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Por aqui, o Ibovespa teve uma reação morna, mas exportações brasileiras — especialmente de commodities — podem ser beneficiadas com o entendimento; saiba como

‘Cenário dos sonhos’, ‘melhor do que o esperado’, ‘mais viável’ — essas são algumas das expressões usadas pelos observadores de mercado para definir o acordo comercial entre EUA e China anunciado nesta madrugada. A bolsa de Nova York disparou, mas o Ibovespa teve uma reação morna à trégua na guerra de tarifas de Donald Trump.
Europa e na Ásia se recuperaram após o anúncio dos termos do acordo entre EUA e China, com europeu Stoxx 600 subindo 1%, o alemão DAX atingindo a máxima intradia em um ano e as ações listadas em Hong Kong subindo cerca de 3%.
Em Wall Street, o Dow Jones saltou 1.160,72 pontos, ou 2,81%, enquanto o S&P 500 teve alta de 3,26% e o Nasdaq subiu 4,35%.
Na manhã de hoje, o índice DXY, que mede o valor do dólar em relação a uma cesta das principais moedas, subia 1%. O yield (rendimento) do título do Tesouro dos EUA de 10 anos, referência no mercado, avançava 6 pontos-base, com a queda do preço.
Por aqui, a temperatura do mercado ficou bem mais baixa. No mesmo horário, o Ibovespa terminou o dia com leve alta de 0,04%, aos 136.563,18 pontos, enquanto o dólar no mercado à vista teve alta de 0,52%, cotado a R$ 5,6840.
Depois que representantes dos EUA e da China passaram o final de semana negociando o fim da guerra comercial travada por Trump, na madrugada desta segunda-feira (12) veio a trégua.
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O acordo prevê uma pausa de 90 dias nas tarifas impostas aos produtos importados da China, mas isso não significa que não serão taxados.
As chamadas tarifas recíprocas cairão de mais de 100% para 10% para ambos os lados e o governo Trump manterá as taxas de 20% relacionadas ao fentanil, o que significa que as tarifas totais dos EUA sobre as importações chinesas permanecerão em 30% enquanto a pausa de 90 dias estiver em vigor.
Analistas afirmam que o novo acordo entre EUA e China poderia reacender o sentimento de risco, beneficiando ações e ativos norte-americanos — o que explica, em parte, a reação mais morna do Ibovespa.
Tai Hui, estrategista-chefe de mercado para a Ásia-Pacífico da JPMorgan Asset Management, afirmou que o acordo é melhor do que o previsto, embora a incerteza persista.
"O período de 90 dias pode não ser suficiente para que as duas partes cheguem a um acordo detalhado, mas mantém a pressão sobre o processo de negociação", disse Hui.
"Ainda estamos aguardando mais detalhes sobre outros termos deste acordo, por exemplo, se a China flexibilizará as restrições à exportação de terras raras", acrescentou.
Para André Valério, economista sênior do Inter, embora os detalhes do acordo não tenham sido bem explicados, é um avanço considerável e que traz alívio aos mercados.
“O que se vê são os mercados precificando um cenário mais positivo para a economia norte-americana em termos de crescimento”, disse Valério. “Com isso, observamos o real perdendo força na margem, em linha com as moedas emergentes”, acrescenta.
Ele lembra ainda que o entendimento entre China e EUA reduz as chances de uma recessão na economia chinesa e no resto do mundo, o que é positivo para as exportações brasileiras, principalmente as de commodities, o que pode contribuir para uma depreciação menos intensa do real.
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