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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

MERCADOS HOJE

Nem retirada das tarifas salva: Ibovespa recua e volta aos 154 mil pontos nesta sexta (21), com temor sobre juros nos EUA

Índice se ajusta à baixa dos índices de ações dos EUA durante o feriado e responde também à queda do petróleo no mercado internacional; entenda o que afeta a bolsa brasileira hoje

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
21 de novembro de 2025
16:08 - atualizado às 20:43
Palavra IBOV com braços e pernas de desenho escorregando em uma banana e fundo vermelho com gráficos em queda | Ibovespa, dólar
IBOV escorregando em uma banana com gráficos em queda. - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A retirada da tarifa de 40% sobre mais de 200 produtos brasileiros pelos Estados Unidos não foi suficiente para dar um embalo positivo à bolsa brasileira nesta sexta-feira (21). Com a baixa liquidez típica de uma emenda de feriado, o Ibovespa recuou 0,39%, aos 154.770 pontos, mas no pior momento do pregão chegou a cair mais de 1% e perder os 154 mil pontos.

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Ainda que as bolsas americanas operem em alta hoje, o principal índice da B3 se ajusta ao mau desempenho de Wall Street ontem, quando a bolsa brasileira permaneceu fechada por conta do feriado do Dia da Consciência Negra.

O motivo? O temor do mercado de que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, afinal não corte juros na sua reunião de dezembro, depois que o payroll, principal relatório de empregos do país, mostrou uma geração de vagas bem acima do esperado no mês de setembro.

O movimento evidencia que o afrouxamento monetário nos EUA, e consequentemente no Brasil, continua sendo o principal motivo para as altas e baixas das ações brasileiras.

Hoje, no entanto, as bolsas lá fora apresentaram recuperação. O Dow Jones subiu 1,08%, o S&P 500 avançou 0,98%, e o Nasdaq teve alta de 0,88%.

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O dólar à vista, no entanto, acompanhou o mau humor local e subiu 1,18%, a R$ 5,4015.

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O peso do payroll de setembro nas bolsas

Até a noite de quarta-feira (19), pesava sobre as bolsas o temor de que houvesse um sobrepreço ou mesmo uma bolha nas ações de empresas de tecnologia ligadas à Inteligência Artificial, dada a euforia de valorização desses papéis nos últimos anos.

Embora esse temor permaneça, o balanço forte do terceiro trimestre reportado pela Nvidia, principal fabricante de chips de IA do mercado, fez o otimismo com o setor retornar. Com isso, as bolsas americanas começaram a quinta-feira (20) em alta.

A divulgação em atraso do payroll de setembro, no entanto, azedou os mercados lá fora. O relatório mostrou que os Estados Unidos criaram 119 mil vagas de emprego naquele mês, bem acima dos 50 mil novos postos de trabalho que o mercado esperava, segundo a mediana das projeções coletadas pelo Broadcast.

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Basicamente, um dado tão mais forte do que o esperado pelo mercado reduz as esperanças de cortes nos juros pelo Fed em dezembro.

Isso porque os números mostraram um mercado de trabalho ainda aquecido, o que pode pressionar a inflação, ainda não totalmente debelada.

De fato, a ata da última reunião do Fed, divulgada na quarta-feira, já tinha indicado as preocupações da autarquia com o possível sobrepreço dos ativos ligados à IA.

Além disso, evidenciou a forte divisão interna entre os diretores que votam nas decisões de juros, mostrando que muitos deles queriam a manutenção das taxas pelo resto do ano.

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Ontem a probabilidade de manutenção das taxas de juros pelo Fed em dezembro chegou a 60,9%, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group. Nesta sexta, porém, as maiores probabilidades voltaram a apontar para um corte de 0,25 ponto percentual.

Queda do petróleo também afeta o Ibovespa

Outro fato negativo para a bolsa brasileira é a forte queda do preço do petróleo nesta sexta-feira, que afeta ações de petroleiras, como as da Petrobras. O barril do Brent recuou 1,45%, para US$ 62,46, e o do WTI baixou 1,64%, para US$ 57,73.

Já os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 0,76%, a R$ 32,57, enquanto os ordinários (PETR3) tiveram queda de 0,86%, a R$ 34,56.

Além de serem pressionados pela menor expectativa de queda de juros nos EUA, os preços da commodity também respondem à notícia de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aceitou discutir com Washington um plano de paz para a guerra com a Rússia.

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A avaliação é de que um eventual acordo entre Estados Unidos e Ucrânia poderia aumentar a oferta de petróleo no mercado, gerando preocupações sobre o crescimento global da produção e uma demanda mais fraca.

Bitcoin também tomba com aversão a risco

As criptomoedas também sofrem com a aversão a risco desencadeada pela perspectivas de cortes de juros menores pelo Fed. Como tem se comportado mais como um ativo de risco do que como reserva de valor, o bitcoin (BTC) sentiu o impacto e chegou a cair mais de 10% de ontem para hoje, apresentando leve recuperação nesta sexta.

*Com informações do Money Times.

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