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“REALMENTE ME ASSUSTA”

A bolha da IA pode estourar onde ninguém está olhando, alerta Daniel Goldberg: o verdadeiro perigo não está nas ações

Em participação no Fórum de Investimentos da Bradesco Asset, o CIO da Lumina chamou atenção para segmento que está muito exposto aos riscos da IA… mas parece que ninguém está percebendo

Painel sobre investimentos alternativos e Inteligência Artificial Bradesco Asset
Ao centro falando está Daniel Goldberg, CIO da Lumina Capital. Ao lado direito dele, está Lucas Canhoto, Sócio Gerente da Prisma. - Imagem: Dilvulgação

Diante do rali quase exponencial e dos investimentos sem precedentes que as empresas de tecnologia têm feito em quase tudo que ronda a inteligência artificial (IA), o medo de que tudo isso não passe de mais uma bolha no mercado acionário tem assombrado investidores do mundo inteiro. 

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Mas Daniel Goldberg, CIO da Lumina Capital, não parece muito preocupado com isso. Para ele, o real perigo de bolha ligada à IA não está nas ações de empresas e sim em outro segmento: o de crédito privado.

Em um painel do Fórum de Investimentos da Bradesco Asset, na última quarta-feira (12), o gestor afirmou que a indústria de crédito high yield (de alto risco) lá fora migrou em peso para as empresas de software nos últimos anos — o que é um problema uma vez que boa parte desses serviços pode ser disruptada pela inteligência artificial.

“A indústria de crédito inteira migrou para software. Se olharmos a média histórica dos últimos 30 anos, em torno de 2% a 6% do mercado de high yield é absorvido por essa indústria. Hoje, esse número está em torno de 10%. Ou seja, uma em cada dez operações globais desse tipo está concentrada em software”, disse Goldberg.

O que ele quer dizer é que houve uma migração em massa para financiar empresas de software — mesmo as mais arriscadas —, uma vez que havia uma avaliação de que a relação entre risco e retorno seria favorável, já que essas companhias são vistas como modelos com certa previsibilidade.

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Só que a inteligência artificial agora ameaça esse setor, já que parte das soluções de software pode ser substituída ou perder valor rapidamente com novas tecnologias.

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O verdadeiro perigo de bolha em IA, segundo Daniel Goldberg

Goldberg também destaca que, como essas empresas são consideradas muito seguras, gestoras de crédito e fundos de private equity estão emprestando muito dinheiro para elas — bem mais do que emprestariam para companhias de outros setores.

“A turma está alavancando como se não houvesse amanhã. Por exemplo, em uma mineradora, os gestores avaliam que é possível alavancar em cerca de duas vezes o patrimônio da companhia. Mas nas empresas de software, isso chega a mais de sete vezes”, afirma. 

Ele complementa dizendo que, como essas companhias podem chegar a valer até 20 vezes o patrimônio, um loan to value (LTV, métrica que indica quanto do valor da companhia é financiado por dívidas), de 50% parece aceitável para a maioria dos gestores.

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“Mas aí chega a inteligência artificial, com uma série de aplicações, e muito software deixa de ser necessário e, mesmo que essas empresas não quebrem, elas podem cair à metade do valor de antes — ou seja, aqueles 50% viram pó. Eu realmente acho que o mercado não está preparado para isso e é o que mais me assusta”, afirma o gestor. 

Quando Goldberg diz que “aqueles 50% viram pó”, ele está se referindo ao equity das empresas de software. Hoje, muitas delas operam com um loan to value de cerca de 50% — ou seja, metade do valor da companhia é dívida e a outra metade pertence aos acionistas. 

Isso funciona enquanto essas empresas valem muito, negociando a 15 ou 20 vezes lucro. O problema é que, se a inteligência artificial reduzir esse valor pela metade, a conta deixa de fechar: a dívida continua exatamente a mesma, mas o valor total da empresa cai para um nível que cobre apenas o que ela deve. 

Nesse cenário, o equity simplesmente desaparece, porque todo o valor passa a estar comprometido com os credores. É essa possibilidade de uma perda abrupta de valor em negócios altamente alavancados que, segundo Goldberg, o mercado ainda não percebeu.

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