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O dólar blue entrou em julho com a mesma força vista no mês anterior e bateu novo recorde nesta terça-feira (1); entenda o movimento
Julho é o mês das férias e muita gente por aí cogita ir para a Argentina — a viagem é rápida e o câmbio compensa. Se você faz parte desse grupo, provavelmente deve ter ouvido por aí que o governo de Javier Milei poderia desvalorizar ainda mais o peso ante o dólar.
Mas não se empolgue (tanto). A Argentina continua sendo um destino atrativo para os brasileiros — nesta terça-feira (2), 1 real comprava 161 pesos argentinos —, mas não deve ficar ainda mais barata.
Mais cedo, o porta-voz do governo da Argentina, Manuel Adorni negou planos de implementar uma desvalorização do peso argentino ante o dólar.
Os comentários foram feitos em meio a mais uma sessão marcada pela disparada da moeda norte-americana, que voltou a renovar recorde histórico no câmbio paralelo argentino.
Enquanto o governo corria para desmentir os planos de desvalorização adicional do peso, o dólar blue, como é conhecida a cotação paralela da moeda norte-americana mais popular na Argentina, entrou em julho mantendo a força vista no mês anterior.
Depois de fechar a segunda-feira (1) cotado a 1.405 pesos — uma alta de 2,93% ante a semana passada — o dólar blue iniciou esta terça-feira (2) apontando para um novo recorde, depois de chegar a 1.425 pesos.
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O motor desse avanço é a especulação de que o governo de Milei acabaria com o cepo cambial — como é conhecida a restrição de compra de moeda estrangeira na Argentina em referência a um instrumento de tortura no qual as pessoas condenadas ficavam presas à madeira, pela cabeça e braços ou pelos pés.
Atualmente, o país limita a US$ 200 mensais as compras para pessoas físicas, pela cotação oficial, sobre a qual ainda incide imposto de 60%, além de outras restrições.
Ainda ajuda no movimento do câmbio o desconforto por parte dos investidores com as medidas econômicas anunciadas pelo ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, na última sexta-feira.
O pacote de Caputo, descrito como a "segunda etapa do plano de estabilização", prevê a transferência da dívida do Banco Central para o Tesouro. O objetivo é eliminar o financiamento monetário do passivo, uma das demandas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
No entanto, os mercados se decepcionaram com a falta de clareza sobre a política cambial, de acordo com a imprensa local. Em particular, não houve um plano específico para o fim do cepo cambial.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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