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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

O DRAGÃO VOLTOU

A bolsa da China vai engolir Wall Street? Como a pausa do excepcionalismo dos EUA abre portas para Pequim

Enquanto o S&P 500 entrou em território de correção pela primeira vez desde 2023, o MSCI já avançou 19%, marcando o melhor começo de ano na história do índice chinês

Carolina Gama
19 de março de 2025
13:32 - atualizado às 14:00
Guerra comercial EUA China mercados
Imagem: Shutterstock

Há uma semana, o Citi mudou a estratégia de alocação de ativos globais, elevando as ações da China compra e cortando a exposição aos papéis dos EUA para neutro. Antes, o Bridgewater Associates, do bilionário Ray Dalio, divulgava um alerta sobre o fim da exuberância de Wall Street. Agora, são os números que mostram que o excepcionalismo norte-americano está em pausa, abrindo uma porta para Pequim.

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O S&P 500 entrou na semana passada em território de correção pela primeira vez desde 2023 — isso acontece quando o índice cai mais de 10% do pico mais recente. Em contraste, o MSCI da China já avançou 19% no ano até 9 de março, de acordo com o Goldman Sachs, marcando o melhor começo de ano na história.

O movimento reforça a tese de que as ações chinesas vão superar os pares norte-americanos em um sinal de que avaliações atraentes estão superando a ideia do excepcionalismo dos EUA.

O que mudou de lá para cá

Essa não é qualquer mudança. Há alguns meses, as ações da China estavam definhando devido a preocupações regulatórias e com a saúde da segunda maior economia do mundo. 

Até então, os investidores acreditavam que os EUA estavam posicionados de forma única para enfrentar tempestades econômicas e políticas que atingiam outros países. 

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 Mas muita coisa mudou com a volta de Donald Trump à Casa Branca. A política de tarifas do presidente norte-americano alimenta especulações sobre uma recessão nos EUA.

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Enquanto isso, na China, o otimismo em torno das capacidades de inteligência artificial do país se intensificou desde a introdução do modelo R1 da DeepSeek no início deste ano.

Não bastasse isso, o governo chinês também sinalizou ativamente o apoio ao setor de tecnologia local, com planos de aumentar o financiamento sobre a mesa.

O resultado veio. O índice Hang Seng Tech, que rastreia algumas das maiores empresas de tecnologia chinesas listadas em Hong Kong, subiu mais de 30% desde o início do ano, de acordo com dados do LSEG.

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Não à toa, o Nasdaq também entrou em território de correção, arrastado por uma liquidação das ações das Sete Magníficas impulsionado por preocupações com a recessão e temores de guerra comercial. O grupo das Sete Magníficas é formado por Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.

TRUMP ESTÁ EMPURRANDO OS EUA PARA UMA RECESSÃO? China, Brasil e Europa "grandes de novo"?

As ações da China estão baratas, mas não é só isso

É um fato que as ações estão mais atraentes em relação às contrapartes globais em mercados como o da China, onde o posicionamento do investidor continua extremamente baixo.

O índice MSCI, por exemplo, está sendo negociado atualmente a 13,38 vezes os lucros projetados para um ano, de acordo com a FactSet. Em termos de comparação, o S&P 500 está sendo negociado a 20,72 vezes os lucros projetados para um ano.

Além de avaliações mais baratas, outros fatores também estão alimentando o momento otimista do mercado chinês. 

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Além de as ações A da China estarem bastante deprimidas há algum tempo, enquanto as dos EUA estão em alta há pelo menos cinco anos, especialistas apontam que os estímulos do governo de Xi Jinping finalmente estão chegando à economia e ao mercado local. 

*Com informações da CNBC

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