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Bancos, seguradoras e elétricas lideram e uma empresa de shoppings será a grande revelação do próximo ano
Ofuscados pela renda fixa e pelos juros elevados, os dividendos voltaram ao centro das atenções nesta reta final do ano. A nova tributação impulsionou uma onda de distribuições antecipadas e reacendeu o debate sobre o futuro da renda passiva.
A grande dúvida é se a estratégia seguirá atrativa em 2026, ano de juros ainda altos, bolsa volátil por causa das eleições e empresas ajustando seus modelos à tributação. Analistas ouvidos pelo Seu Dinheiro avaliam que a tese continua válida, mas com mudanças importantes.
Para eles, o espaço para commodities, como petroleiras e mineradoras, tende a diminuir, enquanto ganham força empresas com geração de caixa estável e histórico previsível de payout (parcela do lucro destinada a proventos). O tradicional arroz com feijão dos dividendos volta ao protagonismo.
Setores defensivos, como bancos, seguros, elétricas e saneamento, devem se destacar. Mas analistas também enxergam oportunidades em segmentos menos óbvios, como construção civil, shoppings e indústria.
O dividendo extraordinário perde espaço, abrindo caminho para distribuições ordinárias, sustentáveis e consistentes. Nesta outra reportagem, você entende o que esperar do cenário de dividendos em 2026.
Diante de tantas incertezas, quais são as ações preferidas de grandes bancos e corretoras para quem busca dividendos em 2026? E será que analistas independentes pensam igual? Consultamos diversas fontes para responder a essas perguntas.
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Levantamento do Seu Dinheiro com cinco bancos e corretoras aponta as 11 ações mais indicadas para dividendos em 2026, considerando recomendações de BB Investimentos (BB-BI), BTG Pactual, Itaú BBA, Ágora e Terra Investimentos.
O Itaú (ITUB4) lidera a lista com três recomendações, sustentado por lucros fortes, rentabilidade crescente e proventos previsíveis. Ao seu lado, a Allos (ALOS3) ganha destaque após triplicar a distribuição mensal para cerca de R$ 150 milhões, equivalente a R$ 0,28 a R$ 0,30 por ação.
Mesmo com a desaceleração esperada nos dividendos de commodities, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) seguem entre as preferidas do mercado.
O ranking inclui ainda elétricas, mineradoras de ouro, seguradoras, bancos e construtoras de baixa renda. Os dividend yields (retorno com dividendos) projetados variam de 6,5% a 14% em 2026. Veja a lista:
| Ação | Dividend yield projetado para 2026 | Preço-alvo | Quem recomenda | Indicação |
|---|---|---|---|---|
| Itaú (ITUB4) | - 6,80% - 6,50% - 7% | - R$ 40,60 - R$ 50 - R$ 47 | - BB-BI - BTG - Terra | Compra |
| Allos (ALOS3) | - 12,80% - 7,50% - 14,00% | - R$ 28 - R$ 25 - R$ 34 | - Itaú BBA - BTG - Ágora | Compra |
| Petrobras (PETR4) | - 11,20% - 11% | - R$ 45 - R$ 40 | - BB-BI - Terra | - Neutro - Compra |
| Vale (VALE3) | - 9% - 6,8% | - R$ 75 - R$ 83 | - Terra - Ágora | Compra |
| Itaúsa (ITSA4) | 9,30% | - | BB-BI | Sem indicação |
| Aura Minerals (AURA33) | 6,20% | R$ 78 | Itaú BBA | Compra |
| Copel (CPLE6) | 9,10% | R$ 14 | BTG | Compra |
| Bradesco (BBDC4) | 7,30% | R$ 21 | BTG | Compra |
| Direcional (DIRR3) | 8,30% | R$ 20 | BTG | Compra |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | 8,50% | R$ 19 | Terra | Compra |
| Axia Energia (AXIA3) | 8,00% | R$ 70 | Terra | Compra |
Não é de hoje que o Itaú surpreende em proventos. Desde 2024, o banco privado mantém trajetória crescente de lucros, ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) e remuneração aos acionistas.
Levantamento exclusivo do Meu Dividendo para o Seu Dinheiro mostra que, em 2025, o Itaú lidera o ranking de maiores pagadoras da bolsa, com R$ 74,067 bilhões distribuídos, alta de 166% ante 2024. O dividendo por ação também saltou de R$ 2,82 para R$ 7,39, avanço de 162%. Veja estudo.
Para 2026, analistas esperam que o banco siga atrativo em dividendos, podendo entregar até 7% de dividend yield, somado a uma boa valorização. Na visão de Rafael Reis, analista da BB Investimentos, embora o yield do Itaú seja mais modesto que o de outras pagadoras, ele conversa com o valor da ação, já que o lucro cresce ano após ano. O desafio, segundo ele, é manter essa trajetória.
Reis lembra que, no passado, a rentabilidade do ROE esperada dos bancos era de cerca de 20%, mas o Itaú já entrega 23,3%, destrava valor e ainda paga dividendos robustos e até extraordinários. “Um voo de cruzeiro interessante”, afirma o analista, que vê o banco como líder em rentabilidade e consistência de proventos em 2026.
Bruno Henriques, analista do BTG, destaca que o Itaú é o banco com maior colchão de capital. Pelo mínimo regulatório, precisaria ter índice de 11%, mas trabalha com meta entre 11,5% e 12%. Tudo o que ultrapassa 12% é distribuído aos acionistas.
No operacional, Henriques avalia que o banco melhora eficiência, ganha produtividade e continua gerando capital. Há metas fortes para os próximos cinco anos, como migrar 100% para a nuvem e reduzir custos do varejo.
O banco também mira crescimento, mas deve equilibrar esse movimento com dividendos, desde que lucros e rentabilidade sigam em alta. Mesmo com volatilidade eleitoral, juros altos e tributação, o Itaú mantém confiança.
Ao Seu Dinheiro, Renato Lulia, diretor de RI do Itaú, afirmou que a instituição está pronta para acelerar se o macro ajudar, mas também tem folga no balanço para enfrentar cenários mais duros.
Em 2026, a estratégia segue baseada em juros sobre capital próprio (JCP) mensais no limite permitido, distribuições trimestrais maiores, pelo menos dois pagamentos ao ano e dividendos adicionais robustos no início de 2027. Para o ROE, o Itaú acredita ter condições de sustentar 23% no médio prazo.
A grande revelação para 2026 é a Allos (ALOS3). A companhia adotou pagamentos mensais desde outubro de 2024, em torno de R$ 0,10 por ação. Para 2026, projeta triplicar esse valor para R$ 0,28 a R$ 0,30, o que representa cerca de R$ 150 milhões por mês e leva o dividend yield para perto de 13%.
Victor Natal, analista do Itaú BBA, reconhece que shoppings não são ativos clássicos de dividendos, mas afirma que a recorrência mensal tem peso relevante. “É mais interessante receber um valor mês a mês do que acumulado no final do ano, isso traz o valor da companhia para o presente”, comenta.
Natal destaca ainda que a empresa tende a se beneficiar dos cortes de juros esperados a partir de janeiro, já que o setor tem receitas previsíveis, atreladas à inflação. “Allos responde bem aos cortes da Selic”, pontua.
Para 2027, porém, o cenário dos dividendos dependerá da continuidade do ciclo de queda dos juros e do comportamento das cotações, que podem disparar e reduzir o yield.
Na Ágora Investimentos, os analistas Ricardo França e Renato Chanes projetam um 2026 de investimentos conservadores, dividendos maiores e dividend yield próximo de 14%, com alavancagem abaixo de duas vezes dívida líquida sobre Ebitda.
A média de dividendos da bolsa é de cerca de 6%. Para os analistas, o setor de shoppings pode se consolidar como líder na remuneração ao acionista em 2026.
Menos sexys, mas ainda relevantes, Petrobras e Vale seguem no radar dos dividendos. Na petroleira, Regis Chinchila, head de research da Terra Investimentos, lembra que a companhia comprovou a força do caixa e continua tendo uma agenda forte em dividendos, mesmo com a queda de 16% do petróleo em 2025.
Segundo a Meu Dividendo, a Petrobras já repassou R$ 53,87 bilhões aos acionistas neste ano, superando sozinha várias empresas do Ibovespa. “A sustentabilidade desses proventos dependerá da gestão e do preço do petróleo, mas há histórico de grandes distribuições”, afirma.
No caso da Vale, a geração de caixa apoiada nos preços do minério sustenta os pagamentos, embora o ciclo da commodity exija atenção. “A estrutura de capital suporta proventos recorrentes em cenários favoráveis”, diz Chinchila. A companhia costuma distribuir proventos em março e setembro.
Quando se observam as escolhas dos analistas independentes, os setores tradicionais continuam dominando, com liderança de bancos e elétricas. Mas há espaço também para small caps e nomes fora do radar, como Marcopolo, Metal Leve, Plano & Plano e Valid. Veja abaixo:
| Ação | Dividend yield projetado para 2026 | Preço-teto | Quem recomenda | Indicação |
|---|---|---|---|---|
| BB Seguridade (BBSE3) | - 10,60% - 9% até 9,5% - 12,47% - 12% | - R$ 38,30 - R$ 36 - R$ 37,36 - R$ 37 | - VG Research - GuiaInvest - AGF - Blue3 Research | Compra |
| Axia (AXIA6) | - 9% - 13,40% | - R$ 62 - R$ 63 | - VG Research - Hub do Investidor | - Neutra - Compra |
| BMG (BMGB4) | 11,60% | R$ 4,50 | VG Research | Compra |
| BR Partners (BRBI11) | 8,90% | R$ 20 | Hub do Investidor | Compra |
| Bradesco (BBDC4) | 7,46% | R$ 17,31 | AGF | Compra |
| Cemig (CMIG4) | 11,03% | R$ 13,10 | AGF | Compra |
| Isa Energia (ISAE4) | 10,09% | R$ 28,07 | AGF | Compra |
| Itaú (ITUB3) | 8% | R$ 40 | Nord Research | Compra |
| Marcopolo (POMO3) | 10% | R$ 9 | Nord Research | Compra |
| Metal Leve (LEVE3) | 15% | R$ 34 | Blue3 Research | Compra |
| Plano & Plano (PLPL3) | 13% | R$ 17,50 | Blue3 Research | Compra |
| Vale (VALE3) | 9% | R$ 66 | GuiaInvest | Compra |
| Valid (VLID3 | 11% | R$ 27 | Nord Research | Compra |
A BB Seguridade (BBSE3) lidera as preferências entre analistas independentes, mesmo com expectativa de desaceleração de lucros e dividendos em 2026. Conhecida pela resiliência em cenários de Selic alta ou baixa, a companhia segue vista como destaque para renda passiva.
Para Milton Rabelo, analista da VG Research, a BB Seguridade tem potencial até para figurar entre as maiores pagadoras da bolsa em 2026. Ele reconhece sinais de deterioração operacional, mas lembra que o resultado financeiro ainda se beneficia dos juros elevados, que o Focus projeta em 12% no fim de 2026.
Rabelo acrescenta que o papel recuou em 2025 por temores ligados ao Banco do Brasil, ao agronegócio e à queda no seguro rural, embora veja os resultados da seguradora como mais resilientes por causa das receitas de previdência.
“Mesmo em um cenário de deterioração adicional do resultado operacional em 2026, as ações BBSE3 possuem uma boa margem de segurança para compra”, afirma Rabelo. Para ele, a companhia combina lucros estáveis, forte distribuição de proventos e preços atraentes.
Historicamente, BBSE3 paga 80% dos lucros, mas desde 2019 distribui 90%, com dois pagamentos anuais, em fevereiro e agosto. Diante da nova tributação para dividendos mensais acima de R$ 50 mil, Rabelo vê chance de a empresa passar o prazo das distribuições para trimestral, uma demanda recorrente dos investidores.
Sergio Biz, analista do GuiaInvest, aponta poucos riscos no radar. O principal é a renovação do contrato com o Banco do Brasil para ofertar seguros pelos canais digitais e presenciais do banco, responsável por mais de 90% das receitas, que vence em 2031.
“A renovação deve ocorrer, mas o que está em dúvida são os termos. Apesar disso, quem investe em BB Seguridade vai receber praticamente o valor de mercado da companhia em dividendos até lá”, afirma Biz.
Pedro Galdi, analista do AGF, reforça a importância da rede de agências do Banco do Brasil para o crescimento da seguradora. Segundo ele, riscos como aumento de sinistros e descasamentos inflacionários não tiram da empresa o status de grande pagadora de proventos.
Outra surpresa positiva para 2026 é a Axia (AXIA3), vista como futura vaca leiteira do mercado, com potencial de entregar dividendos de até 13,40%.
Para Jayme Simão, sócio do Hub do Investidor, a companhia vive seu melhor momento desde a privatização, impulsionada por eficiência operacional, cortes de custos, reorganização do portfólio e desinvestimentos, somados à previsibilidade do segmento de geração e transmissão elétrica.
Simão considera a Axia uma forte candidata a maior pagadora de 2026. “A companhia está protegida da volatilidade eleitoral, pelo caráter defensivo do setor e ciclo operacional extremamente favorável. Geração de caixa e desinvestimentos reforçam pagamentos elevados”, afirma.
Aurélio Sales, da VG Research, destaca a redução gradual dos empréstimos compulsórios, das despesas operacionais e a conclusão de acordos judiciais. Os dividendos vêm crescendo: foram R$ 4 bilhões em 2024, yield de 4,4% e payout de 40%.
Em 2025, o terceiro trimestre somou R$ 4,3 bilhões, totalizando R$ 8,3 bilhões no ano, yield de 8,85%. “Além disso, a companhia apresentou proposta de distribuir reservas de lucros até 2031, na ordem de R$ 40 bilhões”, diz.
A empresa também tem adotado estratégias criativas para lidar com a tributação, como a criação de uma nova classe de ações preferenciais, com direito a dividendos e possibilidade de conversão ou resgate até 2031.
No campo industrial, Marcopolo (POMO4) e Metal Leve (LEVE3) ganham destaque. Victor Bueno, da Nord Research, aponta a Marcopolo como uma das maiores apostas, impulsionada pela idade média elevada da frota de ônibus no Brasil e pelo avanço das exportações.
Segundo ele, a empresa pode crescer cerca de 10% ao ano no médio prazo, mantendo endividamento confortável e capacidade de entregar dividendos de dois dígitos. A Nord prefere as ações ordinárias.
A Metal Leve, fabricante de peças e motores, mostra força em diferentes ciclos econômicos. Renato Reis, da Blue3 Research, explica que em economias aquecidas há mais troca de carros; em períodos fracos, aumenta a troca de peças, o que torna a empresa resiliente até em crises.
Com dividend yield projetado de 15%, Reis avalia que a companhia pode facilmente figurar entre as maiores pagadoras da bolsa em 2026, sem ser afetada por Selic alta ou volatilidade eleitoral.
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