Kamala Harris propõe volta a uma era pré-Trump, mas não diz como
Kamala Harris aceitou formalmente na noite de quinta-feira a candidatura do Partido Democrata às eleições de novembro nos EUA

A vice-presidente norte-americana Kamala Harris cumpriu o protocolo e aceitou formalmente a candidatura do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos na noite de quinta-feira (22).
Se até algumas semanas atrás, Kamala Harris era uma discreta coadjuvante na cena política norte-americana, é possível afirmar agora que seus primeiros passos na condição de protagonista são firmes e seguros.
No mês passado, quando o candidato democrata ainda era Joe Biden, o republicano Donald Trump optou por invisibilizar o ex-adversário e presidente em fim de mandato.
Sucinta e direta, a candidata de 59 anos trilhou na direção oposta. Falou muito de si mesma, claro, mas não se furtou de citar Trump — nem de pesar a mão nas críticas ao ex-presidente.
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'Donald Trump não é um homem sério'
“De muitas maneiras, Donald Trump não é um homem sério”, disse ela. “Mas as consequências de se colocar Donald Trump mais uma vez na Casa Branca são extremamente sérias.”
Mais preocupada em cativar e se apresentar ao público do que em apresentar propostas específicas, Kamala Harris marcou posição em uma série de temas.
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Ela aproveitou para usar a palavra “liberdade” como fio condutor do discurso de menos de 45 minutos, quase sempre em sentidos diametralmente opostos às “liberdades” defendidas por seu rival.
Em oposição ao livre acesso a armas de fogo, “a liberdade de viver livre da violência armada”.
Contra a intolerância, “a liberdade de amar que você quiser abertamente e com orgulho”.
Em contraposição ao “direito” de perfurar e poluir o ambiente, “a liberdade de respirar um ar limpo, de beber água limpa”.
“Nós não vamos retroceder”, declarou Kamala Harris em mais de uma ocasião.
Em meio a sinalizações vagas quanto ao futuro, no entanto, o que ela parece propor é justamente uma volta no tempo.
Não ao tempo em que Donald Trump pautou (e ainda pauta) a política norte-americana por meio de um discurso divisivo, mas ao tempo em que esse grau de radicalismo era uma exceção, e não a regra por lá. Uma espécie de era pré-Trump.
Para cumprir essa promessa, porém, Kamala Harris ainda precisa “combinar com os russos”. Não com Vladimir Putin, mas como Garrincha ao questionar o técnico se a estratégia de jogo já estava combinada com o outro lado.
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