Por que investir na versão de previdência de um fundo renomado? A resposta está no ‘vácuo’ da Fórmula 1
O conceito das corridas é conhecido mesmo por quem não acompanha tanto o esporte, e volta e meia penso nisso quando observo os fundos de previdência; entenda

Mesmo quem não acompanha Fórmula 1 provavelmente já ouviu falar do tal “vácuo”. É uma das situações mais curiosas das corridas.
Imagine um piloto perseguindo o carro da frente por várias voltas. Para quem está assistindo, parece que ele simplesmente não consegue ultrapassar. Mas existe algo acontecendo ali que nem sempre é visível.
Ao se aproximar do adversário, o carro passa a enfrentar uma resistência menor do ar. O esforço necessário para ganhar velocidade diminui e, pouco a pouco, ele acumula uma vantagem que pode ser suficiente para realizar a ultrapassagem.
O mais interessante é que o objetivo não muda. Ele continua perseguindo o mesmo carro, a mesma referência, o mesmo alvo. A diferença é que agora conta com uma ajuda que torna o caminho mais eficiente.
Volta e meia penso nisso quando observo os fundos de previdência.
Muitos deles nascem com uma missão bastante simples: acompanhar um fundo tradicional já conhecido pelo mercado. O gestor é o mesmo, a equipe é a mesma e a filosofia de investimento também. Em muitos casos, a própria carteira é muito semelhante à estratégia original.
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A pergunta que muita gente faz é: se os dois seguem a mesma estratégia, por que investir na versão previdenciária?
A resposta está justamente no vácuo
Quando a aderência entre os dois produtos é elevada, o fundo de previdência passa a contar com algumas vantagens estruturais que não aparecem na carteira, mas aparecem no resultado líquido do investidor.
No artigo passado, falamos sobre o benefício fiscal do PGBL. Dependendo da situação de cada pessoa, parte do dinheiro que iria para o Imposto de Renda pode ser reinvestido e continuar trabalhando ao longo do tempo.
Existem ainda outros dois detalhes importantes sobre os fundos de previdência:
- Na tabela regressiva, eles possuem a menor alíquota da indústria, com exceção dos fundos e ativos isentos, chegando a apenas 10% de IR após dez anos;
- Eles não sofrem a incidência do come-cotas, aquela antecipação periódica de imposto presente em diversos fundos tradicionais.
No curto prazo, um imposto postergado, uma alíquota menor ou a ausência de come-cotas podem parecer detalhes. Mas, no longo prazo, esses detalhes importam.
Vamos a um exemplo: imagine um fundo tradicional que entrega consistentemente 10% ao ano, desconsiderando os impostos cobrados. Esse mesmo fundo possui uma versão de previdência exatamente igual, também entregando o mesmo nível de retorno todos os anos.
Um único investimento inicial de R$ 100 mil no primeiro fundo, sem aportes adicionais, entregaria ao investidor, após 30 anos, cerca de R$ 730 mil líquido de impostos.
Na versão de previdência, aproveitando os benefícios fiscais do PGBL, a alíquota regressiva de IR e a ausência de come-cotas, o investidor sacaria o equivalente a R$ 1,57 milhão líquido.

É por isso que gosto tanto da analogia da Fórmula 1.
O piloto não encontrou um atalho. Muito menos trocou de carro no meio da corrida. Ele simplesmente continua perseguindo a mesma referência. Mas, à medida que avança com menos resistência, em algum momento pode até conseguir completar a ultrapassagem.
É exatamente isso que acontece com a previdência
Quando a versão previdenciária acompanha de perto uma estratégia tradicional, suas vantagens estruturais podem funcionar como esse “vácuo”, eliminando “resistências” ao longo do caminho, e entregando um resultado líquido ainda melhor ao investidor.
E existe ainda uma última característica da previdência que considero mais importante do que todas essas.
Além do “vácuo”, a previdência também pode ser uma das melhores ferramentas de planejamento sucessório. Ou seja, uma forma de deixar amparadas, no futuro, as pessoas mais importantes para você.
Mas essa é uma conversa para o próximo mês.
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