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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

ALÍVIO

Fed inicia primeiro ciclo de alívio monetário em 4 anos nos EUA com corte de 0,50 ponto porcentual nos juros

O início de um ciclo de corte de juros em 2024 nos EUA vinha sendo antecipado pelos participantes do mercado desde o fim do ano passado

Ricardo Gozzi
18 de setembro de 2024
15:02 - atualizado às 9:25
Imagem mostra Jerome Powell como grande estrela do mercado financeiro
Fed corta os juros nos EUA pela primeira vez desde março de 2020. Imagem: Shutterstock, com intervenções de Andrei Morais

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) finalmente começou a cortar os juros nos Estados Unidos.

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O aguardado ciclo de alívio monetário teve início nesta quarta-feira (18) com uma redução de 0,50 ponto porcentual na taxa de referência usada pelo Fed para conduzir sua política monetária.

Pelos próximos 45 dias, a taxa dos Fed Funds ficará na faixa entre 4,75% e 5,00% ao ano nos EUA.

Trata-se da primeira redução de juros promovida pelo Fed em mais de quatro anos.

A deflagração de um ciclo de alívio monetário em 2024 vinha sendo antecipada pelos participantes do mercado financeiro desde o fim do ano passado.

No entanto, pressões inflacionárias acompanhadas de um mercado de trabalho aquecido levaram o Fed a manter ao máximo as taxas nos níveis mais restritivos em mais de duas décadas.

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Até que um susto ocorrido no início de agosto em meio a temores de que a economia norte-americana estivesse caminhando para uma recessão indicou que o Fed talvez tivesse esticado demais a corda dos juros altos.

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A partir daquele momento, a discussão deixou de ser quando o Fed finalmente começaria a baixar os juros, mas de quanto seria o corte na reunião de política monetária encerrada hoje.

Enquanto a maior parte do mercado já esperava um corte de 0,50 ponto porcentual, outra parcela aguardava uma redução de 0,25.

A resposta acaba de ser conhecida.

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"Indicadores recentes sugerem que a atividade econômica continuou a se expandir em ritmo sólido", diz o Fed no comunicado.

"Os ganhos de emprego desaceleraram e a taxa de desemprego subiu, mas continua baixa. A inflação fez mais progressos em direção à meta de 2% do Comitê, mas continua um tanto elevada", prossegue a autoridade monetária.

Dentro de instantes, o presidente do Fed, Jerome Powell, concederá entrevista coletiva sobre a decisão de juros.

Wall Street firma-se em alta após corte mais agressivo nos juros

Nos momentos que antecederam o anúncio do Fed, os índices de ações de Nova York apresentavam leves oscilações positivas.

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Logo em seguida, repercutindo o corte mais agressivo, os mercados norte-americanos de ações deram um salto.

Por aqui, o Ibovespa reduziu a queda observada desde os primeiros momento do pregão.

Decisão do Fed não foi unânime

Embora a maioria dos diretores do Fed com direito a voto tenha indicado o corte de 0,50 ponto porcentual, a decisão não foi unânime.

Houve um voto por um corte mais modesto, de 0,25 ponto porcentual. A divergência foi protagonizada por Michelle Bowman.

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O que o dot plot diz sobre os juros

A decisão de hoje do Fed teve direito ao chamado dot plot.

Divulgado trimestralmente, o gráfico de pontos traz as projeções dos dirigentes do Fed para os juros no futuro próximo.

O gráfico de pontos indica que a maioria dos dirigentes do Fed prevê pelo menos mais um corte de juros ainda este ano.

Nove diretores da autoridade monetária veem os juros entre 4,25% e 4,50% no fim de 2024.

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Se isso se confirmar, os juros nos EUA entrarão em 2025 um ponto porcentual abaixo do início do ciclo.

Outros sete diretores indicam a possibilidade de uma queda menor, para a faixa entre entre 4,50% e 4,75% por anos.

Apenas um acredita em uma queda maior, para a faixa entre 4,00% e 4,25% até o fim do ano.

Enquanto isso, dois dirigentes apostam na manutenção dos juros no nível atual até a passagem para 2025.

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