Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: O elogio do vira-lata (ou sobre small caps brasileiras)

Hoje, anestesiados por um longo ciclo ruim dos mercados brasileiros, cujo início poderia ser marcado em 2010, e por mais uma década perdida, parecemos nos esquecer das virtudes brasileiras

brasil bolsa ibovespa ações expectativas gestores
Imagem: Shutterstock/Montagem: Giovanna Figueredo

Uma vez fizeram um concurso para eleger o verso mais bonito da literatura brasileira. O vencedor foi aquele do poeta Castro Alves: “Auriverde pendão da esperança.” Embora a vitória tenha vindo por margem larga, não foi unânime, claro.

Manuel Bandeira, por exemplo, fez uma opção mais popular, elegendo o verso da canção “Chão de Estrelas”, de Orestes Barbosa, como seu favorito: “Tu pisavas os astros, distraída.” Ele vem na sequência de: “E a Lua furando nosso zinco; Salpicava de estrelas o nosso chão”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Seu barracão no morro do Salgueiro tinha um teto com furos e a luz da Lua penetrava por entre eles, marcando o chão com as estrelas, sobre as quais a amada dançava distraída. É de uma beleza estonteante.

Se Castro Alves beirava a perfeição no original, Caetano Veloso, sabe-lá-deus-como, conseguiu melhorá-lo, conferindo um pouco mais de melancolia à cena. Em referência a “Chão de Estrelas”, propõe uma adequação em sua música “Livros”: “Tropeçava nos astros, desastrada.”

Aí a coisa fica completa. O caminhar errático, com tropeços, que até mesmo sonoramente já transmitem a ideia de desastre.

Redescobrindo as virtudes brasileiras

Essas composições já foram populares, comentadas em bares e festas por aí. Viraram referência mundial. Hoje, anestesiados por um longo ciclo ruim dos mercados brasileiros, cujo início poderia ser marcado em 2010, e por mais uma década perdida (somente agora retornamos ao nível de renda per capita de 2013), parecemos nos esquecer das virtudes brasileiras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As discussões nos grupos de Zap e os rompimentos familiares por motivações políticas evidenciam uma truculência momentânea que desconfia do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda.

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Mudança na CVM afeta agenda ESG, a verdade sobre IA e o que mais afeta o mercado hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os contrastes nas eleições colombianas, o doce bar secreto em SP e as novas tarifas de Trump

Não somos e, potencialmente, nunca seremos a Suíça ou a Dinamarca, mas temos cá nossas qualidades, muito mais enraizadas e estabelecidas do que um ciclo ruim poderia sugerir. Num mundo em plena Segunda Guerra Fria e de animosidade perante o diferente, a neutralidade diplomática e o sincretismo brasileiros talvez pudessem, inclusive, servir de exemplo ao mundo.

Na peça “O céu da língua”, Gregório Duvivier (e se você não quer ir ao teatro por conta das posições políticas dele, me desculpe, devo dizer: que idiotice!) faz uma brincadeira com o fato estilizado de que os esquimós têm mais de 50 palavras para se referir a neve – como há muita por lá, precisam de vários vocábulos para descrever com precisão cada uma de suas particularidades e nuances.

Os brasileiros, por sua vez, têm várias dezenas de palavras para se referir a “bagunça”, pois há muita dela por aqui. Mas será que alguém poderia produzir algo tão grandioso quanto o Carnaval em condições diferentes?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Quem, então, é superior ou inferior a quem?” Provoca Eduardo Giannetti no famoso “Elogio do vira-lata”. "A depreciação do vira-lata inerente ao complexo que leva o nome dele carrega como premissa básica o culto do ideal de pureza racial, beleza estética, virtude da racionalidade nos moldes definidos especialmente pela vertente anglo-americana da civilização cristã ocidental.” 

Ora, se estamos sob o questionamento generalizado do excepcionalismo norte-americano, que captura recursos mundo afora há 15 anos, poderemos também duvidar da imposição desses moldes definidos pela vertente anglo-americana?

Será que não estaria justamente na nossa mestiçagem, na combinação da vitalidade iorubá, com a cultura ameríndia e a racionalidade do colonizador europeu, nossa maior virtude, um potencial modelo a oferecer a um mundo que flerta com o isolacionismo e o rompimento com as instituições multilaterais criadas pós-1945?

Não se trata aqui de abandonar a fronteira da ciência ou os valores ocidentais consagrados pelo Iluminismo. Ao contrário, havemos de retomá-los e aprofundá-los.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O princípio do indivíduo acima do coletivismo, ou seja, da beleza e da riqueza de cada ser em si, independente de sua ideologia política ou de sua discordância comigo. A igualdade moral e perante a Lei, em detrimento a laços pessoais ou a perseguições por adversários políticos. Os mecanismos de autocorreção capazes de impedir incursões totalitárias, golpistas e populistas.

Um Tropicalismo econômico

Essas coisas poderiam ser apropriadas de fora, deglutidas ao nosso modo, para a formação de um modelo exportação de convivência harmoniosa com o diferente. Uma espécie de Tropicalismo aplicado ao modelo econômico. Já temos plenas condições de fazê-lo em nosso agribusiness e em nossa matriz energética sustentável. 

E se Lula agora defende os princípios do livre comércio e diz ter aprendido como Thatcher e Reagan, ainda que falsamente em sua entrevista à New Yorker, podemos cobrá-lo por uma abertura da economia e por redução da sua espiral intervencionista, não é mesmo?

As virtudes são corporativas também. Enquanto todos esperavam uma temporada de resultados trimestrais mais fraca, os números têm surpreendido favoravelmente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Itaú conseguiu, mais uma vez, mostrar sua capacidade de superar mesmo os mais otimistas. Bradesco deu passos importantes em seu turnaround. BTG bateu mais de R$ 2 trilhões em ativos sob custódia. Todo setor de varejo de moda, que há poucos meses ninguém queria (ou queriam para shortear), veio bem acima das projeções. Mercado Livre é um exemplo de classe mundial do que somos capazes de fazer. 

Agora, esperamos uma bateria de revisões para cima nos lucros corporativos, o que é um catalisador típico de altas adicionais para as ações – já começou com Azzas e deve se estender para as demais cíclicas domésticas.

Se passamos o começo do ano surfando uma melhora externa em direção a mercados emergentes, sem grandes razões locais para despertar um rali dos ativos brasileiros, agora entramos numa nova fase.

Além dos bons resultados corporativos, iniciamos uma discussão sobre os próximos passos do Copom, agora na direção da flexibilização monetária – se a alta da Selic retirou fluxo de recursos dos ativos de risco desde julho de 2021, a inversão do movimento deveria despertar dinâmica inversa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O fluxo gringo segue muito positivo, tendo alcançado treze pregões consecutivos de net positivo em 8 de maio (o dia subsequente ao último Copom). Se a isso somarmos uma mudança do fluxo pelos institucionais locais, seremos mais uma vez lembrados que o mercado é um teatro grande com uma porta pequena – vale para saída e também para a entrada.

Tudo isso em um momento em que deveríamos começar a embutir nos preços a probabilidade de mudança do pêndulo de economia política, no sentido de uma maior racionalidade econômica. As próximas pesquisas de aprovação do governo podem ser especialmente interessantes e servirem de trigger adicional caso apontem ferimentos na popularidade do presidente a partir da crise do INSS.

A Temporada Microcap está chegando. Depois de um longo inverno, podemos finalmente ver um carnaval nas small caps brasileiras. A hora de comprar é agora.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ferrari Luce: faltou conselho? 30 de maio de 2026 - 9:01
Imagem gerada por inteligência artificial mostra cavalos de corrida saindo da bolsa de valores brasileira 29 de maio de 2026 - 8:46
Imagem mostra um avião passando por nuvens de tempestades e relâmpagos 28 de maio de 2026 - 8:34
Imagem gerada por IA traz o mapa mundi e a bandeira do Irã ao centro 27 de maio de 2026 - 20:00
Imagem gerada por inteligência artificial mostra um investidor apressado, correndo. Ao redor dele estão relógios, gráficos de ações, dinheiro, um cofrinho e outros investimentos 27 de maio de 2026 - 8:43
águia careca representando os estados unidos e globo em fragmentos - fim pax americana 26 de maio de 2026 - 8:55
guerra oriente médio investimento 26 de maio de 2026 - 7:26
Gráfico de ações, volatilidade 22 de maio de 2026 - 7:15
Imagem gerada por inteligência artificial com o desenho de um homem segurando um guarda chuva enquanto setas vermelhas apontam para ele, simbolizando o hedge dos investimentos 20 de maio de 2026 - 19:58

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Um hedge bom, barato e que está funcionando 

20 de maio de 2026 - 19:58
Imagem gerada por inteligência artificial mostra um homem de camisa azul misturando ouro e commodities em uma tigela. Há outros investimentos ao redor dele, e ele está em uma cozinha 20 de maio de 2026 - 8:45
Uma mesa de escritório antigo. Em cima há um computador de barriga e uma gelatinha com um grampeador dentro. 19 de maio de 2026 - 8:50
Fundo eleitoral eleições eleições municipais 19 de maio de 2026 - 7:22

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ruído político, curva de juros aberta e um mercado mais cauteloso

19 de maio de 2026 - 7:22
18 de maio de 2026 - 8:18
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar