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Decreto publicado pela Casa Branca sobre as tarifas aos produtos brasileiros mudou os rumos das negociações desta quarta-feira (30); lá fora, decisão do Fed pesou no humor dos investidores
Todos os elementos para o Ibovespa terminar o dia no vermelho estavam em campo: o prazo para as tarifas dos EUA cada vez mais perto, Nova York em queda depois da decisão do Federal Reserve (Fed) sobre os juros e a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sem previsão de corte da Selic. Mas nos 45 do segundo tempo o jogo virou e o principal índice da bolsa brasileira subiu forte rumo ao fechamento.
Ao contrário do que acontece no futebol, não foi o calor da torcida que ajudou o Ibovespa a inverter o sinal e terminar o dia com alta de 0,95%, aos 133.989,74 pontos. A confirmação do decreto do governo norte-americano com a sobretaxa de 50% aos produtos importados brasileiros deu o gás para o índice na reta final do pregão de hoje.
A medida trouxe com ela a notícia de que a tarifa, prevista para entrar em vigor na sexta-feira, dia 1 de agosto, foi adiada em mais sete dias, passando a 6 de agosto.
Além disso, o documento também detalha setores e empresas que serão poupados da taxa — o que fez a Embraer disparar. Os papéis EMBR3 terminaram a sessão de hoje com alta de 10,93%, cotados a R$ 76,25.
O câmbio também sentiu os efeitos do detalhamento da taxação de Donald Trump ao Brasil, perdendo um pouco do fôlego da manhã. O dólar à vista terminou o dia com alta de 0,35%, cotado a R$ 5,5892.
O governo norte-americano anunciou hoje a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre artigos produzidos no Brasil, elevando o total para 50%.
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A medida foi justificada por uma nova emergência nacional, que Trump declarou com base na Lei dos Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 (IEEPA, na sigla em inglês).
A Casa Branca, porém, estabeleceu uma lista extensa de produtos brasileiros que não serão taxados, entre eles suco de laranja, celulose, gás natural liquefeito e algumas categorias de petróleo.
Entre as exceções elencadas pelos EUA para a tarifa de 50% para produtos produzidos no Brasil a partir de 6 de agosto estão 46 classes de produtos siderúrgicos voltados à indústria da aviação civil.
A longa lista de itens brasileiros isentos traz duas classes de produtos: uma geral e outra direcionada somente à indústria aeronáutica — nesta estão incluídos os produtos siderúrgicos. Estão entre eles tubos, canos e aços ligados, por exemplo. Arames e fios de cobre também entraram na exceção tarifária.
Não à toa, ações como a da Suzano (SUZB3) inverteram o sinal e fecham o dia com alta de 0,64%, a R$ 51,18. WEG (WEGE3) também foi outro papel que passou a subir e terminou a sessão com ganhos de 0,87%, a R$ 36,93, junto com Gerdau (GGBR4), que avançou 1,62%, a R$ 16,98.
Além de Embraer, que liderou os ganhos do Ibovespa hoje, Pão de Açúcar (PCAR3) apareceu em segundo lugar o pódio, com alta de 5,80%, e Magazine Luiza (MGLU3) ocupou a terceira posição, com ganho de 5,16%.
Na ponta negativa do índice, Engie (EGIE3) recuou 2,39%, seguida de Vale (VALE3) e Raia Drogasil (RADL3), com perdas de 1,95% e 1,92%, respectivamente.
Dessa vez o Ibovespa descolou das bolsas de Nova York, que fecharam em queda hoje na esteira da decisão de política monetária do Fed.
A indicação do presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, de que ainda não há uma decisão tomada sobre o corte de juros em setembro deixou os investidores em Wall Street de mau humor. Confira aqui a decisão completa do Fed, que manteve a taxa básica na faixa entre 4,25 e 4,50% ao ano.
O Dow Jones caiu 0,38%, fechando aos 44.461,28 pontos. O S&P 500 recuou 0,12%, encerrando aos 6.362,92 pontos, enquanto o Nasdaq foi a exceção, com alta de 0,15%, aos 21.129,67 pontos.
O Commerzbank pontuou que o Fed não sinalizou alívio monetário em setembro, mas o banco alemão ainda acredita que em um corte no próximo encontro. O holandês ING, por sua vez, só acredita que haverá flexibilização em dezembro. Enquanto a britânica Capital Economics avalia que a política monetária seguirá inalterada até o fim do ano.
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