Mais tensão no Oriente Médio: após explosões de pagers e walkie-talkies, Israel e Hezbollah trocam ataques; risco é conflito generalizado
Israel e Hezbollah trocaram bombardeios neste fim de semana; presidente israelense nega envolvimento do país na explosão de dispositivos do grupo militante

O norte de Israel foi atingido, neste domingo (22), por cerca de 150 foguetes, a maioria dos quais disparada a partir do Líbano, disse o exército israelense. Foguetes lançados a partir do Iraque foram interceptados.
Alguns dos projéteis atingiram áreas civis, incluindo locais próximos à cidade portuária de Haifa, o que feriu pelo menos três pessoas e levou milhares de israelenses a buscarem abrigos. Ataques anteriores na região haviam focado em alvos militares.
A ofensiva de hoje configura mais um episódio da escalada das tensões na região nos últimos meses, levando o mundo, incluindo os mercados financeiros, a temerem um conflito em larga escala no Oriente Médio, somando as tensões entre Israel e o grupo paramilitar libanês Hezbollah à guerra do país contra o Hamas em Gaza.
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Na última sexta-feira (20), Israel já havia realizado um ataque aéreo em uma área residencial de Beirute que, segundo o Líbano, resultou na morte de 45 pessoas, incluindo crianças e um dos principais líderes do Hezbollah, Ibrahim Aqil.
O bombardeio derrubou um edifício de oito andares no subúrbio da capital libanesa enquanto membros do grupo radical se reuniam no porão, segundo Israel. No total, 16 integrantes da milícia morreram e 68 pessoas ficaram feridas.
Já no sábado (21), o exército israelense fez ataques contra alvos do Hezbollah, alegando ter atingido quase 300 deles. Segundo o Líbano, três pessoas foram mortas em ataques no sul do país já no domingo.
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O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, prometeu intensificar as ações contra o Hezbollah, afirmando que as operações continuarão "até que os residentes do norte de Israel possam voltar para suas casas em segurança".
Tropas israelenses também invadiram o escritório da Al Jazeera na Cisjordânia, ordenando seu fechamento temporário em meio a uma campanha contra a cobertura da guerra em Gaza pela emissora.
A situação levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a emitir um alerta. Jeanine Hennis-Plasschaert, coordenadora especial para o Líbano, advertiu sobre o risco de uma "catástrofe iminente" na região, ressaltando que não há solução militar que garanta segurança.
Explosões de pagers e walkie-talkies durante a semana elevaram tensões entre Israel e Hezbollah
Dias antes, 39 pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas depois que pagers e walkie-talkies usados pelo Hezbollah explodiram em diferentes localidades no Líbano. A milícia utilizava os aparelhos como alternativa aos telefones celulares, por medo de ataques hackers.
No entanto, o presidente de Israel, Isaac Herzog, negou que o país seja o responsável por essas explosões nos dispositivos do grupo militante.
Em entrevista à emissora britânica Sky News, Herzog disse que o Hezbollah tem "muitos inimigos", rejeitou qualquer ligação de Israel com as explosões e disse que o país não tem interesse em entrar em guerra com a milícia libanesa, embora tenha admitido que as tensões estão altas.
O Hezbollah, no entanto, atribui o ataque a Israel, mais especificamente à Mossad, agência de espionagem responsável pelas ações de inteligência fora do território israelense.
Mesmo jornais ocidentais relatam o envolvimento de Israel, descrevendo a operação que plantou os explosivos nos dispositivos do grupo libanês.
Autoridades e especialistas em segurança afirmam que provavelmente os agentes se infiltraram na cadeia de fabricação dos pagers e walkie-talkies para instalar explosivos nos dispositivos, que seriam acionados por meio de um código.
*Com informações da Bloomberg, Associated Press e Broadcast.
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