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Em participação no Fórum de Investimentos da Bradesco Asset, o CIO da Lumina chamou atenção para segmento que está muito exposto aos riscos da IA… mas parece que ninguém está percebendo

Diante do rali quase exponencial e dos investimentos sem precedentes que as empresas de tecnologia têm feito em quase tudo que ronda a inteligência artificial (IA), o medo de que tudo isso não passe de mais uma bolha no mercado acionário tem assombrado investidores do mundo inteiro.
Mas Daniel Goldberg, CIO da Lumina Capital, não parece muito preocupado com isso. Para ele, o real perigo de bolha ligada à IA não está nas ações de empresas e sim em outro segmento: o de crédito privado.
Em um painel do Fórum de Investimentos da Bradesco Asset, na última quarta-feira (12), o gestor afirmou que a indústria de crédito high yield (de alto risco) lá fora migrou em peso para as empresas de software nos últimos anos — o que é um problema uma vez que boa parte desses serviços pode ser disruptada pela inteligência artificial.
“A indústria de crédito inteira migrou para software. Se olharmos a média histórica dos últimos 30 anos, em torno de 2% a 6% do mercado de high yield é absorvido por essa indústria. Hoje, esse número está em torno de 10%. Ou seja, uma em cada dez operações globais desse tipo está concentrada em software”, disse Goldberg.
O que ele quer dizer é que houve uma migração em massa para financiar empresas de software — mesmo as mais arriscadas —, uma vez que havia uma avaliação de que a relação entre risco e retorno seria favorável, já que essas companhias são vistas como modelos com certa previsibilidade.
Só que a inteligência artificial agora ameaça esse setor, já que parte das soluções de software pode ser substituída ou perder valor rapidamente com novas tecnologias.
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Goldberg também destaca que, como essas empresas são consideradas muito seguras, gestoras de crédito e fundos de private equity estão emprestando muito dinheiro para elas — bem mais do que emprestariam para companhias de outros setores.
“A turma está alavancando como se não houvesse amanhã. Por exemplo, em uma mineradora, os gestores avaliam que é possível alavancar em cerca de duas vezes o patrimônio da companhia. Mas nas empresas de software, isso chega a mais de sete vezes”, afirma.
Ele complementa dizendo que, como essas companhias podem chegar a valer até 20 vezes o patrimônio, um loan to value (LTV, métrica que indica quanto do valor da companhia é financiado por dívidas), de 50% parece aceitável para a maioria dos gestores.
“Mas aí chega a inteligência artificial, com uma série de aplicações, e muito software deixa de ser necessário e, mesmo que essas empresas não quebrem, elas podem cair à metade do valor de antes — ou seja, aqueles 50% viram pó. Eu realmente acho que o mercado não está preparado para isso e é o que mais me assusta”, afirma o gestor.
Quando Goldberg diz que “aqueles 50% viram pó”, ele está se referindo ao equity das empresas de software. Hoje, muitas delas operam com um loan to value de cerca de 50% — ou seja, metade do valor da companhia é dívida e a outra metade pertence aos acionistas.
Isso funciona enquanto essas empresas valem muito, negociando a 15 ou 20 vezes lucro. O problema é que, se a inteligência artificial reduzir esse valor pela metade, a conta deixa de fechar: a dívida continua exatamente a mesma, mas o valor total da empresa cai para um nível que cobre apenas o que ela deve.
Nesse cenário, o equity simplesmente desaparece, porque todo o valor passa a estar comprometido com os credores. É essa possibilidade de uma perda abrupta de valor em negócios altamente alavancados que, segundo Goldberg, o mercado ainda não percebeu.
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