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As incertezas sobre a política dos EUA deixaram marcas nos primeiros debates do G20; avanços em acordos internacionais também são temas dos encontros
O Grupo dos 20 (G20) deu início às reuniões com o lançamento de uma aliança global para combater a pobreza e a fome, apoiada por mais de 80 países — mas os líderes presentes não conseguiram escapar da sombra de Donald Trump.
Isso vale, em especial, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrenta o desafio de equilibrar a política interna e externa do Brasil com a incerteza das políticas do novo governo norte-americano. Trump toma posse em 20 de janeiro.
Os líderes do G20 se reuniram nesta segunda-feira (18) no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para dois dias de debates.
As discussões sobre comércio, mudanças climáticas e segurança internacional estão no centro das mudanças radicais prometidas por Trump na política dos Estados Unidos — que vão desde tarifas comerciais até uma solução negociada para a guerra na Ucrânia.
Em seu discurso de abertura, Lula destacou os efeitos devastadores das mudanças climáticas, visíveis em todo o mundo, e convocou os líderes a tomar ações concretas para enfrentar o aquecimento global e a pobreza.
A aliança global lançada por Lula busca coordenar esforços internacionais para erradicar a fome e a pobreza.
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A iniciativa conta com o apoio da União Africana, União Europeia, organizações internacionais, bancos de desenvolvimento e entidades filantrópicas, como a Fundação Rockefeller e a Fundação Bill & Melinda Gates.
O presidente chinês, Xi Jinping, também anunciou medidas voltadas ao apoio do Sul Global.
Em seu discurso, Xi destacou que a China implementará oito ações para o desenvolvimento global, incluindo a construção de uma "Iniciativa do Cinturão e Rota de alta qualidade" — sua principal política externa que financia projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento.
Xi revelou ainda que China, Brasil, África do Sul e União Africana estão lançando uma "Iniciativa de Cooperação Internacional em Ciência Aberta", voltada a impulsionar inovações científicas e tecnológicas no Sul Global.
"A China apoia o G20 na realização de cooperação prática em benefício do Sul Global", afirmou Xi, segundo a agência estatal Xinhua. Ele acrescentou que as importações chinesas de países em desenvolvimento devem ultrapassar US$ 8 trilhões até 2030.
Já o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou a destinação de US$ 4 bilhões ao fundo da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) do Banco Mundial, voltado para os países mais pobres.
Segundo fontes, o valor representa um recorde, superando os US$ 3,5 bilhões comprometidos por Washington na rodada anterior, em dezembro de 2021.
*Com informações da Reuters
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