um salário. Por maior que ele seja, não traz segurança financeira. Veja os cálculos para chegar lá
Para isso, a primeira lição é saber que é preciso ter paciência pois, assim como acontece na vida real (ou deveria acontecer, pelo menos), ninguém começa a carreira como diretor
Entenda como a Natura rejuvenesceu seu negócio, quais os recados tanto do Copom quanto do Fed na decisão dos juros e o que mais afeta o seu bolso hoje
Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária
Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação
A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes
Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional
Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores
Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin
Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria
A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório
Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio
O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor
Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito
Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje